ESPELHO INVISÍVEL: PÁGINA DE “POEMAS” DO ALEXANDRE TAMBELLI


(Atualizada em 28/05/2006 - ver *)


Olá amiga e amigo leitor! Este site é um modesto espelho invisível da minha vida! Sempre elegi a escrita como aliada para desnudar o que trago dentro de minh’alma em sua constante batalha pela sobrevivência neste Mundo que não costuma abrir espaços para os sonhadores, para ideais outros, outras visões do que venha ser felicidade, vida em sociedade e amor!
Eu sou tão somente um simples escritor que, num determinado dia, a quase 15 anos atrás, deparou-se com um trabalho de paráfrase de um poema genial de Luis Fernando Veríssimo e que por esta paráfrase ter tido um resultado satisfatório, análise da minha professora, resolveu apoderar-se da escrita sempre que for necessário expressar o que está latejando aqui dentro de mim! Nestas andanças pelo itinerário da palavra acabei encontrando na Poesia parceira fiel! Muitas madrugadas de solidão, insônia, tristeza, ausência, alegria, sonho, etc. passei e ainda passo junto dela! Ouvindo som de fundo com canções tranqüilas (instrumentais), new age ou românticas (MPB) fui escrevendo simples versos que aqui estão dispostos (uma parte deles) numa seqüência um tanto aleatória e um tanto seqüencial no tempo!
Nunca considerei-me Poeta! Estes são de outra magnitude! Cultos, letrados, conhecedores dos conceitos mais sutis e complexos do fazer poético! Todavia, aventurar-me neste universo da Poética e escrever um texto, no formato de “Poema”, quando sinto ser importante é uma atitude que não me furto! Afinal, não é necessário escrever com o intuito de ser Poeta... E sim, com o intuito maior, dar-mos o melhor de nós, quando entramos em contato com a inspiração e fazemos dela companheira do constante exigir de desnudamento d’alma romântica, indignada e poética! Eu busco sempre (isto é essencial) valer-me do cuidado com o bom uso da Língua Portuguesa (na sua variante culta), pois, acredito que só os “poetas de verdade”, com o amplo domínio do idioma, são capazes de qualquer possibilidade de subvertê-la, de inovar literariamente!
A Poesia para mim é um Dom que vem de Deus! E somente alguns são escolhidos para serem Poetas! De uma certa maneira, Deus, através das mãos dos Poetas escreve o que nós necessitamos para as nossas Vidas serem eternamente desvendadas! Para as nossas Vidas terem o alimento que sacia-nos por completo nas horas de maior desespero, dor, angústia, alegria, sonho, etc.! O Poeta revela nos seus poemas um íntimo-pessoal que pode ser definido como um: ESPELHO INVISÍVEL dos momentos vividos pelos homens! Quando este Espelho Invisível o reflete torna o Poema, universal, ou seja, capaz da reflexão de situações íntimas e sociais de todos nós, emocionando e dando respostas da Vida Humana aos que são sensibilizados pela POESIA!
Por fim, eu posso dizer que a mais de seis anos, quando resolvi colocar meus poemas nesta simplória página da internet, escrevi uma definição de Poesia que até hoje mantenho viva:
A poesia é uma representação dos estados da alma. Quando escrevo uma poesia estou em contato com meus anseios, dúvidas, desejos, faltas e sonhos. Ela fortalece-me e traduz-me. A poesia faz-me abrir os segredos reclusos em meu ser e eu consigo vencer as minhas limitações. Com ela sou vida, sou capaz de transpor os meus medos, deixando transparecer a quem lê o que sou e o que penso da realidade que me cerca. Enfim, a poesia, minha companheira inseparável das horas de solidão ou de completude, faz-me...

1º Parte - “poemas” de 2004 e 2005;

* A 1ª parte “poemas”, desta atualização, pertence ao registro efetuado em outubro de 2005 refletindo bem: o momento de maior intensidade do amor em minha vida. Os “poemas” mostram o quanto amar uma mulher, como a minha amada Carla, intensifica dentro d’alma uma certeza mestra: que a força maior para sermos felizes e vencedores nesta vida tão atribulada dos dias de hoje é ter um AMOR companheiro e fiel para todo Sempre e toda Eternidade!

2º Parte - “poemas” de 2003 e 2004;

3º Parte - Falando de Poesia;

4º Parte - Falando com Deus;

5º Parte - Falando do homem;

6º Parte - Falando d’amor.

