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ESPELHO INVISÍVEL: PÁGINA DE “POEMAS” DO ALEXANDRE TAMBELLI
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(Atualizada em 28/05/2006 - ver *) Olá amiga e amigo leitor! Este site é um modesto espelho invisível da minha vida! Sempre elegi a escrita como aliada para desnudar o que trago dentro de minh’alma em sua constante batalha pela sobrevivência neste Mundo que não costuma abrir espaços para os sonhadores, para ideais outros, outras visões do que venha ser felicidade, vida em sociedade e amor! Eu sou tão somente um simples escritor que, num determinado dia, a quase 15 anos atrás, deparou-se com um trabalho de paráfrase de um poema genial de Luis Fernando Veríssimo e que por esta paráfrase ter tido um resultado satisfatório, análise da minha professora, resolveu apoderar-se da escrita sempre que for necessário expressar o que está latejando aqui dentro de mim! Nestas andanças pelo itinerário da palavra acabei encontrando na Poesia parceira fiel! Muitas madrugadas de solidão, insônia, tristeza, ausência, alegria, sonho, etc. passei e ainda passo junto dela! Ouvindo som de fundo com canções tranqüilas (instrumentais), new age ou românticas (MPB) fui escrevendo simples versos que aqui estão dispostos (uma parte deles) numa seqüência um tanto aleatória e um tanto seqüencial no tempo! Nunca considerei-me Poeta! Estes são de outra magnitude! Cultos, letrados, conhecedores dos conceitos mais sutis e complexos do fazer poético! Todavia, aventurar-me neste universo da Poética e escrever um texto, no formato de “Poema”, quando sinto ser importante é uma atitude que não me furto! Afinal, não é necessário escrever com o intuito de ser Poeta... E sim, com o intuito maior, dar-mos o melhor de nós, quando entramos em contato com a inspiração e fazemos dela companheira do constante exigir de desnudamento d’alma romântica, indignada e poética! Eu busco sempre (isto é essencial) valer-me do cuidado com o bom uso da Língua Portuguesa (na sua variante culta), pois, acredito que só os “poetas de verdade”, com o amplo domínio do idioma, são capazes de qualquer possibilidade de subvertê-la, de inovar literariamente! A Poesia para mim é um Dom que vem de Deus! E somente alguns são escolhidos para serem Poetas! De uma certa maneira, Deus, através das mãos dos Poetas escreve o que nós necessitamos para as nossas Vidas serem eternamente desvendadas! Para as nossas Vidas terem o alimento que sacia-nos por completo nas horas de maior desespero, dor, angústia, alegria, sonho, etc.! O Poeta revela nos seus poemas um íntimo-pessoal que pode ser definido como um: ESPELHO INVISÍVEL dos momentos vividos pelos homens! Quando este Espelho Invisível o reflete torna o Poema, universal, ou seja, capaz da reflexão de situações íntimas e sociais de todos nós, emocionando e dando respostas da Vida Humana aos que são sensibilizados pela POESIA! Por fim, eu posso dizer que a mais de seis anos, quando resolvi colocar meus poemas nesta simplória página da internet, escrevi uma definição de Poesia que até hoje mantenho viva: A poesia é uma representação dos estados da alma. Quando escrevo uma poesia estou em contato com meus anseios, dúvidas, desejos, faltas e sonhos. Ela fortalece-me e traduz-me. A poesia faz-me abrir os segredos reclusos em meu ser e eu consigo vencer as minhas limitações. Com ela sou vida, sou capaz de transpor os meus medos, deixando transparecer a quem lê o que sou e o que penso da realidade que me cerca. Enfim, a poesia, minha companheira inseparável das horas de solidão ou de completude, faz-me... 1º Parte - “poemas” de 2004 e 2005; * A 1ª parte “poemas”, desta atualização, pertence ao registro efetuado em outubro de 2005 refletindo bem: o momento de maior intensidade do amor em minha vida. Os “poemas” mostram o quanto amar uma mulher, como a minha amada Carla, intensifica dentro d’alma uma certeza mestra: que a força maior para sermos felizes e vencedores nesta vida tão atribulada dos dias de hoje é ter um AMOR companheiro e fiel para todo Sempre e toda Eternidade! 2º Parte - “poemas” de 2003 e 2004; 3º Parte - Falando de Poesia; 4º Parte - Falando com Deus; 5º Parte - Falando do homem; 6º Parte - Falando d’amor. O PECADOR Levemente dissipa o coração Da pureza encoberto em castidade. Foi-se no ar Serafim sem remissão Dos pecados de ser felicidade. Anjo puro em demônio transformado Pela paixão em fúria arrebatada Maculando seu casto ser alado Que foi lá no Céu alma imaculada. Hoje, na Terra, bebe dos prazeres Carnais, em um cálice profano Feito de sexo, orgias, bacanais Com sedutoras deusas infernais. Como demônio, queima, no tirano País dos usurpadores dos quereres. (Alexandre Tambelli® - 2004) O AMOR PROIBIDO A Deusa dos meus sonhos veio aqui, Proibida água bebeu e pecador Acordei em minha vida sem pudor Pra com a religião na qual nasci. Cometi o erro de amar mulher casada Digamos: desquitada na lei do homem, Porém, pra sempre de outro na Divina. E o outro que não a tem mais amada Querem que sentimentos meus tomem Pois, meu amor, o católico incrimina. Obs. ...E os dois não se amam mais... (Alexandre Tambelli® - 2004) ESPINHOS DA SAUDADE À Carla "Os espinhos que colhi são dá árvore que plantei." Byron Como dois tristes pássaros na gaiola Postos, por terem porte majestoso, Todo amor, prisioneiro da saudade, Planta flor enjaulada: silencioso. A natureza presa nos isola Beleza do cenário mais grandioso; No coração floresce, sem vontade, Árvore com espinho pegajoso. É triste o belo assim, com liberdade -- Prisioneira de grade fabricada. -- É triste o amor assim, -- nesta cidade, Distante da vermelha e delicada ROSA -- que desabrocha, uma saudade, Presa e sem alegria n'alvorada. (Alexandre Tambelli® - 2004) O TROAR DOS CIPRESTES Hoje, no coração, porção de lágrimas Regam novo canteiro de tristeza. Um pequeno cipreste em fortaleza Transforma-se... [abandono todas rimas]. A poesia escurece e chora e chora E chora e por chorar floresta cria... Ciprestes e ciprestes penetrando Cada espaço que habita o coração... A poesia murmura um eco frágil Bem ao longe da vida que existiu E a alma que demais ama é prisioneira Da última trombeta da tristeza -- Tenebrosos ciprestes -- que no ausente Troam sem destemor diante do teu amor. (Alexandre Tambelli® - 2004) ONDE ANDAS MEU GRANDE AMOR? À Carla Onde andas meu grande amor? Flor florida por quimera Bela e perfumada em cor Vermelha na primavera... Onde andas meu alvo botão? Desabrochaste sorrindo Quando a súbita paixão Foi nosso verão abrindo... Onde andas meu anjinho amado? Doces asas que pairaram Tranqüilas no jardim criado... Onde andas meu Céu de luz? Lua e estrela que brilharam Aqui! na flor que reluz... (Alexandre Tambelli® - 2004) CORAÇÃO SOLITÁRIO À Carla É noite em meu coração... A minha deusa sonhada Está aqui em conotação Na poesia desenhada. O poema, somente o poema Consegue ficar concreto. A vida real é dilema Com um segredo secreto. Distante de mim a musa É uma imagem distorcida E sem nenhuma verdade. Meu coração se lambuza De lágrimas na avenida Solitária da saudade. (Alexandre Tambelli® - 2004) MEU DEUS! ESCREVE POR MIM... Meu Deus! Tuas Mãos me carregam Por sobre o branco da folha... Os Teus fortes sopros regam A flor que aqui se desfolha... Cada vento que vai à-toa Um novo ar a ser tocado... Cada perfume que escoa Um cheiro a ser respirado... Cada pétala que voa Um imo a ser revelado... Cada assovio que soa Um poema a ser encontrado... Quando! Tuas Mãos me carregam - Meu Deus! - Pelo papel branco Meus segredos se despregam D'alma e sangria aqui estanco. E nesta hora estou liberto Desnudo para o leitor Que vê um coração aberto E Completo do Teu Amor! (Alexandre Tambelli® - 2004) IDOS AMORES Pro flamingo: Catedrais Flanando fé inalienável Na vitória que orquestrais Meu Deus Santo e Inacabável. D’Amores de Ti pra mim No percorrer do caminho, Perdas: cheiro do jasmim Repousado em mim -- sozinho --. Ave voeja vindo vento; Pode desgarrar beleza Que n’Amor experimento. Pairo então -- submerso no imo --. Vôo eu pela Natureza (Pronto meu muro de arrimo.) Vôo com cheiro da flor, Com perfume da esperança... Vôo pois, adeja o Amor... Pois, Amor é eterna dança... Pousos do flamingo -- ao léu -- Até Amor descer no céu! (Alexandre Tambelli® - 2004) FELICIDADE II Por detrás desse manto natural Esconde-se a brancura derradeira. A tarde silencia seu plural E desperta o cicio que se abeira Nas entranhas da mata tropical Da cidadinha pobre do Ribeira. É término de sol com ventania Nas bandas de Eldorado e cercania. O caboclo traz no ombro a velha enxada; Nos pés a direção firme e segura Do esposo honesto e fiel à sua morada; No tórax a risada franca e pura Do caipira feliz, de alma encantada; No sonho nada traz desta cultura! Somente uma carroça pro roçado Carregar e trocar lá no mercado. O Peso da jornada de doze horas Não retira do rosto fatigado Por capinar a terra desde a aurora O cordial cumprimento pro povoado Em que qualquer esposa que lá mora Espera com os filhos o pai amado Para juntos entrarem na casinha Que a família em amor e paz se aninha. Vêm... O momento lúdico do afago, Do beijo, a novidade saborosa Trocados, até o pai dar os seus tragos Deitado à rede enquanto, a mãe zelosa Põe na mesa: o jantar; feito com magos Dotes de cozinheira caprichosa Que faz cada um, com poucos mantimentos, Suprir necessidades de alimentos. Jantam... Na circular e simples mesa Montada pelas hábeis mãos do irmão Mais velho que trabalha com destreza, Capricho e precisão, sem profissão. Pós, ceia fraternal, a sobremesa Caseira: bananada com limão, Com a fruta colhida no quintal Ali no diminuto bananal. E ao final desse dia familiar, (Em que com harmonia, simples gente, Sabe como viver, compartilhar Todo seu diário suor: fraternalmente;) De mãos dadas, olhos ao céu, a Orar Agradecem a Deus, ardentemente, Toda graça alcançada na jornada E dormem até o raiar de outra alvorada. (Alexandre Tambelli® - 2004) MINHA VILA Esquecida e tranqüila, na grande cidade, Minha vila ao esconder-se vira oásis, farol, Brinquedo para criança, descanso pro sol; Que em cada morador paz de interior invade. Seis casas geminadas, três de cada lado, Com grande área central divisada por duas Calçadas onde, à noite, observamos as luas, As estrelas, perdidas, sobre o emaranhado De prédios, construções, árvores centenárias, Fiações e frias sombras. Vila tão querida! (Onde cantam reclusos: pássaros-coragem, Sobrevivendo o canto natural em árias Urbanas e a pacata interiorana vida) Que construía no tempo e espaço a minha imagem. (Alexandre Tambelli® - 2004) COM A FELICIDADE Diz o filósofo: “- Felicidade Não existe!” Penso... Ao te conhecer A tristeza não mais vi amanhecer Na minha vida que é pra eternidade. Filosofo: - Há dor pra ser vivida Em comunhão ao amor, toda a existência, Com a sabedoria e na paciência Que todo coração bom traz em vida. E é uma dor transitória que com Deus, Presente em nossa Vida, se transforma... Na certeza do Eterno nos consola... Pois, a felicidade nada isola, Atrai sempre... e a dor... uma outra forma Concebe pra amainar pesares teus... (Alexandre Tambelli® - 2004) SONETO DO AMOR AO CÉU À Carla Do nosso amor Carla rebenta a rosa que desabrocha perfumada e alegre nos unos corpos como flor entregue pro libertário e audaz deleite -- airosa. Enfeitiçada de poesia e gozo estua nua com formato aberto no inusitado do prazer liberto das convenções e dos tabus. Fogoso florir do sexo com tesão completo na elevação da rosa airosa ao céu onde conhece seu saciar Eterno. Florir brilhando ao sopro-sol, repleto na saciação humana e Santa em véu a tremular no Colo de Deus -- terno. (Alexandre Tambelli® - 2004) ROSA FLOR DA POESIA À Carla De Ti inspiro Rosa! Poesia... Do amor Mais encantador Que deste a mim: flor! Vives saborosa Junto ao perfume Das matas. Do cume Digo-te: - És meu lume... Que Vida gloriosa Tenho nas planuras Porque em mim depuras Do teu ar feito de auras... Tão vertiginosa És! Que tu me evolas Poemas que ressoam D'alma como loas... E na misteriosa E virgem entranha De tua artimanha Teces como a aranha Uma laboriosa Teia que me liga Inteiro onde abrigas As doces cantigas Que na polvorosa Alucinação Com a inspiração Vêm ao coração... (Alexandre Tambelli® - 2004) Oh! Saudade Rosicler! Oh! Lembrar aos pés d'aurora! Oh! Saudade da mulher! Oh! Lembrar que o poeta chora! (Alexandre Tambelli® - 2004) DE ONDE VEIO VOCÊ? À Carla De onde veio você? Que chega a mim No silêncio da noite! Sem barulho, Sem pedir permissão e com arrulho; Que bem de vagarinho, faz-me assim... De onde veio você? Que muda a paz Do tranqüilo habitat do solitário; Que faz da vida o sonho visionário De que a felicidade é algo capaz... De onde veio você? Que mora em mim Da hora que acordo até a hora que deito; Que assopra bons desejos que eu deleito Com volúpia e velejo em mar sem fim... De onde veio você? Que de perdido Faz coração pulsar com muita força; Que rouba meus segredos como corsa; Que revela tesouros escondidos... De onde veio você? Que me invade E transforma meu corpo no desejo Incontido do toque, gozo e beijo; Que desvela prazeres à-vontade... De onde veio você? Que aflora flores Nos mamilos, no rosto, nas entranhas; Que coloca fragrâncias e emaranha No homem nu que descobre do Amor: cores... De onde veio você? Que causa guerra Contrária a escuridão trazendo dia; Que em luta faz-se forte e a rebeldia Do revolucionário põe por terra... De onde veio você? Que decide Dividir a alegria que contemplo; Que permite noss’alma ter um Templo Neste amanhã que o Amor em nós reside... De onde veio você? Pergunto aqui Pra inspiração amiga, pro teu cheiro Que caminha no quarto por inteiro E prova que a você não resisti... (Alexandre Tambelli® - 2004) QUANDO DOMINGO CHEGAR... À Carla O último respiro da tarde Faz-me lembrar da saudade Que no dia escondeu-se E na quase noite perdeu-se. A hora escura primeva Enfeita-se do arrebol Até vingar a treva Que guarda, só na memória, meu sol. Eu sou seu na distância! Porém, sem olhos para enxergar, No horizonte, a refletância Do seu corpo no mar a vagar. Neste agora reluto em dormir Pois, acordar será ausência No meu sábado a seguir Na trajetória da minha existência... Virás no domingo novamente E no arco-íris montada Com a aparência de uma cadente Estrela do iriar iluminada. Espero-lhe e sei que sorrirei Nesta data aonde reverei seus traços E com ritmo acelerado correrei Novamente, de encontro aos seus abraços. E sei que nos faremos felizes nesta imensidão Da paisagem que nos esconde, Que nos provoca solidão E que neste agora não nos responde Aos brados de cada coração Que unidos estão pela alma -- Em um estado de sublime Oração -- Feita de lembrança e pouca calma No espaço que dista nós dois Por mero capricho: o destino, Para provações que no depois Reviverão do passado menino Que o nosso profundo Amor Cultiva a cada instante Dentro de nós como uma flor Perfumando nossas almas errantes No sonho supremo da Vida De duas rubras rosas em botão Que abrir-se-ão seguidas Para abraçarem-se nas mãos da Paixão... (Alexandre Tambelli® - 2004) AMOR PARA SEMPRE... À Carla Nas voltas do tempo Passeando no espaço Duas almas vagaram Nas imensidões Do mundo infinito Em busca do Amor... Muitos contratempos Adiaram o passo Certo e protelaram O que os corações Em sonho bonito Desejam do Amor... Mas em uma noite Sem se perceber Estava selado Que pra eternidade Caminhava o sonho Feito com Amor... Pois, sem mais açoite Veio renascer No campo gelado A felicidade Com Sol de tamanho Luzir e esplendor... E daí por diante Novos mundos, cores, Ambientes, paisagens Interiores, Almas Reluziram belas Nos braços do Amor... Hoje, como diamante, Luz jardim de flores Por entre miragens Que com bela calma Brotam nas janelas Que vemos o AMOR: (Pra sempre nascer... Todo amanhecer... Todo entardecer... Todo anoitecer... De nossos caminhos Nunca mais sozinhos...) (Alexandre Tambelli® - 2004) PLANETA DESCONHECIDO À Carla Como posso desvelar Planeta do nosso amor? Alguma estrela distante Saberia me contar? Algum dos deuses do Céu? Da primeva humanidade? Do ponto central da Vida? Do limite do Infinito? Que segredos revelar Pra decifrar nosso amor? Dois errantes em constante Viagem por novo habitar... Dos astros acena um véu Tremulando a liberdade Desta entrega promovida A um Universo bonito... E nosso amor a velar Em cada Sol - com clamor - Todo ouro: feito diamante Do fogo a nos crepitar... (Alexandre Tambelli® - 2004) NOSSO AMOR À Carla O amor brilha com toda intensidade Nos corações levados pela vida. A estrada percorrida é claridade Em cada escuro, beco sem a saída. O amor converge a luz da inteligência Pra sensibilidade dos espíritos. A nova e bela essência tem consciência Guiada no fluxo d'alma pra infinitos. O amor sem material vislumbra céu Na amplitude dos ares a pairar Como um astro brilhante e como um mel Que faz gesto sorrir e adocicar. O amor da minha vida transcendente Converge sonho e dengo pra alquimia. A existência tão leve faz vivente Corpos refeitos: alma e fantasia. O amor que compartilho amadurece O jardim da brancura e da afeição. À primeira manhã já se floresce Das flores e das cores da paixão. O amor definitivo vem completo Em plena convergência de perfumes Que aromatizam atos com repleto Entrelaçar de cheiros e de lumes. O amor em nós guardado felicita Os momentos e amigos nos compreendem. Em paz, certeza e luzes exercita Do saber que os mundanos não nos vendem. Nosso amor Desconstrói qualquer lógica Pois, não é uma equação da matemática Nem é proposição de tautológica Equação filosófica ou da estática. Nosso amor é simplório na verdade E não temos teoria, só a certeza De que nos corações há liberdade Capaz de transformar tudo em beleza. Nosso Amor é por Deus Iluminado Como um Fogo Sagrado e Superior Pra Transcender a Vida e no Elevado Palco da Eternidade ser AMOR... (Alexandre Tambelli® - 2004) A PARTIDA DO AMOR Chegou a hora de partir... Sigo em meu barco, Descolado do porto, ao amor banido, No País onde moro comprimido Ao medo continuado de num charco A mim me atolar -- só -- e não deixar marco Do momento feliz aqui vivido. Afundo-me no País; e já perdido O possível ficar -- a mim -- resta: o arco Do triunfo inalcansado traspassar... Da fronteira infinita: os pés largar... E do sonho mais belo a alma vergar... Vou-me... por amplo mar desconhecido E quem sabe no tempo -- amanhecido Outro dia -- esta dor possa passar... (Alexandre Tambelli® - 2004) QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER No momento em que um homem pode ver Por entre suas mãos, completa flor, Desabrochando em luz, igual viver Primevo do bebê: vindo d’amor, Ele torna-se um deus a colher Seu infinito sonhar: no resplendor Divino do saciar, a resplender, Entre olhares da amada: em esplendor. Todo homem que amar faz uma mulher Constrói um coração feito pureza Igual puro diamante natural A lapidar com brilho rosicler Sentimento mais nobre da beleza: O Amor -- tornado sobrenatural. (Alexandre Tambelli® - 2004) SOB DOMÍNIO DA SAUDADE sob domínio da saudade pensamento desconstrói afável felicidade crida e certeza corrói quando na liberdade da segurança se mói por dentro prioridade do contar coração dói onde vai que não diz não ouve não comunica? qual mar é teu itinerário? minh’alma assim não se quis! mas n’ausência intensifica dor no âmago solitário... (Alexandre Tambelli® - 2004) SONHOS DO CORAÇÃO ATORMENTADO... Quem pode, sem dizer, daqui partir No silêncio da noite tão calado A ponto de chorar de dor amado? Quem pode, sem se ver, daqui sumir Na calada da noite sem recado Sem sinal da partida? Abandonado Choro dor pressentida a deglutir Sonhos em pesadelo inacabado... Onde foste parar sem permitir A mim comunicado, voz, recado? Percebo falta grande a me destruir... Sonhos do coração atormentado... (Alexandre Tambelli® - 2004) POR NÃO SER POETA!!!!! Por não ser poeta falo da minha vida Sem o pudor da intimidade, da verdade, Serem vistas no espelho invisível de mim mesmo. Dizeres escolho sem lógica, a esmo; Quando alguém, Superior, quer dar realidade Para meu existir em constante partida. Devastar minha intimidade dos segredos Considero uma vitória coletiva Entre o meu eu-lírico e o meu leitor. Poesia é colidir os diversos enredos Da vida de quem escreve na lente viva Do ouvinte que ouve seu interior. Por não ser poeta permito-me até ser piegas E num repente da manhã, improvisar, Toda a minha existência momentânea, Sem medir o colossal livro das regras Da Literatura convencional e ousar A palavra AMOR de forma instantânea. Eu sou uma fonte que jorra vida minha Na explosão do meu rio interior, em seu oceano, Perdido da lógica ou do ritmo dominante. Vou por uma viela estreita que desalinha Seus casarios e não aceito esconder-me como figurante De um Teatro de ficção: atrás do pano. Por não ser poeta minha escrita não é poesia; Meu relato não tem valia literária E seu resultado é só de quem aceitá-lo útil. Isso não significa que quero ser uma pessoa fútil, A dizer qualquer bobagem, sem sentir a Ária Interior relatar-me que preciso de harmonia. Assim nasce, meu relato próprio e humanista, Com a força de um coração que muito ama, Que sente a vida, forte pulsar, dentro de si; E que ao ter a humildade de saber-se, um não artista, Aos seus poucos leitores, talvez um ou dois, chama, Para confessar que, foi suplicando a Deus, que este, pobre relato, escrevi... (Alexandre Tambelli® - 2004) NOSSA PAIXÃO À Carla O que continuamente a ti me trazes É o imprevisível ato da conduta Dessa nossa paixão com tão vorazes Desejos que nossa alma a repercuta. Guardá-la nos profundos do céu à luta Nas batalhas de sangue ou nos lilases Cheiro exalando e cor sobre a disputa Do magnífico amor em belas frases Eis o Sagrado poema do prazer... Nós que por força humana nos perdemos Depois nos reencontramos a fazer Dessa nossa paixão Eternidade Bem sabemos das brigas que detemos No encontro da total felicidade. (Alexandre Tambelli® - 2005) DO OUTRO LADO DO IR À Carla Lembro-me bem do inusitado agir De uma tal moça do destino filha. Um dia, abril, em um caminho, trilha A mesma estrada de um tal poeta - partir Pela fantástica poesia - até ilha Inabitada, onde, um amor-luzir -- Sobre o farol sem ter a luz que brilha -- Quer ver nascer lá do outro lado do ir. Na margem outra onde amar é quimera Que se realiza junto lá se deram. E cada ler do pensamento só Confluindo vai pra brilhante esfera Onde, no amor, sonho, não vira pó Pois reluz na ilha a saciação que esperam. (Alexandre Tambelli® - 2005) MEUS VERSOS DE AMOR À Carla Sobre esta folha o verso cai adulto No amor maduro, da confiança filho. O verso-prosa da paixão fervilho Nos nobres dedos deste poeta inculto. Arde a poesia e n'alegria o vulto Do superior poema de Deus: eu brilho, No verso frágil do simplório trilho; Na senda vã de um reles poeta estulto? Não! Pois, que vale uma soberba voz Que não pactua coração com alma? Sou apenas verso do meu amor e atroz, Talvez, a quem não vê a poesia-amor! E sei que Deus faz-me humildade e calma Pro verso-amor... Ir declamando o amor.. (Alexandre Tambelli® - 2005) DESCOBRINDO A MIM A Aurio Corrá Estimativas fortes de mim mesmo No profundo segredo deste ser. Na escolha da beleza que sem esmo Labuta nas pesquisas dum viver. Meu poeta face a face com a dúvida De que rumo adentrar no universal Contato da alegria com a vida. Sugar do suor e dor para ter sal Que é secreta semente do chegar Ao coletado sonho em anos de ir Ao mais recôndito âmago de mim. A música é poesia do adentrar Na escuridão verdade do existir Que transmite ao meu ser o por que vim. (Alexandre Tambelli® - 2005) MENSAGEIROS DE DEUS Morada alucinógena da voz Foste onde recolher da perfeição Do cantar e da música de Deus? Quem recebe a Divina Luz após O transe, na melódica canção, Pode considerar ter versos Teus? A Poesia é tua Irmã Deus Imortal? Como deste provento de me criar Versos se nada sou além de ser pó? Em plena sintonia meu portal Num futuro abrirá teu novo raiar... Porque Tu! Oh! Meu Deus... fez-me imortal Ao verso Teu: poesia em vida ecoar... E sei do meu legado passageiro: Nesta vida ser -- eu -- teu mensageiro. (Alexandre Tambelli® - 2005) PULMÕES SEM RESPIRO Vamos às mãos de Deus nos repousar Com as fraquezas nossas que nos formam. Estirar-nos com forças sobre seu Ar No tranqüilo descanso dos que só oram. Perder-nos do momento e silenciar Nossas razões, vozes, que devoram O âmago de nós mesmos, a anunciar Que cessa-nos a vida quando choram Os calados pulmões sem respiro Do Ar protetor de Deus que é o grande Amor A habitar dentro d'alma como flor Desabrochando bela num suspiro Da feliz sintonia dos amantes Que hoje ao nada se largam -- tão distantes... (Alexandre Tambelli® - 2005) COMO É BONITO AMAR UMA MULHER! Como é bonito amar uma mulher! Doar a cada alegria um belo beijo E na dor se deitar no rosicler Do eterno amanhecer que dela vejo. Eu sonho ser aquele que a ela vier Com um buquê de rosas e um desejo Pra vê-la suar, sorrir e lhe querer. Se assim eu puder ser: como perfume Que traz cheiro e inebria uma mulher Sei que ao Amor mais bonito darei lume. (Alexandre Tambelli® - 2005) O AMOR É UMA BALANÇA Habitante que sou da noite calma Entendido da voz mais silenciosa Que a todos os instantes cala n'alma A vontade da fala indesejosa. Eu estou em mim tão somente para que Não faça de uma Vida: uma tristeza; De momentos sublimes um porque De lamentação e grito: sem justeza. Somos feitos de falhas e a poesia Da vida nunca é reta e sim -- balança -- Na vitória e derrota equilibrada. Só acredita piamente, em fantasia De perfeição, quem nunca sente a dança Nesse vaivém do amor que em todos brada. (Alexandre Tambelli® - 2005) SAUDADE DO MEU AMOR Lenta(mente) saudade... Na lembrança Do momento bonito passado, Ao conjugar do belo e da esperança, Navegas no olhar fixo e marejado... [Madrugada marítima que avança No âmago da saudade...] Meu passado Que foste visionário duma aliança Incomparável, onde está fixado -- Do amor -- seu mandamento infinito? Saudade da bonança e da carícia... Saudade da ternura e da malícia... Saudade do que ainda é muito bonito... Porque o agora navega solitário Num mar sem rota e norte e itinerário... (Alexandre Tambelli® - 2005) PÓ(EMA) DA SAUDADE Por que desta lembrança não há o pó Percebendo-o na tez sem a saudade -- Companheira da dor -- que sem ter dó Não têm rastros de pó como unidade? O árduo de só lembrar do que é essencial Ao encontro da unidade traz ao ser A vivência (in)contínua, sem o Sal Que confere pra Vida o acontecer. Ah! palavra na noite silenciosa! Ah! poesia sem Vida: vitoriosa! E o poeta, solitário, -- no delírio -- Pelas Mãos de Deus a hora eterniza; Crava (só) em folha o pó e triste batiza Seu poema na benta água do martírio... (Alexandre Tambelli® - 2005) RECOMEÇO Lágrima no vento dissipando D´água que me faz homem e certeza. O amor que trago em mim será beleza Que ao findo temporal se libertando Vai ao mundo pagão onde morando Não estou há vários meses de realeza No palácio da nobre Dama e Alteza Que das garras do amor vive sangrando. Vento! Que sobre as costas, no corcel Donde sigo: sem sonho e direção Movimenta este corpo rumo ao nada, Dissipa dos meus olhos a molhada Lágrima deste triste coração E galopa meu ser para outro Céu... (Alexandre Tambelli® - 2005) UM MUNDO ESCURO E PRETO Foste a beleza maior que, atravessaste As montanhas perdidas da ilusão, Encontrando a campina verdejante E florida de poema e coração. Na secreta redoma de um cantante Moraste como musa e perfeição. Das mais puras quimeras confessaste Nobre e sensível gosto com paixão. E no agora, meus versos: no soneto -- Descolorem por dentro toda cor Que florimos unidos na campina. Em minh´alma o céu chora e a dor rapina Cada rosa florida pelo Amor... Que habita agora: um mundo escuro e preto. (Alexandre Tambelli® - 2005) O MEU SIMPLES VERSO Eu faço das palavras: simples verso Do mais íntimo poema e coração. Não! Não queira leitor viver meu emerso Escombro ou claro céu sem emoção. Se com a razão ler será perverso O que do poema advém que, em comoção, Só em comoção e luz, faz nu: reverso Do meu existir imerso na paixão. Amor, Dor e Poesia me acompanham Neste intranqüilo mar desta existência E deles meu existir e agir se banham. E se cá em mim navega esta Trindade, Que desnuda meu ser: na íntima essência, É porque só dou à Vida: Santidade! (Alexandre Tambelli® - 2005) HABITANTE QUE SOU DE UMA POESIA! À Carla Na humildade dos versos desse poeta Que habita o íntimo Ser de uma poesia! Onde há uma discreta e tão repleta Luz para iluminá-lo em simetria Com o mundo feliz que lá completa. A Inspiração: suprema em fantasia De quimera d'amor lhe vem seleta De belos adjetivos todo dia... Inspiração luzindo sentimento -- Com a chama de Deus por entre as mãos! -- Dos dedos faz colar palavras Santas No Uni(verso) Supremo onde, no vento, Dissipa paixão d'alma em suaves grãos De areia que evolam nela: mantras... (Alexandre Tambelli® - 2005) O INFINITO AMOR À Carla (Com o passar de um tempo: a descoberta Torna-se uma certeza da infinita Existência do amor nos corações...) Por que o destino é um tempo em alerta Do futuro e demora a ser bonita A vida em que vivemos emoções? Seria muito fácil ver o belo Pela estrada de espinhos da procura. E é preciso aprender no sofrimento A beleza de amar e ser singelo E possuir a alma leve e doce e pura Na imensidão do Céu e