O PECADOR

Levemente dissipa o coração
Da pureza encoberto em castidade.
Foi-se no ar Serafim sem remissão
Dos pecados de ser felicidade.

Anjo puro em demônio transformado
Pela paixão em fúria arrebatada
Maculando seu casto ser alado
Que foi lá no Céu alma imaculada.

Hoje, na Terra, bebe dos prazeres
Carnais, em um cálice profano
Feito de sexo, orgias, bacanais

Com sedutoras deusas infernais.
Como demônio, queima, no tirano
País dos usurpadores dos quereres.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


O AMOR PROIBIDO

A Deusa dos meus sonhos veio aqui,
Proibida água bebeu e pecador
Acordei em minha vida sem pudor
Pra com a religião na qual nasci.

Cometi o erro de amar mulher casada
Digamos: desquitada na lei do homem,
Porém, pra sempre de outro na Divina.

E o outro que não a tem mais amada
Querem que sentimentos meus tomem

Pois, meu amor, o católico incrimina.

Obs. ...E os dois não se amam mais...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


ESPINHOS DA SAUDADE
À Carla

"Os espinhos que colhi são dá árvore que plantei."
Byron
Como dois tristes pássaros na gaiola
Postos, por terem porte majestoso,
Todo amor, prisioneiro da saudade,
Planta flor enjaulada: silencioso.

A natureza presa nos isola
Beleza do cenário mais grandioso;
No coração floresce, sem vontade,
Árvore com espinho pegajoso.

É triste o belo assim, com liberdade --
Prisioneira de grade fabricada. --
É triste o amor assim, -- nesta cidade,

Distante da vermelha e delicada
ROSA -- que desabrocha, uma saudade,
Presa e sem alegria n'alvorada.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


O TROAR DOS CIPRESTES

Hoje, no coração, porção de lágrimas
Regam novo canteiro de tristeza.
Um pequeno cipreste em fortaleza
Transforma-se... [abandono todas rimas].

A poesia escurece e chora e chora
E chora e por chorar floresta cria...
Ciprestes e ciprestes penetrando
Cada espaço que habita o coração...

A poesia murmura um eco frágil
Bem ao longe da vida que existiu
E a alma que demais ama é prisioneira

Da última trombeta da tristeza --
Tenebrosos ciprestes -- que no ausente
Troam sem destemor diante do teu amor.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


ONDE ANDAS MEU GRANDE AMOR?
À Carla
Onde andas meu grande amor?
Flor florida por quimera
Bela e perfumada em cor
Vermelha na primavera...

Onde andas meu alvo botão?
Desabrochaste sorrindo
Quando a súbita paixão
Foi nosso verão abrindo...

Onde andas meu anjinho amado?
Doces asas que pairaram
Tranqüilas no jardim criado...

Onde andas meu Céu de luz?
Lua e estrela que brilharam
Aqui! na flor que reluz...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


CORAÇÃO SOLITÁRIO
À Carla

É noite em meu coração...
A minha deusa sonhada
Está aqui em conotação
Na poesia desenhada.

O poema, somente o poema
Consegue ficar concreto.
A vida real é dilema
Com um segredo secreto.

Distante de mim a musa
É uma imagem distorcida
E sem nenhuma verdade.

Meu coração se lambuza
De lágrimas na avenida
Solitária da saudade.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


MEU DEUS! ESCREVE POR MIM...

Meu Deus! Tuas Mãos me carregam
Por sobre o branco da folha...
Os Teus fortes sopros regam
A flor que aqui se desfolha...

Cada vento que vai à-toa
Um novo ar a ser tocado...
Cada perfume que escoa
Um cheiro a ser respirado...

Cada pétala que voa
Um imo a ser revelado...
Cada assovio que soa
Um poema a ser encontrado...

Quando! Tuas Mãos me carregam -
Meu Deus! - Pelo papel branco
Meus segredos se despregam
D'alma e sangria aqui estanco.

E nesta hora estou liberto
Desnudo para o leitor
Que vê um coração aberto
E Completo do Teu Amor!
(Alexandre Tambelli® - 2004)


IDOS AMORES

Pro flamingo: Catedrais
Flanando fé inalienável
Na vitória que orquestrais
Meu Deus Santo e Inacabável.

D’Amores de Ti pra mim
No percorrer do caminho,
Perdas: cheiro do jasmim
Repousado em mim -- sozinho --.

Ave voeja vindo vento;
Pode desgarrar beleza
Que n’Amor experimento.

Pairo então -- submerso no imo --.
Vôo eu pela Natureza
(Pronto meu muro de arrimo.)

Vôo com cheiro da flor,
Com perfume da esperança...

Vôo pois, adeja o Amor...
Pois, Amor é eterna dança...

Pousos do flamingo -- ao léu --

Até Amor descer no céu!
(Alexandre Tambelli® - 2004)


FELICIDADE II

Por detrás desse manto natural
Esconde-se a brancura derradeira.
A tarde silencia seu plural
E desperta o cicio que se abeira
Nas entranhas da mata tropical
Da cidadinha pobre do Ribeira.
É término de sol com ventania
Nas bandas de Eldorado e cercania.

O caboclo traz no ombro a velha enxada;
Nos pés a direção firme e segura
Do esposo honesto e fiel à sua morada;
No tórax a risada franca e pura
Do caipira feliz, de alma encantada;
No sonho nada traz desta cultura!
Somente uma carroça pro roçado
Carregar e trocar lá no mercado.

O Peso da jornada de doze horas
Não retira do rosto fatigado
Por capinar a terra desde a aurora
O cordial cumprimento pro povoado
Em que qualquer esposa que lá mora
Espera com os filhos o pai amado
Para juntos entrarem na casinha
Que a família em amor e paz se aninha.

Vêm... O momento lúdico do afago,
Do beijo, a novidade saborosa
Trocados, até o pai dar os seus tragos
Deitado à rede enquanto, a mãe zelosa
Põe na mesa: o jantar; feito com magos
Dotes de cozinheira caprichosa
Que faz cada um, com poucos mantimentos,
Suprir necessidades de alimentos.

Jantam... Na circular e simples mesa
Montada pelas hábeis mãos do irmão
Mais velho que trabalha com destreza,
Capricho e precisão, sem profissão.
Pós, ceia fraternal, a sobremesa
Caseira: bananada com limão,
Com a fruta colhida no quintal
Ali no diminuto bananal.

E ao final desse dia familiar,
(Em que com harmonia, simples gente,
Sabe como viver, compartilhar
Todo seu diário suor: fraternalmente;)
De mãos dadas, olhos ao céu, a Orar
Agradecem a Deus, ardentemente,
Toda graça alcançada na jornada
E dormem até o raiar de outra alvorada.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


MINHA VILA

Esquecida e tranqüila, na grande cidade,
Minha vila ao esconder-se vira oásis, farol,
Brinquedo para criança, descanso pro sol;
Que em cada morador paz de interior invade.

Seis casas geminadas, três de cada lado,
Com grande área central divisada por duas
Calçadas onde, à noite, observamos as luas,
As estrelas, perdidas, sobre o emaranhado

De prédios, construções, árvores centenárias,
Fiações e frias sombras. Vila tão querida!
(Onde cantam reclusos: pássaros-coragem,

Sobrevivendo o canto natural em árias
Urbanas e a pacata interiorana vida)
Que construía no tempo e espaço a minha imagem.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


COM A FELICIDADE

Diz o filósofo: “- Felicidade
Não existe!” Penso... Ao te conhecer
A tristeza não mais vi amanhecer
Na minha vida que é pra eternidade.

Filosofo: - Há dor pra ser vivida
Em comunhão ao amor, toda a existência,
Com a sabedoria e na paciência
Que todo coração bom traz em vida.

E é uma dor transitória que com Deus,
Presente em nossa Vida, se transforma...
Na certeza do Eterno nos consola...

Pois, a felicidade nada isola,
Atrai sempre... e a dor... uma outra forma
Concebe pra amainar pesares teus...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


SONETO DO AMOR AO CÉU
À Carla

Do nosso amor Carla rebenta a rosa
que desabrocha perfumada e alegre
nos unos corpos como flor entregue
pro libertário e audaz deleite -- airosa.

Enfeitiçada de poesia e gozo
estua nua com formato aberto
no inusitado do prazer liberto
das convenções e dos tabus. Fogoso

florir do sexo com tesão completo
na elevação da rosa airosa ao céu
onde conhece seu saciar Eterno.

Florir brilhando ao sopro-sol, repleto
na saciação humana e Santa em véu
a tremular no Colo de Deus -- terno.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


ROSA FLOR DA POESIA
À Carla

De Ti inspiro Rosa!
Poesia... Do amor
Mais encantador
Que deste a mim: flor!