do pensamento... Se hoje o amar é! Das dores nós buscamos Nos espinhos da estrada: soluções! Veredicto dos erros: dores transformam! E o físico e a mente e a alma -- se hoje amamos -- Em suave alegria: ebulições De liberta paixão dentro em nós formam! (Alexandre Tambelli® - 2005) RUMO AO AMOR... À Carla Eu só preciso do teu belo amor -- No coração que te poetiza: Flor! -- Para o meu verso de beleza plena Ver pelas mãos de ti nascer morena... Porque amo a ti bellamorena bela O meu verso ama e vai além janela Na imensidão do firmamento azul Em direção segura ao Norte, ao Sul Ao Leste, ao Oeste até onde fores: Flor! Porque de ti o meu verso ruma ao amor... (Alexandre Tambelli® - 2005) TUA MÃO À Carla Aprendo o que é ter carinho No regaço da paixão Quando vou pelo caminho Que me percorre tua mão. Se sob teu corpo me aninho Bate forte o coração Sinto não estar sozinho Pois me dás a direção. Nesta troca de energia Explodo-me de emoção Com teu toque de poesia. Com tamanha inspiração Minh'alma se contagia Da macieza da tua mão. (Alexandre Tambelli® - 2005) SEU OLHAR À Carla Seu olhar é como diamante Tem o brilho da pureza Mais rara e mais impactante Aos olhos da natureza. Quando o fito num instante Pela esfuziante beleza Perco-me no penetrante Mundo de sua profundeza. Seu olhar desvela teu ser Mais íntimo e mais secreto Quando lhe olho com candura. Ao sentir-lhe me querer Pelo meu sublime afeto Brilha o Amor de forma pura. (Alexandre Tambelli® - 2005) TEU SILÊNCIO À Carla Quando teu silêncio invade A casa, o jardim, a rua Penetra a paz na cidade Da calma de tua alma nua. Calas-te por liberdade De encontrar verdade tua Na simples ingenuidade De uma moça que olha a Lua. Tu bem sabes o que é amar! Guardas contigo uma flor Sem exata hora pra doá-la... Deixas ao léu, a beira-mar Teu maior segredo de amor E o tem quem sabe esperá-la... (Alexandre Tambelli® - 2005) TEU SORRISO À Carla Em teu sorriso de criança Mora a pureza menina Que ao homem bruto acalma e amansa Toda insensatez ferina. Um simples sorriso e alcança Teu rosto a luz que ilumina De sonhos e de esperança A alma do homem que o destina. Porque, quando tu sorris Com teu delicado jeito Tens o dom dos colibris... És singela como os lírios... A tocar-lhe forte o peito Trazendo-o a paz e os delírios... (Alexandre Tambelli® - 2005) “POEMAS” DE 2003 E 2004 ELEVAÇÃO AO AMOR Nasce todo casal pelo destino. No devido momento, porque Deus Quer dois anjos meninos, entre os seus Venturosos guardiões, ao Sol a pino. Chamas verticalmente colididas Em um mesmo epicentro: a afinidade. Cândidas Garotices incididas Em atritada LUZ pra eternidade. Num simultâneo espaço tecem raros Diamantes. Todos sonhos são vapores Eretos; toques, suores e sabores Na quentura dos corpos-anjos-claros. Na harmonia com Deus e com a Terra Clarins de Serafins ressoam na Serra. (Alexandre Tambelli® - 2003) NO CINEMA Desejos vem, pós o apagar das luzes; Desponta: Amor! Nos transformando em Céu. Como brilhante estrela clara, luzes, Corpos corando, na sua lua-de-mel. Melamos seios, pós o afagar de abraços; Explode: gozo! Enrijecendo músculos. Num ofegante enrosco mãos e braços Grudam os peitos com vorazes ósculos. Desejos ávidos ampliam libido (Descontrolada, senhorita do ato, Despudorada, primitiva) e pois, Livres -- desnudos do tabu: proibido! -- Tiramos roupas sem nenhum recato E com prazer fazemos sexo à dois... (Alexandre Tambelli® - 2003) PURA FANTASIA -- Em Pura Fantasia Olga namora -- Caminhando distraída na estradinha Onde a brisa balouça os pés de amora Namorado quer ver na sua casinha... Sorridente e a sonhar saltita só Em harmônico e livre ziguezague Para lá e para cá levando pó Que seu riso não há nada que apague... De pé em pé pula pula e pega amora Mãozinhas e boquinha de carmim Corre corre pra ver quem namora... E cansadinha chega na casinha Namorado? Pó de pirlimpimpim Encantamento de fada madrinha... (Alexandre Tambelli® - 2003) TEATRO DA VIDA Caminhou o homem solitário à luz Da lua -- só -- com a parceira e irmã. Foi no passado livre escolha vã De alguém que quis carregar própria cruz. Ser solitário (sem prestar suas contas) Foi sua aptidão, seu chão, sua mão na vida. Contracenar com a mulher -- provida Vontade trágica -- que lhe desponta.... Escolhe-a ao léu por afã (autofágico) De toque e segue seu desejo ao caos... Fugir de todo seu encenado agir? Ou obedecer a cada farsa, e ir Ao descontrole do não amar por maus -- Roteiro e cena -- neste teatro trágico? (Alexandre Tambelli® - 2003) ESTAÇÕES SEM RISOS À Diva Por resistência qual parou o sorriso Do casal namorado de plantão? Por que nestas criaturas está tão Fria! Nublada! Cerrada! Via do riso? Por que a rosa carmim não desabrocha O sorriso nos lábios sem sutura? Por que o sol nas manhãs não luz na serra E o riso resta rígido igual rocha? Por que a uva na parreira não adocica O sorriso nas bocas com fartura? Por que há o orvalho gélido na terra E restas amargor riso... Igual cica? Por quê? (Alexandre Tambelli® - 2003) PRIVILÉGIO... À Carmen D’ávila Menino-poeta à beira-mar cheira estrelas marinhas... Criança-peralta ao meio-dia sem sol queima os olhos de alegria na brincadeira... Jovem-romântica à meia-noite enxerga na lua cheia o anjo amado... Ancião-sonhador à beira do rio pesca cometas com vara de pescar... Mendigo-liberto em meio ao trânsito da Avenida Paulista colhe pedaços do arco-íris... Adolescente-pura na estrada distante e erma imagina habitar o Reino do Amor... Velhinha-menina na cadeira de balanço da sala acredita brincar na balança do parque... Retirante-profeta com pés descalços e meses de caminhada e fome vê-se o Rei de um Palácio chamado: Vida... Poeta-advinho esquecido na sua poesia teima em rimar esperança com mudança... Poeta-amante repreendida por amar e sonhar termina seu livro de versos de amor... Mulher-sentimento caminhando interiormente descobre-se alma e não só matéria... Homem-poesia poetizando o Viver vê Deus em cada verso que brota de suas mãos... Privilégio?... Sonhar possível o impossível... Tornar o impossível possível... Cantar sua música invisível... Descobrir das vestes a poesia do impossível... Para recriá-lo hoje e sempre!... (Alexandre Tambelli® - 2003) CONVERSA VIRTUAL Quem foi a primeva voz declamatória Do vão considerar, de uma conversa, Fomento e introdutor, na trajetória Virtual, de uma equação sempre perversa De sermos algo a mais que amigos leais? Será que na internet os nicks só reagem Por desejos de terem algo a mais Quando nas "semelhanças" interagem? Por que o assédio contínuo nos corrói E aos poucos a afeição que poderia Perdurar para sempre se esfacela? Todo virtual amigo se constrói Num rígido alicerce que seria Do amor um prisioneiro em uma cela? (Alexandre Tambelli® - 2003) GOZO VITAL Discorro nesta branca página vazia Tudo que liberdade em mim, sempre contínua, Constrói para não fenecer a poesia Que faz sobreviver minh'alma (pura e nua)... Escrevo nestas linhas pautadas -- caminho -- Nesta cruzada contra cenário social Em que estou alicerçado, por não ser sozinho, E ter de consentir ao SER: gozo vital... Conselheiros da vida íntima e do sonhar Como posso assentar com conseqüência um resto De acordo social para meu caminhar? Não quero ser inútil! OU ver-me farsante Reproduzindo o NÃO-SER no falso e funesto Prosseguir do avejão da lógica reinante... (Alexandre Tambelli® - 2003) SILÊNCIO: ESPETÁCULO DA NOITE! Silêncio: espetáculo da noite! Na troca das buzinas dos apitos Pelo lógico seio de impulsões Timbra-se bom, bafejo do tubista. Silêncio: espetáculo da noite! Na troca dos barulhos dos agitos Pelo lúcido veio de visões Modela-se dom, moda do modista. Silêncio: espetáculo da noite! Na troca dos estrídulos dos gritos Pelo uníssono esteio de audições Soletra-se som, sopro do solista. Silêncio: espetáculo da noite! Na troca dos bulícios dos atritos Pelo nítido meio de tensões Conta-se tom, cantata do contista. (Alexandre Tambelli® - 2003) O NASCIMENTO DE UMA NOVA FLOR... À Carla Descobre no frescor duma angélica branca Perfume que inspirar, nos poetas, alavanca... Desenvolvendo versos desse coração Que no sentir do cheiro executa sua ação... E seu poemeto brota da cândida forma Desta angélica flor (reluzente, tão bela) Que inebria inspirar elevando poeta à alma... Então um novo poeta não mais se conforma Em desenhar os versos apenas na tela... E seu poemeto aporta noutro Céu com calma... Na leitura dos versos, caminhando ao vento, Confunde ele, esta flor, com a imagem do amor... E sem se notar, no êxtase do ar, sentimento Do coração amante escorre do clamor Até flor intocada, pura, legendária, Rica, que o delirante, constrói dessa ária. -- IMAGEM viva, clara, sólida, singela... -- Nova angélica flor nasce em vivência plena Na forma de uma musa de pele morena, Coração de menina, alma de Mulher bela... (Alexandre Tambelli® - 2003 - para Carla - presente do dia do seu aniversário) A VERDADE DESTE AMOR À Carla Agora as desventuras do passado Contornam montes, vales e campinas E descobrem Jardim vero e encantado Feito de margaridas e boninas... Pudera nunca ter sido viajante E desde o nascimento este Jardim Abrigasse morada no meu instante Perfumando esta vida que há em mim... Teria desde sempre conhecido O que chamam por ai: felicidade E não precisaria sofrer por anos. Teria desde sempre concebido No ventre de minh'alma: esta verdade Pelo infinito amor dos soberanos... (Alexandre Tambelli® - 2003) NOITE! ACORDADA PARA A VIDA! À Carla Noite! Acordada para a VIDA! Aprendemos a ser na madrugada Noite! Palco duma história permitida: O espetáculo das almas apaixonadas Hoje! É sol em nossas vidas Não existe claro nem escuro (Todas as sensações e vontades são permitidas...) Hoje! Contemplamos o amor eterno e puro... Existe o tempo exato do encontro de duas almas - Nada é por acaso - "Deus escreve certo por linhas tortas" Deus abre diversas portas: (Até encontrarmos a porta onde vive a palma...) - Palma - A flor da fecundidade Nesta porta que Deus abriu Floresce um Jardim Um Jardim em que cada flor É um pedacinho de alegria Em que cada flor É um pedacinho de almas que sorriem... Este Jardim é feito de palmas Também de rosas vermelhas E mesmo que seja NOITE Ele floresce... Porque o SOL que o aquece É o SOL da mais bela flor O SOL da flor do amor... - Rosa vermelha - A flor que perfuma Que inebria Que enlouquece Que mais se assemelha ao amor... (Alexandre Tambelli® - 2003) ENCONTRO À Carla A janela pro céu abriu E bela estrela brilhou... Menininho então sorriu E lá de cima ela olhou... Devolveu-lhe seu sorriso Num gesto do coração E com todo este improviso Compuseram Oração... Hosana Divino e eterno Ecoando pelo Infinito Quanto foi belo e superno Fortuito encontro bonito... Hoje nas asas do céu Estrela e seu anjo-menino Soltos ao vento vão ao léu Voando sem ter um destino... Em meio ao desconhecido Desfraldam inusitado No escondido e desprendido Desejo de quem é amado... E sem amarras e medos Desbravam doces prazeres com entrelaçar dos dedos Numa eterna união dos seres... (Alexandre Tambelli® - 2003) Poema para o anti-amor Desculpa-me! Se sou desmedido aprendiz do mensageiro amor que bem o contradiz; Ridículo me dou ao bem que ele prediz e escuto seu clamor que por bem ele diz: - Acredite no amor! (Alexandre Tambelli® - 2003) A FOTO POR SOBRE A TELA Há uma excitação tal que me fomenta A libido e desponta pela mente Vontade de escrever sobre um ambiente Na qual o corpo é tão só ferramenta. Olho com sagacidade opaca foto De uma cena pornô que me alimenta! Por sobre a escura tela o corpo imoto Que da forma primeva muito ausenta Jogado em cena! Poses concentradas Pro prazer dos sentidos dos tarados De plantão que excitados põem de lado Quaisquer pudores; normas encontradas, -- Na visão religiosa do pecado -- Que aqui nesta hora H restam gozados! (Alexandre Tambelli® - 2003) O POEMA, O POETA E O LEITOR... No poema, ter cuidado na expressão, Elimina poder, quase seguro, Do desacato tal, que repressão Ao dito, traz pro Ser um rito escuro. Pesas cada pensar que constitui Teu íntimo desabafo... Oração posta Pro que desejas ser clara resposta Das tuas descobertas. Não derrui Teu poema se calculas cada escolha Vocabular... agradas sim... pessoa Que com disposição lê tua folha... Poeta! Procuras ser lúcido ourives Para cambalear entre o que ressoa Tolerante ao leitor e o que tu vives. (Alexandre Tambelli® - 2003) NO CAMINHO DAS FLORES À Carla Flores exalarão a harmonia áurea Num homem em repleta alteração. Da angélica o aflorar da inspiração... A sensibilidade da centáurea... Do nenúfar o aberto e o puro peito... A singeleza n’alma do Rei lírio... Da papoula o fantástico e o delírio... A luz da reflexão do amor-perfeito... Do alecrim a vital recordação... A força natural do lírio agreste... Da margarida a volta da inocência... Do girassol pequeno a adoração... A livre renascença do cipreste... Da rosa o amor refeito pra experiência... (Alexandre Tambelli® - 2003) ATRIZ PORNÔ Só queria sentar e conversar Com você que me faz argumentar: Quem? O quê? fê-la assim alimentar Afã do corpo nu. Tergiversar Por meandros que beleza se adultera... Quem reteve da sua primavera O desabrochar lindo do casal? A volúpia num Ser que a faz total? Mulher do gozo público! O que pensa Do romântico encontro da paixão? Do singelo prazer do coração Daquele homem que a vê e nunca dispensa Preocupar humanista: sabe amar? Crendo que a flor-amor pode florar... (Alexandre Tambelli® - 2003) QUANDO RIO ENCONTRA O MAR À Carla Por seco chão corria certo rio... Que levava viajante solitário Por um outro caminho (imaginário)... Um poeta era barqueiro em desvario. Cria que retirante sobre leito Acharia resposta para Vida... Fardo, açoite, negrume, despedida Marcaram sua sina neste estreito E meandrado percurso envelhecido. Cacto, cruz, cardo, seca, praguejar Foram bens no viver anoitecido. Tempo, água, nardo, corpo, desejar Adulteram passado... Amanhecido Quando rio do sonho encontra o mar... (Alexandre Tambelli® - 2003) A SERVIÇO DE DEUS... Guardei este tempo no santuário d'alma... Silenciosamente e santificado... Para ser pelo Pai purificado... No dia em que minhas mãos DEUS espalma... Sei que Tu ouves meus apelos e Chamas por mim... Na hora exata d’eu abandonar aglomerado... Para que cada poema, do agora, seja condecorado Num estágio alado rodeado por querubins... Sou apenas Tua Voz em mãos santificadas... Aqui sendo elevadas e ramificadas... Em duas estradas de mão única... A estrada que cobre-me na tua túnica E poetizo-me por Ti... E a estrada da vida... Que do teu manto protetor faz-me tua lida... (Alexandre Tambelli® - 2003) ALAMBIQUE DO AMOR À Carla Esta água que se escorre contínua e tranqüila Pelos meandros do rio rumo ao nosso mar... Água que nossa sede satisfaz... Destila No alambique interior a bebida do amar... Água que faz por química sua inebriar Nosso casal perdido... Que se aloja e exila No ébrio afã dum amor - a vê-lo cambalear Saboroso, nos goles quentes da tequila... Água que nos transporta pro embriagado suor De corpos transpirando tequilas de amor... Juntando calorias bêbadas pra saciar... Água que nossos corpos aquece e nos lava Qualquer impura célula que enveredava No veio da razão, hoje embriagada do amar... (Alexandre Tambelli® - 2003) QUE AMOR É A TAL DA SAUDADE? À Carla Que Amor é a tal da saudade? Esta força forte e estranha Que domina-nos tão quieta Sem dar trégua ao coração... Este suspiro apertado Quase despejando a lágrima Machucada do silêncio... Que Amor é a tal da saudade? Um contratempo da Vida? Um sonoro eco da noite? (Alexandre Tambelli® - 2003) EVOCAÇÕES DO SILÊNCIO À Carla Calam-se devotas velas Em chamas sendo apagadas No anonimato da noite De um barqueiro só, no mar... Içam-se remotas velas Que Chamas nas madrugadas Do amante sem ter limite Onde parar velejar... Silencia-se o fogo! Azul Imenso no escuro oceano -- Metáfora da saudade -- Evola-se o fogo! Sul Pólo avançando no plano Sentimental que me invade... (Alexandre Tambelli® - 2003) ONDE ANDAS SAUDADE? À Carla Onde andas minha saudade? Que continente roubou-te? Onde descansas agora Que não te posso apalpá-la? Saudade amada virás À trazer-me liberdade? Estou num rio sem rota... Onde andas minha saudade? Teu final toque molhou-me... E dele ainda vivo a Vida! (Alexandre Tambelli® - 2003) VIDAS REGRESSAS À Carla Que retorno segues Homem... Que silencias a voz d'alma E deixa-a tão só futuro, Quem sabe, se no futuro... Vidas regressas terás? Estás aqui docilmente Poetizando tua saudade... Estás calmamente dando Voz ao que é tão só silêncio... Por que chamas a saudade? (Alexandre Tambelli® - 2003) VOLTA À Carla Volta transparente luz... Volta a rebrilhar em voz... Volta a soletrar o amor... Volta pra dizer: Eu Te Amo... Volta incandescente chama... Volta a aquecer a saudade... Volta a enriquecer o sonho... Volta pra contar que Me Ama... (Alexandre Tambelli® - 2003) POR ONDE VOAS AGORA? À Carla Eu calo-me no silêncio Dessa tua voz escondida Em um espaço qualquer Desse teu dia distante. Onde silenciaste riso Tão constante e tão contínuo Desse rosto namorado? Onde foste se esconder Nestas horas mudas anjo? Onde pousaste tuas asas? (Alexandre Tambelli® - 2003) EU TE AMO!!!!! Ainda vê-se o finalizar da tarde Na paisagem feia da cidade grande. Um último pássaro faz alarde Mesmo que outros, o silenciar, comande. Virá nela o abandono da luz A descolorir a penugem cinzenta Do céu, que poluído, ainda reluz Na grande cidade barulhenta. Na cadência sistemática da troca Um observador atento à cena Desenha em uma tela o que se desloca Para o escuro da noite serena. Há um trocar das estações... (Da percepção, aos olhos, sensível Para as secretas revelações De um mundo imprevisível.) Um aquietar começa a agir Na sensação visual, logo, dormente; O quadro passa também a interagir Com os delírios que o pintor sente. A saudade substitui, aos poucos, o grito Na cidade grande; na cena se introduz, Em um supremo e profundo rito, A lembrança da mulher que o seduz. Mistura-se a sombra, a vaga idéia, O delírio, o toque no ar, a quase noite, O perfume perdido de uma azaléia, A alma que só alumia o açoite. De repente: os dois cenários pintados terminam... Desenhando uma outra paisagem, Que real e inconsciente determinam Como fiel ao que quis imaginária viagem. Tanto que ao findar da inspiração Sem querer uma forma realça-se com beleza; Sem querer, no quadro, provoca transformação. Da bagunça das imagens, surge a realeza. -- Na forma de um vulto belo se agiganta. -- Sem querer "Eu" que sou este pintor a chamo. Em um grito de força e magia tanta Sem querer declamo: Eu Te Amo!!!!! E o escuro na grande cidade já faz-se pleno: No silêncio do pássaro; no quadro, agora, sem luz. E o delírio imaginário torna-se terreno: Nesse vulto que à miragem bela me conduz... A VOZ DA POESIA Lar da brisa terrestre que conflui Em uma mesma esfera circular Quem deixar comprimir-se no calor Duma energia quente pra emoções... Lar da vivência interna que almas flui Em um mesmo canal a poetizar Sentires de alegria, amor ou dor Duma forma a tocar nos corações... Lar das mãos que entrelaçam Luz humana Em comunhão da rosa perfumada Sublimando e inebriando os que tocados São por vozes de acordes tão alados Como o do uirapuru que na afinada Sinfonia da voz: poesia emana... (Alexandre Tambelli® - 2003) NO REGAÇO DO AMOR À Carla Este amor seu regaço apresentou-me; Em um Céu de sonhos explosivos Que vieram espocar luzes muito alvas Em meu corpo, espírito, em minha alma. Nas exclusivas luzes encenou-me Uma peça teatral com ares vivos Nascidos no palpável chão que, salvas De gozos, celebradas são, com palmas. Este amor, seu sublime, humanizou-me. No corpo o gozo vibra em som audível E a essência do prazer é a realidade. Tanto é vero que o Sol sintonizou-me No corpo: luz sensível e visível Quando a Senhora Lua é claridade. (Alexandre Tambelli® - 2003) ACADEMIAS Existimos nós poetas pelas láureas? Somos condecorados na vã fama? Esqueçamo-nos jus da bela chama Das amantes palavras de asas áureas? Queremos ser magníficas centáureas Ou agrademo-nos ser pisada grama Da contínua labuta em prol da trama Diversa, do rebanho sem que láureas Provem sentir, validem todas vozes D'alma?! Por que castelos acadêmicos? Clubes para comprar auto-elogios? Por que tornar poesias os atrozes Meios de autopromoção? Vírus endêmicos Que na soberba alastram seus estios? (Alexandre Tambelli® - 2003) QUE DEIXEM-ME SER POETA! Desenvolvo o argumento do sossego, Das limitações minhas pra seguir Utilizando a via que me afluir Ao rumo do sujeito com seu emprego. Será o trabalho d'alma desemprego? Quem cala e pensa vive de fingir? Não posso poetizar? Estou a mentir Que ajo? Só no labor diário é que chego A ser um respeitado e bom sujeito? Qual a minha importância sendo poeta? Devo ser como máquina ou robô Que produz tudo igual e sem defeito; Sem pensar, questionar o que me veta Neste real que a poesia nos roubou? (Alexandre Tambelli® - 2003) SEXO AMANTE À Carla Meu corpo nu desprende-se da forma Aguçando prazer pra fazer sexo; Na geografia impudica e sem norma toco-o, excito-me, giro sem ter nexo Tarado por sugar o suprimento De meu tesão avivado na silhueta De outro corpo molhado e tão sedento Que rebola, sussurra, faz careta; Atraímo-nos... Dois ávidos prazeres Em colisão de suores delirantes Que só os amantes gozam porque chamam Nas suas peles os fogos dos quereres Simultâneos de sexo penetrante Que brota pleno de êxtase nos que amam... (Alexandre Tambelli® - 2003) A PROCURA A impossibilidade da vitória Não subirá no tempo percorrido Se Tu, por brio, Poeta! ver corrido Cada longe sonhado ser história... Toda simples palavra da memória Extraída ou gesto vivo transcorrido Neste percurso poético ocorrido Mostrará, com Amor, tua trajetória Poeta! e cambiarás Vida de teu grito. Mas, saibas: pra Poesia te invadir E transformá-lo crias calculado; Exprimes teu poetar tal como rito Duma celebração; a se evadir Pelo ar tal alma pura de anjo alado. (Alexandre Tambelli® - 2004) O MEDO Tantas ânsias represa da palavra Por escutar a voz da cruz razão! Emoções vela (só) no diapasão Da lógica gelada que lei lavra! Exprime sem pulsar na rota escrava Da crítica pra ter aprovação! Envereda, pros moucos; que não crava Poema tal cicatriz do coração! A Vida não consegue compreender... Reprimido e com medo só consente Emoções após copo de cerveja. Mas, quando acorda põe tudo a perder... Pois, não quer, emoções, mostrar que sente Com temor que o opressor um dia veja. (Alexandre Tambelli® - 2004) PLÚMBEO É obrigado esse plúmbeo do meu ser. Ilude-se quem crer que aceito-o assim. Apesar da humildade não quis ter Cor que meu ser está. Foi posta em mim. Cravando-me num gelo permanente Ao dar-me só deveres no reflexo Da vida a mim ditada diariamente. Queria ser desvio! Ser sem nexo! Ser da cor do meu espírito! Não cor Imposta. Mas na lógica existente, Só cabe a nós anuir... Nosso ser deve, Por decreto de lei, aonde ele for Não procurar ter brilho. Independente Do querer. Somos única cor: neve. (Alexandre Tambelli® - 2004) MEU CAMINHO... De certo esqueço a lei facultativa Aos bons moços com índoles de herói. De certo permaneço ausente e dói Aos bons modos a mão contemplativa. De certo teço o carma da punitiva Dos bons livros do Lair que a mim destrói. De certo terso vou pois, me corrói Dos bons manuais manter a alma cativa. - E ao ser tu tão só tu do jeito teu Alijado contínuo serás... Diz Subliminar comando de todo "eu". E eu tentando ser eu o mundo prediz: - Viverás solitário e na pobreza Sem direito a gritar a tua beleza! (Alexandre Tambelli® - 2004) O TIRANO - Esquece Tu! palavra designada Pra se contemplar belo que há na Vida. - Enterra Tu! vocábulo de Saída, Bem antes de vivermos sua partida. - O placar da jornada será adverso E a poesia do termo abominável. - Jogar no time dela? Tão perverso Porque Tu que a soletra é descartável. - Eventualmente sim, a finjo ter Pro fôlego daquilo que a destrói. - Freqüentemente não, deixo-a morrer Pra não engravidar dela uma flor Que a sociedade novos sóis constrói! Todo dia o tirano mata o AMOR! (Alexandre Tambelli® - 2004) O AMOR É... À Carla O Amor é a casa do morar semeado Na nova noite do estertor surgindo. O Amor é a causa do trocar gerado No feliz dia do encenador florindo. O Amor é a trama do provar deitado Na alburna lua do esplendor fulgindo. O Amor é a chama do gozar crestado No forte sol do encantador sorrindo. O Amor é a escura sensação de voar Na última luz sem pôr os pés para o ar. O Amor é a pura percepção de ecoar No interno céu voz da pessoa amada. O Amor é a jura do refrão clamada No eterno verso que ressoa o Amar... (Alexandre Tambelli® - 2004) O BARQUEIRO E SUA DEUSA À Carla O barqueiro veleja no rio em tranqüila paisagem com flora e com fauna bonita sem hora pra chegar sem parar sem desvio No ritmado assovio das águas desce vale na rota do mar Passageiro do puro e fraco ar nas manhãs e nas noites de fráguas Segue o ritmo do Deus-Natureza encontrando harmonia paz luz que ao interior coração lhe conduz Na chegada à marina no oceano d'alma vê por debaixo do pano pura deusa tão cheia de beleza Da mistura ficção realidade se permite sonhar bela flor e produz no horizonte ao redor a mais linda e visível beldade Natural e fantástica flor perfumada e nascida do amor (Alexandre Tambelli® - 2004) A FORÇA DO AMOR É ETERNA... À Carla Tempo de azuis no céu e no infinito horizonte. Degradê de tons da natureza virgem Que resplandece na tarde dos olhos atentos. Paisagem segreda inusitado de Deus. Feito de azuis e imensidão é meu céu. Visão profunda consegue desvendar-me ao mundo. Sou segredos que habitam fonte De indecifrável e enigmática origem Neste Ser nascido da confluência dos ventos. Segredos recônditos que o adentrar em espaços meus, Inexplorados, nas montanhas intactas que estou réu, Alardeia serem belos e irmãos de sentimento profundo. A vida vai... se construindo na praia que esvoaça areia e sal Contagiando meu enigma de vida para além mim, Solucionando contratempo com choques de atritos humanos. Venço, da vista bem alta, patamar que deixa-me total, Colocando no meu caminho perfume de jasmim, fazendo-me feliz e merecedor dos meus planos. Na nova paisagem que observo em totalidade Corpo e alma não segmentam-se em partes; Confluem-se em uma só geração de fragmentos associados. O templo da vida ensina-nos a Amar quando integralidade. Conseguimos juntar os espaços com o outro em artes Desprendidas do não-perdoar nas ilhas onde somos amados. E a vida... espectro de cores azuis, caminha... surpreendendo Nossos olhos que, justificam colorido da cena, Onde só um homem e uma mulher em paixão vivendo Sabem como transformá-la em centena De belezas e dizer: - A força do Amor é eterna... (Alexandre Tambelli® - 2004) SONETO DO DESTINO INCERTO À Diva Vertem nas águas despoluídas cores Preto e vermelho... Já não seguem mais Itinerário verdadeiro em mão Calma de paz, confiança, sonho e amor. Homem tranqüilo realimenta dores Velhas e trágicas no rio (cais Sujo de sangue). - Pintas tu demão de novo opaca nestas águas flor?! - Guardaste tu aquela aquarela viva, Cheia de cores, tons, contrastes, luz?! Barqueiro segue... Despejando tinta Preta no leito antes de cor festiva; Vermelho sangue que o ferir produz No seu amor visto como bem que minta. (Alexandre Tambelli® - 2004) DITADURA DO AMOR Ditadas são as dádivas do tempo. Como sonhos repartem movimentos Do necessário afã de sentimentos Belos na via -- até com mau tempo. Meu inconsciente dissipa novos ventos Onde sempre colido acanhamentos Com necessário gozo de momentos -- Fontes que revigoram sedimentos --. Deixo-me assim, vertido ao chão pesado; À imensidão poluída; à fé falsa De que ter alguém é mais acertado Do que (só), navegar por uma balsa Onde livre e liberto do ditado Faço da minha vida própria valsa. (Alexandre Tambelli® - 2004) AMOR COERENTE Chegará manhã minha sem mudar-me Porque alguém pra me amar quer-me diverso Do que pode este (Ser) e abro de verso Em verso, com paixão, pra desnudar-me E saber quem realmente sou e o que quero Pra ver felicidade que se alia Com meu princípio! Sonho! Ideologia! -- Que conservarei intacta -- no que espero Quando, na vida, (Amor) incorporar... De que vale furtar meu nobre ideal Da sua estrada coerente com pensar? Destituir formação pra mim morar No forjado edifício, neste real, É minha identidade dispensar. (Alexandre Tambelli® - 2004) LÁGRIMA Choro lágrima cândida da dor De entregar sentimento, sem querer Mudar, quem, aqui mora, sem pudor Nem com qualquer tabu para me ter. Choro lágrima vil e tão sem cor Neste cinzento espelho do viver Posto para brilhar o (não)amor E da felicidade me conter. Choro lágrima fraca e tão sem voz Para gritar aos homens história outra Na qual felicidade vou encontrar. Choro lágrima rude e tão atroz Ao pobre coração que vive noutra Dimensão sem podê-la realizar. (Alexandre Tambelli® - 2004) AMOR DISTANTE -- Ilustre ancoradouro de uma fantasia -- Desintegra emoção, bendita pela essência, Regulando papel do dedicado artista À verdadeira face reversa do drama. Labareda de fogo acendida na trama Incendiando do corpo para alma solista Quente vontade, maior que qualquer existência, Com melodia a soar no sonho que irradia. Corpo, prazer transgride na ativa utopia Navalhando com sangue o que é para ter gozo; Idealista caminha no céu da miragem. Alma, bendita luz do bem querer e imagem Da quimera