Vives saborosa
Junto ao perfume
Das matas. Do cume
Digo-te: - És meu lume...

Que Vida gloriosa
Tenho nas planuras
Porque em mim depuras
Do teu ar feito de auras...

Tão vertiginosa
És! Que tu me evolas
Poemas que ressoam
D'alma como loas...

E na misteriosa
E virgem entranha
De tua artimanha
Teces como a aranha

Uma laboriosa
Teia que me liga
Inteiro onde abrigas
As doces cantigas

Que na polvorosa
Alucinação
Com a inspiração
Vêm ao coração...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


Oh! Saudade Rosicler!
Oh! Lembrar aos pés d'aurora!
Oh! Saudade da mulher!
Oh! Lembrar que o poeta chora!
(Alexandre Tambelli® - 2004)


DE ONDE VEIO VOCÊ?
À Carla

De onde veio você? Que chega a mim
No silêncio da noite! Sem barulho,
Sem pedir permissão e com arrulho;
Que bem de vagarinho, faz-me assim...

De onde veio você? Que muda a paz
Do tranqüilo habitat do solitário;
Que faz da vida o sonho visionário
De que a felicidade é algo capaz...

De onde veio você? Que mora em mim
Da hora que acordo até a hora que deito;
Que assopra bons desejos que eu deleito
Com volúpia e velejo em mar sem fim...

De onde veio você? Que de perdido
Faz coração pulsar com muita força;
Que rouba meus segredos como corsa;
Que revela tesouros escondidos...

De onde veio você? Que me invade
E transforma meu corpo no desejo
Incontido do toque, gozo e beijo;
Que desvela prazeres à-vontade...

De onde veio você? Que aflora flores
Nos mamilos, no rosto, nas entranhas;
Que coloca fragrâncias e emaranha
No homem nu que descobre do Amor: cores...

De onde veio você? Que causa guerra
Contrária a escuridão trazendo dia;
Que em luta faz-se forte e a rebeldia
Do revolucionário põe por terra...

De onde veio você? Que decide
Dividir a alegria que contemplo;
Que permite noss’alma ter um Templo
Neste amanhã que o Amor em nós reside...

De onde veio você? Pergunto aqui
Pra inspiração amiga, pro teu cheiro
Que caminha no quarto por inteiro
E prova que a você não resisti...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


QUANDO DOMINGO CHEGAR...
À Carla

O último respiro da tarde
Faz-me lembrar da saudade
Que no dia escondeu-se
E na quase noite perdeu-se.

A hora escura primeva
Enfeita-se do arrebol
Até vingar a treva
Que guarda, só na memória, meu sol.

Eu sou seu na distância!
Porém, sem olhos para enxergar,
No horizonte, a refletância
Do seu corpo no mar a vagar.

Neste agora reluto em dormir
Pois, acordar será ausência
No meu sábado a seguir
Na trajetória da minha existência...

Virás no domingo novamente
E no arco-íris montada
Com a aparência de uma cadente
Estrela do iriar iluminada.

Espero-lhe e sei que sorrirei
Nesta data aonde reverei seus traços
E com ritmo acelerado correrei
Novamente, de encontro aos seus abraços.

E sei que nos faremos felizes nesta imensidão
Da paisagem que nos esconde,
Que nos provoca solidão
E que neste agora não nos responde

Aos brados de cada coração
Que unidos estão pela alma --
Em um estado de sublime Oração --
Feita de lembrança e pouca calma

No espaço que dista nós dois
Por mero capricho: o destino,
Para provações que no depois
Reviverão do passado menino

Que o nosso profundo Amor
Cultiva a cada instante
Dentro de nós como uma flor
Perfumando nossas almas errantes

No sonho supremo da Vida
De duas rubras rosas em botão
Que abrir-se-ão seguidas
Para abraçarem-se nas mãos da Paixão...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


AMOR PARA SEMPRE...
À Carla

Nas voltas do tempo
Passeando no espaço
Duas almas vagaram
Nas imensidões
Do mundo infinito
Em busca do Amor...

Muitos contratempos
Adiaram o passo
Certo e protelaram
O que os corações
Em sonho bonito
Desejam do Amor...

Mas em uma noite
Sem se perceber
Estava selado
Que pra eternidade
Caminhava o sonho
Feito com Amor...

Pois, sem mais açoite
Veio renascer
No campo gelado
A felicidade
Com Sol de tamanho
Luzir e esplendor...