impossível, nua no perigoso Caminho que sublima amor sem que haja dia. (Alexandre Tambelli® - 2004) E ASSIM VIVER... Paulatina coerção dos meus princípios! Tentam julgar meus atos e resultados escravizando sonhos e pecados que poderiam salvar dos precipícios (solidão, isolamento, céus fictícios) este homem que só quer ver sepultados todos os cerceamentos impetrados contra todas pessoas que em seus vícios não possuem espaços pra normas rígidas e marcadas numa lei, ditada e incorporada por quem Julga a vida louvação às tiranas formas de ter sobrevivência como Rei que escraviza, enriquece e mata o amor! E assim viver... (Alexandre Tambelli® - 2004) CHORE SEMPRE! HÁ ETERNIDADE NO AMOR À Carla Não ouça a voz da razão No afã de um dado momento. Chore, molhe olhos ao vento Porém, lembre-se há paixão. Comova-se na emoção, No calor dessa hora e grite Até que última corda atrite Por não parar coração. Deixe a raiva romper plena. Sem medo das dores. Corra Além do triste calvário E lembre-se que o cinema Da vida é teu drama. Escorra Das lágrimas um sudário. O amor quando eternidade Dentro de nós é além alma. Não subtraia o sofrer da hora Pois, só ama aquele que chora. O mundo tem sua verdade. O amor: espírito e calma. (Alexandre Tambelli® - 2004) CARNAVAL NA PRAIA Mar calmo e vento siroco. Brinca de nadar menino Sorridente e sem deveres. Tenório, sol forte e a pino. Doutor bebe água de coco, Esquece dos afazeres. (Na praia, todos tem asas! Voam como livre gaivota Na liberdade do sonho.) Em quase todos se nota Prazer de queimar-se em brasas, Gozo no rosto risonho. Areia quente arde os pés, Marulho d'água refresca Calcanhar fincado ao solo. Severino peixes pesca No barquinho em seu convés, Mãe banha menina ao colo. Vendedores de espetinho, Pastel, cerva, raspadinha, Chapéus, cangas, caipirinha Disputam espaço na praia Com turistas na gandaia. Tudo, tudo espremidinho. Mulheres com maiôs pequenos Desfilam tal passarela, Deitam de costas pro sol. Homens de sunga olham bela Loira de gestos amenos Com seus óculos de sol. E no transcorrer da tarde Praia lotada esvazia. Ficam somente: boleiros E poeta que faz poesia Vendo a maré sem alarde Balouçar nobres veleiros. (Alexandre Tambelli® - 2004) A EXCITAÇÃO DA MÚSICA QUE ME DEVORA... A excitação da música que me devora... Sobre balada triste prazer me adultera; Na loucura que ensaia doses de quimera No impensado tratado fantástico da hora. Lei desregrada, livre, que vem como aurora Nascendo toda vez que o Sol se desespera E esquenta corpo frágil e nele adultera Razão, dado, vendido e vai à desforra. Um lúdico passeio por cada delírio... Pecado o ato? Ou prazer? Desfaz-se moral? Não! É nas bordas, nos vãos que a vida tem razão! E quem malucamente deixa-se gozar Desconstrói a mesmice de ter de dosar Atos pra Deus salvá-lo como puro lírio... (Alexandre Tambelli® - 2004) NA PRESENÇA DO AMOR... À Carla Ela veio em surdina; sem alarde e rindo. Num domingo surgiu e foi se acomodando. Sem ver, em confidências, fui me incorporando Ao seu mundo e ela ao meu. Fomos nos entrosando E de repente: Amor foi brotando... Florindo Nosso caminho escuro, do Sol descansado, Por falta de alegria e de sonho jorrado. A vida transformou-se... Um jardim perfumando Cada gesto, palavra e ato no cotidiano De nós dois; (Elevados ao sublime plano, Acima da razão, no cume da emoção...) E hoje, habitantes somos de uma nova vida Construída na suprema glória de uma lida Na qual trabalha o Amor com mãos do coração... (Alexandre Tambelli® - 2004) NAMORADA À Carla Namorada eterniza o amor que ponho Em prática e com fé em iluminado Sopro de santo salmo apaixonado. Namorada poetisa o que disponho De mais rico e vivo arrebatado Da alma que vem na folha inusitado. Namorada improvisa o que proponho Em cada estrofe criada em consagrado Ritmo em métrica em rima e tão sagrado. Namorada idealiza o que componho De mais belo e vero despertado Da emoção que zem paira no encantado. Namorada realiza o amor que sonho Em poética e com vida em ensinado Solo de sóbrio som sendo encenado. (Alexandre Tambelli® - 2004) ESCRAVISADAS QUIMERAS É apertado demais bradar este meu grito! Na garganta entalado por ser sonhador. Parece-me o viver que possuo contrito Desejo de crer numa religião sem dor... Cobro, na escura face que sempre anoitece, Dos anjos, o efetuar com saciação gostosa Na realidade que hoje, escravista, me tece Apenas, numa teia de aranha venenosa... Mas, que pecado existe dentro em meu ser Que nada do que peço vem como ousaria? Eu nem sei se posso pedir pra algo ter... Sou apenas alguém sempre no anoitecer De todo e qualquer sonho que não gostaria De sobreviver nesta prisão a morrer... (Alexandre Tambelli® - 2004) PENSAMENTO E AÇÃO Repetir silêncio do vazio apertado pela dor dum coração sem a vida além dele ter é justo calvário para este sonhador? Só sendo cordeiro poderei, neste mundo, viver? Não é possível gritar, ninguém me ouve! (Só existe quem diz mas não pratica entre aqueles teóricos que certo dia houve por parte de mim espelho de conduta ética?!) Viverei (eu), enclausurado numa ilha deserta, rodeado de grandes discursadores das belas Utopias, caladas, em meio aos dissabores dos Capitalistas? Ou ainda temos alguém que desperta de dentro de si coragem de conciliar Pensamento e ação em tudo que ousa realizar? (Alexandre Tambelli® - 2004) ONDE ESTÃO OS MARXISTAS? Onde estão os homens da Filosofia Marxista que desfilaram de vermelho na passarela do Mundo? Onde estão as vozes contrárias ao mundo Capitalista que lutaram por uma realidade igualitária para todos do mundo? Onde deixaram seus ideais? No poder? No carro do ano? No celular último modelo? No cartão de crédito? Onde deixaram seus sinais? No livro do sebo? Num cano por onde deixaram escapar lágrimas com crédito? Onde vivem meus heróis marxistas? Curvaram-se ao posto? Calaram-se em meio ao fácil da vida compromissada das pessoas que sabem que para sobreviver é preciso posto? Onde vivem meus heróis revolucionários? Viraram Ecologistas? Pacifistas? Individualistas? Consumistas? Egoístas? Ou nada? Onde vivem? Tantos conheci e hoje perderam-se de vista. (Alexandre Tambelli® - 2004) DEBOCHAM DE MIM... Eu serei apenas um boa vida que clama liberdade? Um vagabundo que vive dizendo coisas de amor! Enquanto riem de maneira vil e muito covarde d’eu dizer que ainda verei desabrochar minha flor? Eu serei apenas um louco e sem o mínimo pudor de dizer besteiras para as pessoas que na realidade não foram educadas para ouvir meu clamor e que os poucos que me dominam riem com sagacidade? Eu serei apenas uma marionete, um títere, um fantoche fazendo a voz do boneco que é a minha própria imagem sendo vista como uma ficção de teatro infantil? Eu serei eternamente um sujeito que é pro deboche uma das armas mais eficazes para rirem com coragem das idéias que prego na busca de um Mundo menos inútil? (Alexandre Tambelli® - 2004) PARA UMA MULHER DOENTE Quando o silêncio te ocultar problema com toda grave impedição de ser explicitado numa aberta fala nunca dos meandros, coração afaste, terás perdido a intimidade tua. Ocultar voz e no calar dizer, com entranhados movimentos d'alma, satisfaz bem; quando da dor em fuga queres distância. Quando partes quieta pra tua terra animas tua luta; se vives forte, na coragem, vences qualquer barreira natural de seres; Procrias célula Mãe duma luz que revigora o mais trágico hoje. Capaz te sintas e conduzas rio que corre solto pelo vale seco nesta presença não querida e viva nas profundezas deste teu Ser. Ouças batidas que te acalmam flor... Que te declamam pela fé da luz suprema e fiel que enfermidade acaba... Vai! Batalha! Luta! Briga! Sempre... Vences se brigas contigo hoje e sempre... Se não afrouxas e nem pranto tens... Haver é: efêmero na Terra mas, haver é: eterno no futuro Teu... És imortal... Dentro da Vida: barco em direção dum grande oceano azul... Pra tua doença a solução: viver a Vida ao longe da aflição terrena... (Alexandre Tambelli® - 2004) ARCO-ÍRIS À Carla Este será simplório soneto de amor. Um pequeno improviso do rosto que ri Ternamente por ti que, em mim, torna-se flor Encantada e imortal do sonho que pari. Anjo, que sobre o arco-íris, luz, plena de cor, Movimenta libertas asas aqui e ali Ondeante pelo céu e, por onde você for Movimenta-me junto pois, eu renasci. E ao renascer em mim tal qual felicidade -- Universal -- que abrange corpo, coração, Alma, espírito, sonho... Vejo a mocidade Novamente bater, forte, no meu caminho Juntando todas luzes que por refração Obrigaram, no tempo..., o amor andar sozinho. (Alexandre Tambelli® - 2004) CAPITALISMO Há um certo fantasma que nos ronda, só, Nas trevas e nos trevos escuros da noite, Alimentando egoísmo e dividindo pó Na atroz escuridão do seu Mundo de açoite. Escravizando sonho, entrincheirado em nó Rígido e comprimido pra doer sem limite, Somos desse avejão prisioneiros sem dó, Feitos pra sofrimento que alegria evite. Um fantasma sem voz que subliminarmente Age, dentro da entranha mais, mais, mais recôndita. Sem notar, sem pedir nos aprisiona a mente Em caminho coercivo e com falsa benesse. Somos robotizados e vemos desdita Cada justa quimera da nossa alma, e messe. (Alexandre Tambelli® - 2004) EM OUTRO MAR... Poderia na rua estar agora Dividindo minha arte; em troca disso Assistiria troupe de mambembes Com peça do seu teatro do improviso. Trocaria poesia, por sorriso, Gerado pelos palhaços zambembes Que alegram crianças, velhos -- cheios de viço... --; (Sem saber do relógio que dita a hora!) Declamaria poemas com magia Nos versos -- na doçura que é amar... --; Mágico da cartola tiraria Rosas vermelhas para as entregar Às atentas meninas -- na alegria De levar nossos sonhos a outro mar... --. (Alexandre Tambelli® - 2004) QUARTO DO POETA À Carla Atmosfera -- na escura luz nos chama A tela que destoa do sombrio; A parede que é branca numa trama De móveis velhos, novos, em perfil De pequeno escritório, a todos clama A pensar, um tal poeta, aqui, com brio, A poesia de vida sua declama; De uma maneira própria: em desvario. O silêncio, constante neste ambiente, Deflagra a solidão deste escritor No seu refúgio duplo e muito ausente. O poema nasce só, causa mor: dor Que queima sem parar interiormente Como prova da ausência do seu amor. (Alexandre Tambelli® - 2004) QUARTO DO POETA II À Carla Atmosfera -- nublado segue o dia, Não revela na tarde o sol e o quente; A tela com mais luz que a cercania, Chama de novo a mim, em mim, n’ausente. Os móveis marrons, beges, que esquecia Enquanto a noite havia ocultamente Duplicado visões de nostalgia Continuam aqui expostos sombriamente. O poema, coincidente com cenário, Não me tergiversa para a ilusão De que a vida queria ser contrário. E o sol distante luz, e dá a razão: Espaço; que quimera, em solitário Ser, não queima não onde há solidão. (Alexandre Tambelli® - 2004) QUARTO DO POETA III À Carla Atmosfera -- o sol fraco felizmente Avança pelo vidro e invade a tela. A claridade luz continuamente E agora mescla o quente e o que me gela. O poema, rememora inconseqüente Quimera, abandonada por ser bela Demais para ser sonho tão somente, E levar-me o sol, deixo, da janela Posicionada sobre minhas costas. A poesia acontece noutro ambiente Com ventos, flores, pássaros e encostas. O mar bate agitado em rocha dormente, Acorda sonolento corpo, e respostas Ao duplo ser, retiram-no do ausente. (Alexandre Tambelli® - 2004) AMOR VIRTUAL -- Dois mundos antagônicos, não livres. -- Vagas virtualidade no queimado E no gelado (só); entre declives, Aclives, planos, fé e impenetrado... Calmamente no cérebro, onde vives, Cores crema: borralho congelado E papoula queimada... Nós, ourives A lapidar quimeras sem traçado... Mortos no cavalgar das ilusões Fictícias, em um teatro posto em prática. -- Dois mundos sem ideais: fogos, fusões. -- O que queima e o que gela é nula tática Dos impulsos de gozo em corações Que desejam vivência, mesmo estática. (Alexandre Tambelli® - 2004) NAS MÃOS DE DEUS... Vai ser a tarde, navegada de sonho e utopia... Contagiando imaginação em bela poesia Sendo enveredada ao cais pleno do Amor... Este poeta, alimentado de Ti, Deus, expõe Teu Clamor... Pedes-me desta nossa Vida, sem destino certo, um tempo, Para ser traduzida em palavras vindas do vento... E, sem notar, contabilizo verso atrás de verso Em minhas mãos abençoadas pelo Teu Universo... Segredo maior que, esta nossa Vida, não possui resposta, Sendo remédio para viver, poeta, como Gostas, Iluminado pela inspiração de Ti, Santo e Puro Deus; Alvoroçando meu coração poético onde, agora, Vives, entre dedos meus... A tarde, veleja, entre temporal interior e chuva forte Coincidindo fé, natureza, desnudar e rota para Teu Norte Onde, ao chegar na Tua constante partida, segredos são: Revelações de uma Vida que, para Ti, só tem coração... De que vale ilusório da matéria plena de efemeridade? Liberdade caduca, no “mundo” das coisas, sem Tua Verdade? Homem-Poeta, adulto nos seus pretéritos, presentes e futuros, Enxerga, ao despossuir-se da temporalidade, seus escuros... Um Mundo novo reabre na sinfonia das ondas do mar... E este navegador, no agora, pertencente ao Mundo do além-mar Cambaleia entre mistério e sua decodificação plena, Muito além, desta passagem do oceano terreno que, eleva-se à luz serena Da Vida Eterna... (Alexandre Tambelli® - 2004) RAPAZ APAIXONADO À Carla Nesta tarde principia Por entre o jardim em flor Certo cheiro que irradia No vento aroma d’amor Pairando em meio à praça Inspira vida e quimera O odor da rosa com graça Que embeleza a primavera Rapaz fica alucinado Cheira o perfume a vagar Pelo céu de apaixonado Tendo a chuva a lhe molhar Esse breve temporal Apressa o arrebol na tarde Dando ao dia seu final Numa pressa num alarde Rapaz colhe então a rosa A tremer a delirar Sai da praça em polvorosa A girar girar girar No bailado da paixão Corre corre na calçada Sem valer-se da razão Corre ao palácio d’amada Chega menino e cheiroso No castelo da realeza Onde o espera mui formoso Anjo amado da beleza Dá um grito quase forte Que nasce do fundo d’alma Dizendo: - Eu tenho sorte Tenho um amor que me acalma Ao vê-la sobre a janela Com sorriso de alegria Revive na noite bela Suspiros de nostalgia Aberto portão trancado Sai nua e beija faceira Botão da rosa fechado Que desabrocha-se inteira No palácio agora a sós Segredos irrevelados Guardarão de todos nós Quaisquer prazeres trocados E todo leitor curioso Da imaginação parceiro Idealiza bem zeloso Esse amor tão verdadeiro (Alexandre Tambelli® - 2004) DIANTE DO AMOR VIRTUAL Sou apenas interior diante do amor! Por idear relação na abstrata viagem... Por sentir imortal o que é passagem... Por recrear coração n'assídua dor... Sou apenas fingidor diante do amor! Por enganar verão na aberta estiagem... Por mentir natural o que é miragem... Por falsear floração n'ausente flor... Mas flor virtual esvai por ser ar... Por ser feita de sonho e necessário... Por ser flor apanhada na teoria... E o amor que conseguimos cimentar Desabrocha só em céu imaginário Desenhado na mente em fantasia... (Alexandre Tambelli® - 2004) FALANDO DE POESIA ESCREVER Escrever é um estado d’alma Em que na mão uma energia mestra Vinda do fundo do coração Resolve sair de dentro de nós E no papel abrigar a sua emoção. (Alexandre Tambelli ® - 2000) A PALAVRA É VERDADE A palavra, companheira das jornadas, é verdade. Mesmo na sua maior mentira, é verdade. Cabe ao homem escolher o seu significado Dando ao evento da fala um certo resultado. A palavra, em nós instrumento, é necessidade. Mesmo no seu menor prazer, ao dize-la, é dito que entoa. Não existe homem, que na sua fala, não ressoa Um sentimento no ouvinte do seu universo. - Total torna-se a palavra em prosa ou verso. - Ela, a palavra, afirma um pensamento; com responsabilidade Devemos ousar dize-la... - O homem tem essa liberdade... - A palavra, acompanha os vivos - acompanha seus interiores, Acompanha suas vozes, acompanha suas ações, acompanha seus amores - E não existe ser dotado da capacidade da fala que não a pratique. A palavra, traiçoeira quando mentimos, é igual alambique, Pode dar safra boa ou má de vinho; e há quem fique Bêbado ou moderadamente, com ela, lúcido... Tudo depende do como o Ser foi concebido... (Alexandre Tambelli ® - 2001) TALVEZ EU SEJA MESMO POETA Talvez a minha poesia caminhe sozinha dentro das minhas próprias mãos. Como cometa passe queimando o meu leito de sangue e nas horas outras burile a minha existência para contá-la. Talvez a minha poesia navegue nas profundezas de meu mar e eleve-me de meu rio escondido jorrando ao mundo meu ser. (Secreta e inofensiva existência para os corações pouco afeitos aos sentimentos puros.) Talvez meu abstrato tenha de real uma força tamanha que surpreenda o sensível leitor. Sua força deva constituir-se da necessidade de expelir meu vulcão interior repleto de amor. Talvez eu seja mesmo poeta... Um eu-lírico em plena manifestação do sublime e da inexplicável força que impele-me a gritar através da poesia a necessidade de viver! (Alexandre Tambelli ® - 2001) O QUE É O POETA ? Plácido outeiro no azul. Neblina e sombra escondidas Na escuridão dos meus sonhos. No imprevisível e estranho Soa o eco do grito calado. Quem sou? Será quem o poeta que habita o além mim? (Alexandre Tambelli ® - 2001) APRENDIZAGEM Ando continente do inabitável, - Portal da sagrada e única expressão. - Onde vaga ser jamais estimável Por sua profundíssima incompreensão. - Verão acontecendo no vilarejo. - - Quente a madrugada. - Na trajetória Contraio deste mundo que nunca vejo Ardência que faz da minha história Verso aceso à luz pela profundeza Sombria do saber na sua mor grandeza. (Alexandre Tambelli ® - 2001) CRIAÇÃO POÉTICA EM MIM Sobem fluídos d'alma pro cérebro numa agitação espontânea e inesperada. Fluem pelas corredeiras das veias que cobrem meu corpo e estes impulsos dão-me sinal de que sou agora fusão de desejo e inspiração... Contínuo despertar a dialogar comigo sobre o mais efêmero, o mais prodigioso, o mais absoluto, a mais liberta das vocações que pode em mim ser notada. E é sem nenhum desperdício que altaneiro e sem respirar eu ecôo numa alucinante e desabalada corrida contra as teclas o meu mais grandioso e efêmero dom: poetizar como se fosse eu uma alucinação... (Alexandre Tambelli ® - 2002) VIAGEM ASTRAL Anseia ser o sonho real que a doida alucinação não quer saber de evitar. E os momentos desta loucura sofre como nunca sabendo-os apenas faces da ilusão. Correm as horas deste corpo que estranhamente sublima sua alma e que agora está a levitar... Numa súbita desprendida num universo inexplicável aos olhos nus torna-se na sua viagem astral união do espírito e d'alma em fusão... (Alexandre Tambelli ® - 2002) VISÃO ALUCINÓGENA Andarilho das tenras noites de ilusões palpáveis... Qual o teu destino nestas horas de indefinição concreta? Você que tantas noites alimenta a ilusão de “ser” possível já deu-se conta de que tocar não se faz com a palavra secreta? A vida causa estrondo nestas horas de maior devaneio e o louco no seu martírio ou no seu delírio acredita que tudo na vida -- visão alucinógena -- possa ser luz concreta... Mas esta luz é apenas mancha na escuridão que clareia o sonho enquanto ele puder ser necessário pra quimera da vida fantástica em que vive sem receios e dúvidas o “ser” poeta... (Alexandre Tambelli ® - 2002) A VERDADEIRA ESSÊNCIA A primeira chama de inspiração anunciou o menino no rol dos poetas do futuro Cantou na quase prosa a sua primeira vontade de amar Celebrou o prodígio do coração ingênuo e puro Que aflorou a sua inocência no poema proseado no seu cantar Hoje, poeta, amplia espectro de idéias, quer ser universal, diferente, E, senhor de si, perde transparência. Segunda chama de inspiração, de exigente, Fica refém de conhecimentos e perde, por vontade, a verdadeira essência. (Alexandre Tambelli ® - 2002) POESIA: MINHA DEMÊNCIA Escrevo a crônica do amor irrealizável. Advém ela do certo improvável. Quão extrema e admirável. Coloco no papel o inexorável. Vida tu és inacreditável. E eu poeta, na noite, habitável. Hoje eu crio a idéia maior e não o concreto. Deixo o desejo ereto. Advogo em favor do objeto. Malogro a todos e me veto. Desenho, o absurdo, com o que poeto. Escrevo a crônica do amor inconsistente. Um inspirado e constante aparente. Com certeza envolvente. Na necessidade que tergiversa a mente. Como um encantador de serpente. Vago, alucinado, como um homem vidente. Hoje eu crio a idéia maior e não a existência. No infinito de minha aparência. Na plenitude de minha ciência. No eterno de minha dependência. Na poesia, eu vivo, minha demência. (Alexandre Tambelli ® - 2001) SONETO PARA UM LEITOR - Um soneto abre o sentir do escritor - Nos caminhos do coração se alenta; - Sua verdade - E emoção dali apresenta; - Embrenhar sorrateiro no leitor - Um soneto que vem elaborado Sem ritmo de verso heróico ou sáfico. Porém satisfeito com ele fico E no meu Olimpo está condecorado. Um soneto perfeitamente aliado De uma procura pra lá de admirável - O Amor - O que o tornaria louvável. Um soneto no qual terminam liado, Poeta e sensível, mas comum leitor, Não possui aval do crítico e editor. (Alexandre Tambelli ® - 2001) LIBERDADE DE CRIAÇÃO Eu quero desenvolver minha própria literatura Sem os mecanismos do sucesso imediato; Sem o aparato das luzes da mídia que lhe faz o fato; Sem ser do grupo que se fecha ditando a cultura. Eu quero vivenciar minha liberdade de criação Sem o fácil que não abre a cabeça do leitor; Sem o difícil que se gaba alguém de ser feitor; Sem infiltrar na obra o banal para ter aceitação. Eu quero dividir minha cultura com o povo Sem olhar de cima do palanque e junto dele criá-la; Sem precisar ceder ao editor que irei sujeitá-la; Sem deixar de extrair da vida vivida o novo. Eu quero desenvolver minha própria literatura Sem precisar fazer o recorte-colagem tradicional; Sem realizar intertexto ou citação nominal; Com o cuidado de pôr em prática boa CULTURA. (Alexandre Tambelli ® - 2002) O TEMPO HÁ DE SER OUTRO Lá vem o censor de plantão ditar a regra certa Que devo obedecer se quero ser poeta... Lá vai o livrinho de regras dizendo um alerta: - Siga estes preceitos poeta para alcançares a meta. E muitos sem questionar seguem o corolário das regras E quando olhamos estão aceitos pela academia. E outros questionando não seguem as páginas negras E vivem no anonimato como a poesia temia. O tempo há de ser outro um dia... Numa ventania Em todas as direções com as diferenças aceitas Por todas as correntes e vivas em qualquer cercania. Será o tempo da liberdade de opinião e crença E tudo que for bem feito nas artes serão eleitas Nobrezas de uma Cultura que vive na diferença. (Alexandre Tambelli ® - 2002) NA ÉTICA DO AMOR PENSADO E EXECUTADO Eu falo de Amor na minha poesia com simplicidade Sem o pudor de ter comigo a pecha de ser inventor. Eu falo do Amor que sinto na minha vida sem ser o ator Que camufla o drama para ser visto com notoriedade. Não! Eu não sou o repressor da minha emoção. Deixo-a descoberta para o leitor sentir comigo Toda a minha dor, alegria, o que dá-me abrigo No espaço e tempo de minha geração. Falo das desventuras que tive e tenho sem temor Porque só quero da minha vida o que apraz Meu coração que não sabe ser contrariado. Faço do Amor a armadura contra tudo que for Nos meus ideais a forma de não encontrar a paz Que almejo para sentir na vida que sou sempre honrado. (Alexandre Tambelli ® - 2002) CULTURA E DIVERSIDADE PARA TODOS Atravesso a linha da História desviando do prumo Porque quero o direito de seguir meu próprio rumo Sem tornar-me radical e dono de alguma verdade. Quero apenas o direito de viver a minha realidade. Meus fatos quero que sejam entendidos como meus; Como atitudes minhas e que quem julga-os é Deus. Eu aceito a crítica educada e com intuito de crescer Porque estou na vida para ouvir, mudar ou permanecer. Que todos aceitem os fatos de todos, com suas Histórias, Vivenciadas segundo seus planos na lucidez do conhecimento. Que a educação liberte os oprimidos e dêem-lhes fomento Para questionar a realidade e serem vivos seus ideais Sem que esta situação elevem-lhes às falsas Glórias Como alguns "ditos" doutos da Academia nos dias atuais. (Alexandre Tambelli ® - 2002) MEU POEMA DESNUDA-ME - Um último suspiro do bardo por agora - Aparentemente o último poema que escreverei Porque a lágrima já me implora Para que eu descanse do cenário que criei. Sairei agora das teclas brancas para a luz da sala E este recado guardarei comigo... Conselheiro De tudo o que jamais em mim se cala E transborda na poesia, no verso verdadeiro... Só falei da emoção que tateia minha alma Porque desejo avidamente descrever a realidade... E agora cheiro a palma, símbolo de fecundidade... Minha última estrofe sai bem calma Quase parando meu sentimento Nobre Que sempre desnuda-me da dor que me cobre... (Alexandre Tambelli ® - 2002) DO POEMA FAZIA-SE O RISO O poema com audácia vinha ao mundo, Da taciturnidade abria a altiva alma; Súbita inspiração que num segundo Conduzia o poeta para escritos d’alma; Que quando terminava sua obra em verso, Pelo poema escorria seu coração, Viva a poesia desnuava seu reverso E emergia nas palavras sua paixão. E pra senda seguia o amante canto, Revivia no leitor todo aquele estro Digno de um verdadeiro e nobre maestro; Que o Triste que leu o poema emitia o encanto, Capaz de promover dum improviso, No rosto que foi triste: alvo sorriso. (Alexandre Tambelli ® - 2002) SEMPRE COM PROFUNDO AMOR De onde brota o poema livre Que a correnteza interior vai levando Para vida na forma de versos? Qual a nascente das águas puras Que a calma vazão do rio d’alma Vai arrastando de encontro ao agitado mar na poesia? Eleito sou! Deus carrega-me no leito Que navega do alto da montanha virgem Até o vale profundo já erodido e humano. Sou poeta! Nasço no Oriente e rumo Para o Poente chegando na noite... Atravessando os meandros da existência... Deus deu-me a incumbência de alegrar O espírito dos navegantes deste mar Intranqüilo dos homens da guerra. Sobrevivo solitário no meu corguinho Que velejo na calmaria das intenções, Na paz do meu quarto e nos bons sonhos. E divido minha rota com as pessoas Que oriento os seus corações Com um poema que fala da VIDA SEMPRE COM PROFUNDOAMOR!! (Alexandre Tambelli ® - 2002) FALANDO COM DEUS A VOZ DE DEUS Ouço um primogênito clamor falar Sobre meu verdadeiro significado. Meu coração é um ouvido a se calar No murmúrio santo que é em mim purificado. Ouço Deus a me declamar puro E sábio que ainda me depuro Para o grande sinal do amor em mim. Ouço o Pai a me dizer enfim: Vá ao caminho da inocência e pureza. - Esta filho é a tua sublime natureza. (Alexandre Tambelli ® - 2000) SALVAÇÃO Ouço a voz que chama Para a salvação. Distante brado, louvação De um céu que proclama: Existe um Deus superior. Procuro o caminho, Do meu interior. Procuro a chama do amor Que reveste este clamor. Sou um andarilhozinho Que voa como pena Na leveza do ar. Procuro o promotor da Vida. A incontestável cena Que faça-me acreditar No todo sempre. Sou perdida Alma, querendo ser mais que matéria. Estou em busca do espírito. Santo remédio para viajar Pela imaginação e velejar Pelo obscuro segredo da Vida. Sou como uma pluma No ar a te procurar. (Alexandre Tambelli ® - 2000) SOMENTE DEUS Somente Deus sabe aonde podemos atracar o nosso coração. Somente Deus cabe na nossa vontade de oração. Somente Deus abre toda e qualquer estrada do amanhã. Somente Deus descobre a nossa dor e nos traz a alegria logo de manhã. Somente Deus cobre o nosso frio quando estamos no relento. Somente Deus sobra no dia em que perdermos o pensamento. Somente Deus acaba com todo o nosso tormento. Somente Deus encobre as nossas falhas por contentamento. Somente Deus absorve os nossos problemas para seguros irmos. Somente Deus desaba todos os nossos medos e temores para seguirmos. Somente Deus redescobre a nossa vida quando ela está desorientada. Somente Deus refaz a nossa alma triste quando ela está apaixonada. Somente Deus... Pai Supremo e nosso Guia pode iluminar o nosso caminho e mostrar a estrada da salvação e do amor terreno e eterno! Pai bom... Protegei-nos. (Alexandre Tambelli ® - 2001) CADA POEMA É UMA ETERNA PARTIDA... Talvez! Talvez o tempo dirá o porquê do meu completo abandono; Da solitária História deste Homem que nasceu e vive como Poeta. Talvez! Talvez na erma escuridão da madrugada de qualquer outono Uma Luz chamará a mim para viver além deste Ser mensageiro do Profeta. Talvez! Talvez a necessidade da palavra avance ao mar e perca-se solitária - No infinito horizonte - sem voltar mais ao porto donde ela sobrevive. Talvez! Talvez eu perca a inspiração um dia e seja minha voz diária Sem o silêncio poético da alma que na ilusão da Vida e da Paz vive. Talvez! Talvez eu encontre a minha resposta num poema e possa mudar. O prumo da existência é além das fronteiras d'alma ou lá que é pleno? Talvez! Talvez eu ainda tenha para Deus uma missão de este mundo desnudar. Aonde chegarei ao ser pensamento, imaginação, sonho e não terreno? Talvez! Talvez alguma sobrevivência maior soará meu destino incerto E eu apresentarei a mim mesmo num tempo futuro minha própria identidade. Talvez! Talvez meu poema de agora exista por ser semente dum mundo aberto E que eu somente habitarei quando atravessar o limite desta realidade. De certo mesmo, apenas posso dizer que coube à mim