E daí por diante
Novos mundos, cores,
Ambientes, paisagens
Interiores, Almas
Reluziram belas
Nos braços do Amor...

Hoje, como diamante,
Luz jardim de flores
Por entre miragens
Que com bela calma
Brotam nas janelas
Que vemos o AMOR:

(Pra sempre nascer...
Todo amanhecer...
Todo entardecer...
Todo anoitecer...
De nossos caminhos
Nunca mais sozinhos...)
(Alexandre Tambelli® - 2004)


PLANETA DESCONHECIDO
À Carla

Como posso desvelar
Planeta do nosso amor?
Alguma estrela distante
Saberia me contar?

Algum dos deuses do Céu?
Da primeva humanidade?
Do ponto central da Vida?
Do limite do Infinito?

Que segredos revelar
Pra decifrar nosso amor?
Dois errantes em constante
Viagem por novo habitar...

Dos astros acena um véu
Tremulando a liberdade
Desta entrega promovida
A um Universo bonito...

E nosso amor a velar
Em cada Sol - com clamor -
Todo ouro: feito diamante
Do fogo a nos crepitar...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


NOSSO AMOR
À Carla

O amor brilha com toda intensidade
Nos corações levados pela vida.
A estrada percorrida é claridade
Em cada escuro, beco sem a saída.

O amor converge a luz da inteligência
Pra sensibilidade dos espíritos.
A nova e bela essência tem consciência
Guiada no fluxo d'alma pra infinitos.

O amor sem material vislumbra céu
Na amplitude dos ares a pairar
Como um astro brilhante e como um mel
Que faz gesto sorrir e adocicar.

O amor da minha vida transcendente
Converge sonho e dengo pra alquimia.
A existência tão leve faz vivente
Corpos refeitos: alma e fantasia.

O amor que compartilho amadurece
O jardim da brancura e da afeição.
À primeira manhã já se floresce
Das flores e das cores da paixão.

O amor definitivo vem completo
Em plena convergência de perfumes
Que aromatizam atos com repleto
Entrelaçar de cheiros e de lumes.

O amor em nós guardado felicita
Os momentos e amigos nos compreendem.
Em paz, certeza e luzes exercita
Do saber que os mundanos não nos vendem.

Nosso amor Desconstrói qualquer lógica
Pois, não é uma equação da matemática
Nem é proposição de tautológica
Equação filosófica ou da estática.

Nosso amor é simplório na verdade
E não temos teoria, só a certeza
De que nos corações há liberdade
Capaz de transformar tudo em beleza.

Nosso Amor é por Deus Iluminado
Como um Fogo Sagrado e Superior
Pra Transcender a Vida e no Elevado
Palco da Eternidade ser AMOR...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


A PARTIDA DO AMOR

Chegou a hora de partir... Sigo em meu barco,
Descolado do porto, ao amor banido,
No País onde moro comprimido
Ao medo continuado de num charco

A mim me atolar -- só -- e não deixar marco
Do momento feliz aqui vivido.
Afundo-me no País; e já perdido
O possível ficar -- a mim -- resta: o arco

Do triunfo inalcansado traspassar...
Da fronteira infinita: os pés largar...
E do sonho mais belo a alma vergar...

Vou-me... por amplo mar desconhecido
E quem sabe no tempo -- amanhecido
Outro dia -- esta dor possa passar...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER

No momento em que um homem pode ver
Por entre suas mãos, completa flor,
Desabrochando em luz, igual viver
Primevo do bebê: vindo d’amor,

Ele torna-se um deus a colher
Seu infinito sonhar: no resplendor
Divino do saciar, a resplender,
Entre olhares da amada: em esplendor.

Todo homem que amar faz uma mulher
Constrói um coração feito pureza
Igual puro diamante natural

A lapidar com brilho rosicler
Sentimento mais nobre da beleza:
O Amor -- tornado sobrenatural.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


SOB DOMÍNIO DA SAUDADE

sob domínio da saudade
pensamento desconstrói
afável felicidade
crida e certeza corrói

quando na liberdade
da segurança se mói
por dentro prioridade
do contar coração dói

onde vai que não diz
não ouve não comunica?
qual mar é teu itinerário?

minh’alma assim não se quis!
mas n’ausência intensifica
dor no âmago solitário...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


SONHOS DO CORAÇÃO ATORMENTADO...