o destino de ser como Poeta E certamente eu o acolhi desde que descobri ser eu mensageiro da Vida, Dum Deus inexplicável aos olhos! Mas certamente em mim Vivo como Profeta; Desenhando a realidade que traçou eu TER e SER na minha Eterna Partida... (Alexandre Tambelli ® - 2003) O HOMEM MATERIAL DE HOJE À Maria Antonia Ferrari Quando menino fui, braços juntados Sempre inocentementes, na pureza, Rezaram Oração, hoje, esquecida No egoísmo de pensar-me forte só! Relembro eco esquecido, como pó, Das palavras dum Pai-Nosso, na vida Largadas pela fé que na certeza Das pedras do concreto há reinados! Hoje, de rei tornei-me um insensível Ao poder da Oração. Na desconfiança Da Eterna Salvação fiz-me um inverno, No efêmero do ter; fiz-me um inferno, Sem Fé, sem Luz, sem Prece, sem Ser Criança Que sempre faz possível o Invisível... (Alexandre Tambelli ® - 2003) FALANDO DO HOMEM A ESTRADA Tento perceber o meu caminho, O destino de cada passo que dou E vejo-me praticamente sozinho. Sou um pacato e calmo andarilho. Nas entranhas da busca vou. Leve canto sem fama. Um ofuscado brilho. E na minha estrada desconhecida Navego. Na indefinição do que sou E na busca profunda de encontrar a Vida. (Alexandre Tambelli ® - 1996) EU QUERO AMOR O que vem a ser Deus? Eu procuro a resposta do destino. Sou virgem, anjo, menino. Quais sonhos são e não são meus? Por que só estou? Se tenho boas intenções. Que estágio da vida está destinado à mim? Quero ir além de uma bela poesia viva. Eu preciso trocar as minhas canções Por um toque, um belo sorriso, um sim. Por um amor vivo que a tudo sobreviva. (Alexandre Tambelli ® - 2000) EGOÍSMO Eu ainda vivo muito o “eu” e não o outro. Um egoísmo meu. Não vejo-me noutro Lugar além de mim. Não vou além do meu corpo nu. Não sei conjugar o pronome pessoal na Segunda pessoa do singular, tu. Eu tenho bons preceitos e boas atitudes Mas estas inebriam almas, como os alaúdes. São postais belos, mas habitam apenas as intenções. Não há em mim, arriscadas batalhas pelo que quero, transposições. Vivo na felicidade? Será que é sincero, válido, ser feliz só? Tenho a esperança sempre, o pensar positivo, mas vivo no pó. Faíscas, fagulhas, pontas de areia, moléculas, células e uma imensa dó. Choro sem sofrer, sem reclamar, sem afinco no lutar, sem desatar o nó Que me amarra em mim. Sou eu quem crio esta minha materialidade Ao não afastar o medo, o egoísmo e a fácil desculpa de que esta é a minha verdade. (Alexandre Tambelli ® - 2000) EU Acordei do cansaço vivo Que povoa parte posterior. Meu corpo é estranha caricatura De um movimento sem resposta. Sou enfermo. Poderoso segredo Que não tira a inspiração. Sou impelido a desvendar-me Como desvenda-se uma charada. E a noite, parece dia. Misto de cansaço e falta de sono. Sou indefinição. Sou obra Inacabada da natureza que me concebeu. (Alexandre Tambelli ® - 1996) QUAL A MINHA MISSÃO ? Clausura, prisão, medo. Temor da certeza, Covardia de uma cordialidade com a indefinição. Cortes do ritmo, do ciclo da calmaria. Fotografias para a imensidão do futuro. Eventuais desvios rumo ao meu encontro. Fim da aventura fatal da genialidade dos castradores. Rompi o desvio e sigo o caminho Na busca de conhecer meu objetivo na vida que brotou de meus pais. (Alexandre Tambelli ® - 1996) AR QUENTE Não é à-toa que olhos vertem lágrimas. Toda a sensibilidade do abandono, do buscar Remete ao coração e provoca sonhos. Sou emotivo demais dentro de mim, frágil Como o ar quente; acanhado, não derrubo a folha E sereno vou, sem a Vida do meu lado. (Alexandre Tambelli ® - 1996) APENAS POETA Recordar é a sina do homem medroso. É relembrar a possibilidade perdida E viver de sonhos infindáveis. Poetizo, pois, sou este poderoso Medo que deixa a ferida Cicatrizar sem atos palpáveis. Morre o amor antes da oblação. Vai ele rumo ao anonimato. E até a poesia perde identidade. É assim. Quem não vive de ação Passa as noites num campeonato Com a mente, disputando a realidade (perdida). (Alexandre Tambelli ® - 1996) SOU CALMARIA Eu vi na minha vida O tempo passando. Eu vi cada desejo se dissipando Com o mal tempo. A tempestade perdida Em um ato, em outro contratempo. E da magia das gotas d’água Apenas vi, uma ponta de mágoa. Por que não vivi? Se tive todo caminho. Por que o sol eu não vi? Porque sou a fortaleza secreta Que do sonho, livre e sozinho Prefere a calmaria, simples e discreta. (Alexandre Tambelli ® - 1999) NESTE DIA DO ANO Falo de uma madrugada Quase raiar do dia, Quase findar de uma categoria Feita pela órbita delegada. Vai-se a noite, e o dia Na proximidade do branco Nascerá e virá rebeldia. Sangria aqui não estanco. É tempo de sonhos mil. É tudo muito inverossímil... Promessas vazias e irrealizáveis. Somos seres imutáveis, Pois, a fantasia é apenas alegoria... Vivo em meio à rebeldia. (Alexandre Tambelli ® - 1996) O MEU DIA Silencioso mundo em que vivo. Cidade grande, esconderijo. Sou liberto da velocidade, preso a redoma do dinheiro. E a poesia acompanha o ritmo lento de cada passada. Do entrar para dentro de mim, do isolamento que quero e não quero. A quase noite, é o meu sinal. Início do silêncio e da vida. Vivo intensamente este momento No sonho de reviver o que não existe. O que me deixa prosseguir: a poesia. (Alexandre Tambelli ® - 1996) O HOMEM COMUM Ainda não posso colorir meu céu De sonhos reais e floridos. Sou apenas um pobre réu Do sistema. Feridos Em nossa sociedade São muitos. Sou idade Mas não realidade. Ainda não posso passar de intenção; Vivo preso em uma detenção. Livre de grades reais, mas soldado De um exército de inválidos; fadado Ao abandono, ao descaso. Vivo por ser vida; acaso Que me fez ser. Não sou um caso Desvendado, pronto para ser cidadão livre E liberto das amarras dos que inclusive Preferem viver em meio ao medo, do que me libertar. "A sociedade cria os seus próprios padrões." (Alexandre Tambelli ® - 1997) PENSAR DIVERSO NA SOCIEDADE DE HOJE Monótono os dias deste alguém à mercê do sistema... Calado o coração dói sem ser voz no descampado... A vida reclusa eleva-se ao sonho de todo poema E sem a razão concreta como aliada fico desocupado... Sentimento dual... Entre o querer e o poder oferecido... Canto na contramão da possibilidade e sem platéia... Sou o poeta impedido de viver e em casa esquecido E a poesia só dialoga com minha própria idéia... Meu soneto que esquece a regra do Alexandrino Solta-se no papel, arredio, e sem ouvintes se reprime Mesmo que não possa ter em vida seu destino... A sociedade escolheu-me refém e solitário Porque vê a liberdade de opinião e ação crime Inafiançável e relegado ao calabouço diário... (Alexandre Tambelli ® - 2002) À BEIRA DO PRECIPÍCIO Fico em pé à beira do precipício mais profundo que existe n’alma, olhando-o de frente. -- Na corredeira veloz querendo empurrar-me precipício à baixo -- Seguro, com as mãos no alto e para trás, o único galho do único tronco que ainda sobrevive e dá-me sinal das utopias no interior escuro. Escuto, continuamente, violenta coerção que diz-me: - Mergulha! Enfias tua cara para bater na profundidade do nada e vejas como todo destino, em mim, eu encaixo. É a sociedade atual que quer sugar-me e diz-me: - Ao abandono de todas as falsas utopias terás sucesso. E eu? Quebro o galho que me segura e mergulho de cara nesta “impositora” sociedade atual? O real chama-me e é necessário ir, sei disto! Todavia, devo segui-lo sem questionar esta “impositora” sociedade atual? Ou ainda é possível vivê-lo na duplicidade: utopias realizáveis e palpável? (Alexandre Tambelli ® - 2002) NA LINHA DO TEMPO Vem o tempo. Prisioneiro carrega-me No seu andar. Sou dicionário e escravo. Sou obrigação e ontem. Sou imóvel no tempo Que carrega-me Pelo ar. Sou cada palavra e avaro Na mesquinhez dos que me contém. Sou Eu e não sou possibilidade. (Alexandre Tambelli ® - 1998) NESTE MUNDO Sou incompreendido. Um ser perdido E prendido Em meio a este mundo. Meu mundo, um submundo Escondido Nas profundezas do mar. Sou uma onda agitada, Desabitada e abatida. Sou a procura do meu formar. (Alexandre Tambelli ® - 1998) RECOMEÇO Não creio no amanhã Meu hoje é nulo E meu passado nunca existiu. Não quero o amanhã Meu hoje é vazio E meu passado era o nada. Só quero viver na ilusão De que a ausência Seja a minha luz. E assim despossuído de mim Cavalgar no indefinível E ser enfim: anônimo. (Alexandre Tambelli ® - 1998) CHEGUEI NO ÚLTIMO OUTONO Cheguei no último outono. Na virada das folhas. No secar dos frutos. No esconder do sol. Contra tudo e todos. Na mais impensada época. Cheguei sem ser momento. Sem o calor da noite, sem a lua. Sou contra o destino. Sou um menino ainda. Sou coberto de fantasia. Escondia-me do frio. Hoje, ele me acolhe. Obrigado pelo inusitado. Pelo impensado espelho que abre-se para mim. Sou apenas a feição de alguém feliz. Sou aparentemente contra a correnteza. Sou felicidade! (Alexandre Tambelli ® - 1999) OUTONOS FRUTIFICAM-SE ÀS VIDAS DO POETA [Outonos frutificam-se nas estradas] - Margeadas por árvores em abandono florescendo - Pecado de seduzir-se ao fruto atual-proibido faz Poeta deliciar-se das bordas... Afastar-se do ditado rumo de constantes chegadas... Atrair-se pelo gosto da fruta amadurecendo nos pés que balançam aos ventos da libido... Jogar-se na natureza-viva em serpentes-cordas... Salvar-se do sistema ao sabor da maçã... Destituir-se de qualquer retilínea e sã atitude da ordem estabelecida no rumo... Caminhos-desvios abrem-se ao léu do prumo da razão - sustentáculo do estabelecido - Poeta desafio aceita por ser movido - pelo esquecido - E suas VIDAS produzem-se do atual-proibido, porém coerentes, poetizadas, saciadas e felizes! (Alexandre Tambelli ® - 2003) O EX XIITA Com o tempo aprendi a aceitar. Da luta para a conversa. Do ódio para a compreensão. Da guerra para a paz. (Alexandre Tambelli ® - 1996) SOLIDARIEDADE Um homem pode tudo Se o tudo for todo Bem e sem egoísmo. Um homem pode sobretudo Lutar contra todo Adverso maniqueísmo. Construir um mundo novo Passa por uma doação Ao outro, como um povo Que quer apenas coração. Pois, de nada vale ter O nome de rei, o poder do dinheiro Se o verdadeiro ser Estiver escondido no desfiladeiro Da alma perdida. (Alexandre Tambelli ® - 1997) CONTRA A PENA DE MORTE Um elogio a vida. Um eu-lírico estático A pensar no perdão. Um erro - padrão - Julgo estético Da sociedade trazida. Qual a moção Da lei para votar Pela execução? Qual a noção De sentimento, de notar A possibilidade de sempre haver mutação? (Alexandre Tambelli ® - 1998) ODE À SIMPLICIDADE (ODE TO SIMPLICITY) Ser simples como a música que toca N'alma ao primeiro acorde entronizar! Eis a ODE acolhedora que provoca No corpóreo Ser - imortalizar! - A descoberta máxima da VIDA É o total desapego material! - Efêmero dos tempos de perdida Batalha procurando o que é mortal! - Levaremos o quê? - Corpo desfaz... - Uma arca plena d'ouro ou nossa Messe De Amor Doação Alegria Simplicidade? Tesouros maiores hão que Ser bom Paz Justiça social Prece Liberdade Ser parte voz de tudo que acontece? (Alexandre Tambelli ® - 2003) RETIRANTE Apenas uma estrela carregarei comigo Nos meus passos de viajante Para iluminar meu pobre abrigo Feito de simples trajes de retirante! Levarei comigo essa estrela Para que na vida modesta Eu possa, à luz do céu, tê-la E saber que a vida ela me empresta! E ao chegar no meu destino Devolverei a quem lhe é dono Seu brilho e eu feliz menino Dormirei o justo sono! Sonharei então com o mendigo Que bêbado e alegre, ri Mesmo sem ter um abrigo Pois eu não o acolhi! E saberei que ser modesto É o que há de mais belo E que todo o resto Apenas faz um castelo... Um castelo de arreia... (Alexandre Tambelli ® - 2002) FELICIDADE O campônio - à tardinha - colhia rosas, Miosótis e jasmins na natureza E na estradícola ele e as aves iam Até seu lar na vila pobrezinha. Na porta, quatro filhas carinhosas E a mulher - sol na pele, na beleza Camponesa - sorrindo, o esperavam Para juntos entrarem na casinha. Três pequeninos cômodos: cozinha, Quarto e sala. Seis vidas cheias de amar Possuíam singelos rostos de alegria. Modesta alvenaria, uma paz sustinha... Harmonia de humildes em um lar Feito de afeto, fé e amor à Maria. (Alexandre Tambelli ® - 2002) QUEM POR ÚLTIMO RI MELHOR RI Um menino sorriu certo dia Na alegria do singelo brincar... Um rapaz não sorri neste dia; Na tristeza não sabe brincar. Um ancião sorrirá certo dia Emergindo a alegria de brincar... E então a Terra de novo abrirá Um fraterno sorriso igual dia Em que aquele menino sorriu Na alegria do singelo brincar... (Alexandre Tambelli ® - 2002) A POÉTICA DA VIDA À Paulo Freire Chora a partitura quebrada Da composição complexa e inacabada. Silêncio em boas partes da música. Lamento do poeta que perde sua guia. Estou perplexo e circunflexo Em meio ao meu interior Tentando encontrar a ética. Noite, obscuro é fantasia inacabada. Vejo a luz celebrada. Olho o horizonte da física Gravitando sua incansável energia. Estou aqui, buscando seu reflexo Para tornar vivo, o superior Princípio de toda uma poética. * Este poema foi escrito no dia da morte do professor “Paulo Freire”. (Alexandre Tambelli ® - 1997) CANTANDO O AMANHÃ Não quero pra mim Dos bens materiais Que neste mundo Fingem-nos prazer... Eu quero isto sim! Pequenos sinais De dentro oriundos Que o Amor quer reger... São notas harmônicas Da bondade entoadas Pra dar emoção... Canções filarmônicas Que são orquestradas Com muita devoção... E esta melodia Entoada em meus versos Chocará o insensível E abrirá em seu dia Amplos universos Feito de invisível AINDA, - sonhos poéticos - Desta alma - proféticos! - Até o dia concreto Do que agora, lúcido, POETO! (Alexandre Tambelli ® - 2002) LIBERTÁRIO VERÃO! Lentamente corroem nosso Ser Numa imperceptível jogada Dos que querem derrotar-nos. Um Sistema quer aprisionar-nos Numa cela invisível e pregada No inconsciente sem se ver. Somos escravizados e amargurados Pela lógica excludente... Em que o diverso é cerceado. Imprensa branca (policial desarmado) Impressões de um Mundo decadente Vemos ser dogmas idolatrados. E a Sociedade, inerte na alienação Faz o jogo da mercadoria ilusão Que vende-se no shopping center. E Eu, meus gritos - que são nossos -, ficamos sem ter Vozes para ecoar; na reclusão Obrigados por uma Elite sem coração! E o Mundo assiste atônito e triste A cada conflito de terror Fazendo-se crer que a culpa é do Bin Laden. Mas, a chama em mim - por nós - persiste E mesmo em meio ao horror Uma Luz faz com que meus sonhos - que são nossos - não se acovardem! E eu sei que um dia Longe da ganância do Poder E da materialidade do Sistema Toda e qualquer rebeldia Terá direito de conceber A felicidade fraterna para além do poema. E os pensamentos contrários conviverão Numa