Quem pode, sem dizer, daqui partir
No silêncio da noite tão calado
A ponto de chorar de dor amado?

Quem pode, sem se ver, daqui sumir
Na calada da noite sem recado
Sem sinal da partida? Abandonado

Choro dor pressentida a deglutir
Sonhos em pesadelo inacabado...

Onde foste parar sem permitir
A mim comunicado, voz, recado?

Percebo falta grande a me destruir...

Sonhos do coração atormentado...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


POR NÃO SER POETA!!!!!

Por não ser poeta falo da minha vida
Sem o pudor da intimidade, da verdade,
Serem vistas no espelho invisível de mim mesmo.

Dizeres escolho sem lógica, a esmo;
Quando alguém, Superior, quer dar realidade
Para meu existir em constante partida.

Devastar minha intimidade dos segredos
Considero uma vitória coletiva
Entre o meu eu-lírico e o meu leitor.

Poesia é colidir os diversos enredos
Da vida de quem escreve na lente viva
Do ouvinte que ouve seu interior.

Por não ser poeta permito-me até ser piegas
E num repente da manhã, improvisar,
Toda a minha existência momentânea,

Sem medir o colossal livro das regras
Da Literatura convencional e ousar
A palavra AMOR de forma instantânea.

Eu sou uma fonte que jorra vida minha
Na explosão do meu rio interior, em seu oceano,
Perdido da lógica ou do ritmo dominante.

Vou por uma viela estreita que desalinha
Seus casarios e não aceito esconder-me como figurante
De um Teatro de ficção: atrás do pano.

Por não ser poeta minha escrita não é poesia;
Meu relato não tem valia literária
E seu resultado é só de quem aceitá-lo útil.

Isso não significa que quero ser uma pessoa fútil,
A dizer qualquer bobagem, sem sentir a Ária
Interior relatar-me que preciso de harmonia.

Assim nasce, meu relato próprio e humanista,
Com a força de um coração que muito ama,
Que sente a vida, forte pulsar, dentro de si;

E que ao ter a humildade de saber-se, um não artista,
Aos seus poucos leitores, talvez um ou dois, chama,
Para confessar que, foi suplicando a Deus, que este, pobre relato, escrevi...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


NOSSA PAIXÃO
À Carla

O que continuamente a ti me trazes
É o imprevisível ato da conduta
Dessa nossa paixão com tão vorazes
Desejos que nossa alma a repercuta.

Guardá-la nos profundos do céu à luta
Nas batalhas de sangue ou nos lilases
Cheiro exalando e cor sobre a disputa
Do magnífico amor em belas frases

Eis o Sagrado poema do prazer...
Nós que por força humana nos perdemos
Depois nos reencontramos a fazer

Dessa nossa paixão Eternidade
Bem sabemos das brigas que detemos
No encontro da total felicidade.
(Alexandre Tambelli® - 2005)


DO OUTRO LADO DO IR
À Carla

Lembro-me bem do inusitado agir
De uma tal moça do destino filha.
Um dia, abril, em um caminho, trilha
A mesma estrada de um tal poeta - partir

Pela fantástica poesia - até ilha
Inabitada, onde, um amor-luzir --
Sobre o farol sem ter a luz que brilha --
Quer ver nascer lá do outro lado do ir.

Na margem outra onde amar é quimera
Que se realiza junto lá se deram.
E cada ler do pensamento só

Confluindo vai pra brilhante esfera
Onde, no amor, sonho, não vira pó
Pois reluz na ilha a saciação que esperam.
(Alexandre Tambelli® - 2005)


MEUS VERSOS DE AMOR
À Carla

Sobre esta folha o verso cai adulto
No amor maduro, da confiança filho.
O verso-prosa da paixão fervilho
Nos nobres dedos deste poeta inculto.

Arde a poesia e n'alegria o vulto
Do superior poema de Deus: eu brilho,
No verso frágil do simplório trilho;
Na senda vã de um reles poeta estulto?

Não! Pois, que vale uma soberba voz
Que não pactua coração com alma?
Sou apenas verso do meu amor e atroz,

Talvez, a quem não vê a poesia-amor!
E sei que Deus faz-me humildade e calma
Pro verso-amor... Ir declamando o amor..
(Alexandre Tambelli® - 2005)


DESCOBRINDO A MIM
A Aurio Corrá

Estimativas fortes de mim mesmo
No profundo segredo deste ser.
Na escolha da beleza que sem esmo
Labuta nas pesquisas dum viver.

Meu poeta face a face com a dúvida
De que rumo adentrar no universal
Contato da alegria com a vida.
Sugar do suor e dor para ter sal

Que é secreta semente do chegar
Ao coletado sonho em anos de ir
Ao mais recôndito âmago de mim.

A música é poesia do adentrar
Na escuridão verdade do existir
Que transmite ao meu ser o por que vim.
(Alexandre Tambelli® - 2005)


MENSAGEIROS DE DEUS

Morada alucinógena da voz
Foste onde recolher da perfeição
Do cantar e da música de Deus?

Quem recebe a Divina Luz após
O transe, na melódica canção,
Pode considerar ter versos Teus?

A Poesia é tua Irmã Deus Imortal?
Como deste provento de me criar
Versos se nada sou além de ser pó?

Em plena sintonia meu portal
Num futuro abrirá teu novo raiar...

Porque Tu! Oh! Meu Deus... fez-me imortal
Ao verso Teu: poesia em vida ecoar...

E sei do meu legado passageiro:

Nesta vida ser -- eu -- teu mensageiro.
(Alexandre Tambelli® - 2005)


PULMÕES SEM RESPIRO

Vamos às mãos de Deus nos repousar
Com as fraquezas nossas que nos formam.
Estirar-nos com forças sobre seu Ar
No tranqüilo descanso dos que só oram.

Perder-nos do momento e silenciar
Nossas razões, vozes, que devoram
O âmago de nós mesmos, a anunciar
Que cessa-nos a vida quando choram

Os calados pulmões sem respiro
Do Ar protetor de Deus que é o grande Amor
A habitar dentro d'alma como flor

Desabrochando bela num suspiro
Da feliz sintonia dos amantes
Que hoje ao nada se largam -- tão distantes...
(Alexandre Tambelli® - 2005)


COMO É BONITO AMAR UMA MULHER!

Como é bonito amar uma mulher!
Doar a cada alegria um belo beijo
E na dor se deitar no rosicler
Do eterno amanhecer que dela vejo.

Eu sonho ser aquele que a ela vier
Com um buquê de rosas e um desejo
Pra vê-la suar, sorrir e lhe querer.

Se assim eu puder ser: como perfume
Que traz cheiro e inebria uma mulher

Sei que ao Amor mais bonito darei lume.
(Alexandre Tambelli® - 2005)


O AMOR É UMA BALANÇA

Habitante que sou da noite calma
Entendido da voz mais silenciosa
Que a todos os instantes cala n'alma
A vontade da fala indesejosa.

Eu estou em mim tão somente para que
Não faça de uma Vida: uma tristeza;
De momentos sublimes um porque
De lamentação e grito: sem justeza.

Somos feitos de falhas e a poesia
Da vida nunca é reta e sim -- balança --
Na vitória e derrota equilibrada.

Só acredita piamente, em fantasia
De perfeição, quem nunca sente a dança
Nesse vaivém do amor que em todos brada.
(Alexandre Tambelli® - 2005)


SAUDADE DO MEU AMOR

Lenta(mente) saudade... Na lembrança
Do momento bonito passado,
Ao conjugar do belo e da esperança,
Navegas no olhar fixo e marejado...

[Madrugada marítima que avança
No âmago da saudade...] Meu passado
Que foste visionário duma aliança
Incomparável, onde está fixado

-- Do amor -- seu mandamento infinito?
Saudade da bonança e da carícia...
Saudade da ternura e da malícia...

Saudade do que ainda é muito bonito...
Porque o agora navega solitário
Num mar sem rota e norte e itinerário...
(Alexandre Tambelli® - 2005)


PÓ(EMA) DA SAUDADE

Por que desta lembrança não há o pó
Percebendo-o na tez sem a saudade
-- Companheira da dor -- que sem ter dó
Não têm rastros de pó como unidade?

O árduo de só lembrar do que é essencial
Ao encontro da unidade traz ao ser
A vivência (in)contínua, sem o Sal
Que confere pra Vida o acontecer.

Ah! palavra na noite silenciosa!
Ah! poesia sem Vida: vitoriosa!
E o poeta, solitário, -- no delírio --

Pelas Mãos de Deus a hora eterniza;
Crava (só) em folha o pó e triste batiza
Seu poema na benta água do martírio...
(Alexandre Tambelli® - 2005)


RECOMEÇO

Lágrima no vento dissipando
D´água que me faz homem e certeza.
O amor que trago em mim será beleza
Que ao findo temporal se libertando

Vai ao mundo pagão onde morando
Não estou há vários meses de realeza
No palácio da nobre Dama e Alteza
Que das garras do amor vive sangrando.