Sociedade com respeito Às idéias aliadas à justiça, Em que tudo o que - por nós - me atiça Agora escrever, no poema, que pulsa meu peito Far-se-á um Libertário Verão! (Alexandre Tambelli ® - 2002) FALANDO D’AMOR PARA QUEM QUISER AMAR Alargue teus horizontes para suportar os mais adversos percalços da estrada! Sonhar o Amor prisioneiro de uma só emoção é cultuar o nada! Quem prossegue sempre pelo caminho das flores desabrocha sempre, recicla os sentimentos e transpõe a vida da dor para amores! Amar são sonhos diversos sendo confluídos no mesmo ramo da árvore que cresce, brota e semeia rosas de várias cores! Amar é o infinito em plena individualidade e em pleno exercício do compartilhar com o ser amado! Quem ama não sustenta o medo, a inveja, o martírio, e as estrelas no seu caminho alumiam eternamente céu iluminado! Amar é combater a dor interior, dividir a alegria e ser linda flor! Amar é ser eternamente alegre, festivo e numa simples tarde de um dia qualquer fazer brotar do fundo d'alma linda e apaixonada poesia de amor! (Alexandre Tambelli ® - 2002) SONETO DA VITÓRIA NO AMOR Pra trabalharmos na vitória o amor Fica obrigado cultivarmos confiança; Honesto nós atuarmos, mor aliança, Pra justa, a lida, receber da flor. Quem ama planta pela estrada o amor, Põe-no no fundo d’alma e em fé o reedita. Quem ama apanha só bom grão e interdita Os desvios trágicos do drama e a dor. Quem ama grande torna cada entrega Quando o jardim que na sua vida rega Sulca canteiro e aflora em pé a verdade. Pra agir o amor como luz, chão e oferenda - Do coração - que no labor aprenda A implementar, sinceridade e idade. (Alexandre Tambelli ® - 2002) O AMOR E A NOITE Conversou a Noite com o amigo Amor Em um cenário sem a Luz e a Lua. Confessou a Noite, ao Amigo, imensa dor Por negra ser e escurecer a rua. No desabafo confidência ousou: - Nunca em meu céu o Esplendor da vida raiou. E o Amor então um justo anexim ditou: - Foi sempre assim pois você nunca amou! - Quem ama, amiga, a noite traz consigo Porque não há beleza maior que o luar Pleno de luz para o Esplendor da vida. - Quem ama, amiga, a noite faz de abrigo Porque lá brilha a mais suprema lida [ A amiga Estrela ] – resplendor do amar! (Alexandre Tambelli ® - 2001) O AMOR COMPLETO O amor não necessita de escombros; Pesos colocados nos ombros Do parceiro da obra a se construir. O amor edifica-se primeiro em nós Quando nosso equilíbrio interior ruir A depressão e a insegurança, nossos nós. Estar resolvido como ente Permite-nos a entrega ausente De qualquer necessidade de exigir. O amor então torna-se doação livre, amar, Felicidade plena, liberdade não vigiada, clamar De anjos; a água do céu a nos aspergir. Tudo desprendido, sem posse, sem alma gêmea. Tentação viva, deleite, macho e fêmea Se acariciando tão somente por querer. Assim é a sábia razão de quem ama. Apenas luz, brilho, chama. E enfim na cama O êxtase não é dever. Apenas o gozo eterno de prazer. (Alexandre Tambelli ® - 2000) A ÍNTIMA GUERRA INTERIOR Tenho nos olhos lágrima escondida... Quase a deslizar nos meandros do rosto... Ela busca transbordar a emoção reprimida Para ser chafariz ao mundo posto... Estou sozinho e preciso chorar A incontida solidão que no hoje silencia-me Na noite igual cidade pós-guerra... Porém, quem verá lágrima a latejar No coração que denuncia-me Eu viver em plena harmonia com os escombros da desabitada terra? (Alexandre Tambelli ® - 2002) QUEM AMA ATÉ A SOMBRA... Talvez seja calar incomensurável palpitar Galopante desabalado do coração Ávido por ver amor/paixão crepitar Nas sendas sublimes e sagradas da emoção... Que me leva a suspirar inatingível Colecionando utopia do imponderável Destronar da fantasia no que é sensível Em meio ao mundo que é palpável... Quem sabe mais da ilusão do que eu? Quem ama até a sombra que nunca aconteceu Pode ser feliz um momento do trajeto? Ou será sempre fragmento estilhaçado? Vejo-me constantemente despedaçado E as favas como lixo meu sonho vira dejeto.... (Alexandre Tambelli ® - 2002) LACÔNICOS ESTRUMES... Partir! Como vamos se não dizemos adeus? Quem colecionou o verso da eternidade Não soube que a falsidade é obra de um falso deus? Eu acreditei piamente na nossa felicidade... Hoje sou um excremento de um homem metido a poeta? Meu diletante vernáculo de palavras coesas, Coerentes e científicas que cria imagem reta Pode ser destroçado pela ausência de sobremesas? Escrevo o versículo da Geografia ou das Letras? Quem segue a cartilha dos meus ideais faraônicos? Entôo partituras que confluem para cores sempre pretas... Onde meus efêmeros sempre supostos são vaga-lumes Que acendem e apagam luzes em tons lacônicos Da descoberta que sonhos sem chão são esmagados estrumes... (Alexandre Tambelli ® - 2002) À CONTRALUZ DO SONHO DE AMOR * À Márcia Eduarda Mesmo que a estrela da vida agigante-se no céu ao lado Eu sou apenas mágico cavaleiro num Corcel alado Sonhando voar no perfeito do momento imperfeito Como no encanto de fábula que traz o mundo sem defeito... Eu vou na flutuante caravana que corre ao léu Pelos ventos da vertigem do ar criado no invisível E no meu quimérico momento um inexistente véu Desnuda-se puro e na poesia consegue ser possível... É noite na minha vaga memória do Amor esquecido Que viveu aqui em mim e hoje é um cristal esmaecido No seu estrelado brilho em desalinho com a luz... E no material deste sonhado momento de Amor Só há na escura sala fraco aroma da esquecida flor A perfumar o ambiente, envolvido na saudade, à contraluz... *Respondendo a um poema por ela enviado. (Alexandre Tambelli ® - 2002) PRESO POR UM NÓ Lentamente penetras, canto sublimado por inspirada compositora; Soltas-te no meu pensamento e caminhas comigo; Levas-me na arquitetura de tua arte construtora Do sentimento que dás-me abrigo... Quero suspiros poéticos nesta madrugada. Preciso voar na imensidão da noite ausente de pó Pra buscar CHAMA de novo AMOR que foi de mim apagada Ao não desprender saudade que resta presa por um fio que não desata mais seu rígido nó... (Alexandre Tambelli ® - 2002) VEM CHEGANDO A PRIMAVERA * À Carmen D’ávila Onde habitará o poeta das noites sem sono? Aquele poeta que faz planos mirabolantes Bem ao estilo do mais apaixonado dos amantes... Qual será seu reino? O que se destinará a ele após o abandono Das últimas madrugadas do inverno? Já é hora do estio sair das folhas do caderno... Onde habitará o poeta quando deixar o devaneio? Numa terra consciente ou poética novamente? Qual será o destino da nascente semente? Brotar no barro ou de novo ser ilusão do floreio? Hoje o poeta espera a manhã do dia vinte um... Sabe ele que reflorirão flores no desjejum... - Tempo em que a poesia não se inspirou nas flores E veio repleta das escurecidas, intocáveis e frias imagens Feitas somente de devaneios, nublando as miragens, Murchando as mimosas, palmas e acácias e seus odores... - Sábado o poeta abrirá a próxima primavera Da sua vida... Que o ciclo da natureza gera... E mesmo assim as realidades almejadas Não saberemos se serão realizadas Pois o poeta constrói-se das idéias, quimeras e descobertas não materializadas Que pelos desejos à flor da pele, d'alma e do espírito são irraizadas Com (n(a)) sua forte, aberta e afetiva imaginação... Frutos que brotam do observador, inconformado e trágico coração... - Gerados para idealizar, compreender e declamar o Universo, O Planeta, o Corpo, a Alma, o Espírito, a Eternidade... Numa utópica, sublime e áurea realidade... - Transposta no mais puro, desnudo e absoluto verso - Germinado sorrateiramente da emoção, inspiração e transpiração sentidas E traduzido com (n(o)) Amor na busca da mais harmônica, bela e imortal das VIDAS!! - * Respondendo a um poema por ela enviado. (Alexandre Tambelli ® - 2002) SONETO DO AMOR VINDOURO Contornará o Amor o pleno infinito E mais uma vez estará descrito: - “Regresso à vida, encontrei novidade.” - Inicial e bela natividade. - Desabrocharei ao lado da pureza Conquistando novo palco: a realeza. Junto da esposa, amada e companheira, Brotarei flores, para vida inteira. E plenos de ideais mágicos e lúcidos Contornaremos nossos tempos idos, Tempos presentes, tempos vindouros De cintilantes - ROSAS - que palpáveis Nestes corações, nascerão tão amáveis, Em chão concreto, ornado por tesouros. (Alexandre Tambelli ® - 2002) EM ALGUM LUGAR DO FUTURO * À Diva A canção é a dor d'alma em forma de gente! O estrondo dos pulmões respirando o passado; A ofegante batida do coração suspirando a saudade; O esquecido AMOR que me vem, de súbito, lembrado. A canção lacrimosa e bela vem sensibilizar-me... E inerte ao seu gemido choro inebriado; Fico silencioso e adentro n'alma a escutando dizer: - Saudade é um tempo que reflete que um dia fui amado! Hoje é o outro tempo! Da revigoração das forças ocultas Que um dia ousaram viver conjuntamente com meu corpo E que neste agora estão deitadas no sono dos justos... Mas um dia com certeza todas as dores serão sepultas E num repente de felicidade a paz reinará com AMOR e TERNURA Num céu aonde os insatisfeitos desejos de hoje serão augustos... *Respondendo a um poema enviado por ela. (Alexandre Tambelli ® - 2002) DEITO-ME AGORA NO COLO DE DEUS A tempestade veio com atraso E de uma só vez inundou meu coração! Molhei-me por completo que até me resfriei! Da doentia feição pós chuva A fraqueza foi elixir Para depurar e reciclar toda a minha pele E - EU - reerguer-me para nova caminhada Ao lado do bem! Deus curou-me da imperfeita vontade Que assumi - SONHAR - existir... E hoje são! Dou-me para Deus em louvor E peço a proteção Celestial dos Anjos Para guiar-me na Vida! Eu sou um pecador arrependido Que aos teus braços - PAI - voltou! Forte de sonhos e desejos... Frágil de vitórias no até agora... Meu Deus! Comigo estás... E no teu Colo alcançarei A Vida Eterna! E no mundo dos homens Aprenderei a ser sempre: recomeço, paz, Compreensão, esperança, amor, fé, luz, Honestidade, verdade e perdão! (Alexandre Tambelli ® - 2002) FUI FIEL A POESIA Confeccionei o pensamento ao teu gosto. Os fatos fiz para compreendê-la. As palavras coloquei no teu universo. Os versos ficaram a tua imagem e semelhança. A vida projetada para nós restou como uma esperança. Foi interessante a tentativa, porém perverso Foi o resultado. Entendê-la Pensei ser apenas uma porção de pressupostos. E assim acabou. Coloquei você como um produto, Como um objeto para incentivar-me ao consumo De uma poesia que vive de elegias, elogios e não de atos. Acabou tudo, sem a chance de começar. Meu desacato Às regras do amor, fez de mim um insumo Para aumentar a solidão de quem vive num poema absoluto. (Alexandre Tambelli ® - 1997) A VIDA SEM DIALÉTICA As conjunturas desfavoráveis para nós dois. Os complementos perdidos no caminho da vida. A reciclagem que ficou sempre para depois. O diálogo que não foi observado, a ferida. Perdemos para a ilusão do amor eterno. Sem desvios. Uma paixão aparente e romântica. Um vento que soprou sempre para a orla Atlântica, Sempre nesta direção. Ilusão de que sempre foi terno. Poupamos as discussões. Brigas, ausentes do vocabulário. Fomos em mão única, pelo eixo da solidão. Deixamos os amigos e vivemos da pura ficção. Agora tudo acabou e está perdido no passado, bem ao contrário Do planejado. Nosso amor é inóspito e numa forma patética, Pouco pode ser favorecido pela Dialética. (Alexandre Tambelli ® - 1996) QUANDO NÃO SE RESPEITA AS DIFERENÇAS Eu procuro os teus olhos esquecidos Em meio ao desaperceber dos dias. Tu em teus sentidos longínquos, em perdidas paragens, Estás distante de minha visão. Eu procuro aqueles brilhos esmaecidos Em meio ao florescer de nossas rebeldias. Tu que dantes foste célula viva, hoje só imagens, Estás daqui. És apenas imprecisão. Olho pelo passado a buscar vestígios, A buscar a razão da distância E descubro que foi tudo um grande sonho. Acreditar em teorias! Ideologias! Fim bisonho. Foi válido naquele tempo, naquela circunstância. Hoje planto aquela solidão. Ah! Aqueles pobres litígios. (Alexandre Tambelli ® - 1996) SINCERO AMOR Eles querem a velocidade infinita. Caminham como cometa, passam e só. Vou na nau da calmaria. No mar remoto e calmo, não passo, fico. Eles prometem o amor impossível. Declamam versos iguais, passam e só. Vou nas pequenas intenções. No conquistar de cada espaço, não passo, fico. Eles enlouquecem na primeira noite. Satisfazem seus desejos sexuais, passam e só. E eu vou construindo a cena. No amor seguro e sincero, não passo, fico. (Alexandre Tambelli ® - 1995) AMIZADE DEPOIS DE TERMINAR? Elementar desata-se indizível No taciturno gesto do abandono. Posso manter, amigo, intraduzível Jogo de camarada? Não sou dono Da comiseração à quem fez sofrer Tempo espaço alma luz sem ter piedade Da intensidade atroz que fez morrer Propósito inicial: felicidade! Fabricar amizade por bondade Será justo calvário pra salvar-me? - Eu não fui pecador arrependido - Minha culpa essencial foi na verdade Plantar Poesia no solo sem podar-me Devaneio que brotou pra ser perdido. (Alexandre Tambelli ® - 2003) NO QUE CONSISTE O AMOR? O Amor compete com as dúvidas Ou somente é plena vida? O Amor intercede com a - Alegria - No momento da aprendizagem, da ação, Da inspiração, da divagação? Ou leva às constantes dúvidas? Eu e o Amor? Teoria? Prática? Poesia? Sonho? Ou tudo isto que disponho? Será que suponho Viver o eterno eternamente Numa alucinação da mente? Por que a entrega ausente De exigência? Falta de experiência? De feito palpável? Fé inabalável no que crio da mente? Sentir-me invulnerável? E o Amor? Irá propiciar Tudo o que ouso teorizar! Praticar! Poetizar! Sonhar! Na sede de Amar? Estou sedento por cada resposta Para abrir a porta E deixar transbordar a comporta Da água límpida do Amar... (Alexandre Tambelli ® - 2002) É PRECISO SENTIR SAUDADES! À Diva Eu não tinha esta liberdade de hoje, Tão silenciosa, tão livre, tão fria... Que deixa-me sem amarras e sem prestar contas! Eu não tinha esta felicidade suposta, Tão evidente, tão retilínea, tão cômoda... Que deixa-me sem saudades e sem desejos! Eu preciso ter um amor na vida! Para não morrer o coração... O Homem livre de tudo não sobrevive, Não vive a vida senão a não-ardência, a pedra! Eu preciso ter um amor na vida! Eu preciso amar e ser amado... Mais do que tudo na vida: É preciso sentir saudades! (Alexandre Tambelli ® - 2003) *”Poemas” Registrados Na Fundação BIBLIOTECA NACIONAL (Escritório de Direitos Autorais) do Ministério da Cultura. N.º Registro: 255.444 Livro: 456 Folha: 104; N.º Registro: 267.376 Livro: 480 Folha: 36; N.º Registro: 286.525 Livro: 518 Folha: 185; N.º Registro: 317.891 Livro: 581 Folha: 51; N.º Registro: 362.341 Livro: 670 Folha: 1 | ||
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