Vento! Que sobre as costas, no corcel
Donde sigo: sem sonho e direção
Movimenta este corpo rumo ao nada,

Dissipa dos meus olhos a molhada
Lágrima deste triste coração
E galopa meu ser para outro Céu...
(Alexandre Tambelli® - 2005)


UM MUNDO ESCURO E PRETO

Foste a beleza maior que, atravessaste
As montanhas perdidas da ilusão,
Encontrando a campina verdejante
E florida de poema e coração.

Na secreta redoma de um cantante
Moraste como musa e perfeição.
Das mais puras quimeras confessaste
Nobre e sensível gosto com paixão.

E no agora, meus versos: no soneto --
Descolorem por dentro toda cor
Que florimos unidos na campina.

Em minh´alma o céu chora e a dor rapina
Cada rosa florida pelo Amor...
Que habita agora: um mundo escuro e preto.
(Alexandre Tambelli® - 2005)


O MEU SIMPLES VERSO

Eu faço das palavras: simples verso
Do mais íntimo poema e coração.
Não! Não queira leitor viver meu emerso
Escombro ou claro céu sem emoção.

Se com a razão ler será perverso
O que do poema advém que, em comoção,
Só em comoção e luz, faz nu: reverso
Do meu existir imerso na paixão.

Amor, Dor e Poesia me acompanham
Neste intranqüilo mar desta existência
E deles meu existir e agir se banham.

E se cá em mim navega esta Trindade,
Que desnuda meu ser: na íntima essência,
É porque só dou à Vida: Santidade!
(Alexandre Tambelli® - 2005)


HABITANTE QUE SOU DE UMA POESIA!
À Carla

Na humildade dos versos desse poeta
Que habita o íntimo Ser de uma poesia!
Onde há uma discreta e tão repleta
Luz para iluminá-lo em simetria

Com o mundo feliz que lá completa.
A Inspiração: suprema em fantasia
De quimera d'amor lhe vem seleta
De belos adjetivos todo dia...

Inspiração luzindo sentimento
-- Com a chama de Deus por entre as mãos! --
Dos dedos faz colar palavras Santas

No Uni(verso) Supremo onde, no vento,
Dissipa paixão d'alma em suaves grãos
De areia que evolam nela: mantras...
(Alexandre Tambelli® - 2005)


O INFINITO AMOR
À Carla

(Com o passar de um tempo: a descoberta
Torna-se uma certeza da infinita
Existência do amor nos corações...)

Por que o destino é um tempo em alerta
Do futuro e demora a ser bonita
A vida em que vivemos emoções?

Seria muito fácil ver o belo
Pela estrada de espinhos da procura.
E é preciso aprender no sofrimento

A beleza de amar e ser singelo
E possuir a alma leve e doce e pura
Na imensidão do Céu e do pensamento...

Se hoje o amar é! Das dores nós buscamos
Nos espinhos da estrada: soluções!
Veredicto dos erros: dores transformam!

E o físico e a mente e a alma -- se hoje amamos --
Em suave alegria: ebulições
De liberta paixão dentro em nós formam!
(Alexandre Tambelli® - 2005)


RUMO AO AMOR...
À Carla

Eu só preciso do teu belo amor
-- No coração que te poetiza: Flor! --
Para o meu verso de beleza plena
Ver pelas mãos de ti nascer morena...

Porque amo a ti bellamorena bela
O meu verso ama e vai além janela
Na imensidão do firmamento azul

Em direção segura ao Norte, ao Sul
Ao Leste, ao Oeste até onde fores: Flor!

Porque de ti o meu verso ruma ao amor...
(Alexandre Tambelli® - 2005)


TUA MÃO
À Carla

Aprendo o que é ter carinho
No regaço da paixão
Quando vou pelo caminho
Que me percorre tua mão.

Se sob teu corpo me aninho
Bate forte o coração
Sinto não estar sozinho
Pois me dás a direção.

Nesta troca de energia
Explodo-me de emoção
Com teu toque de poesia.

Com tamanha inspiração
Minh'alma se contagia
Da macieza da tua mão.
(Alexandre Tambelli® - 2005)


SEU OLHAR
À Carla

Seu olhar é como diamante
Tem o brilho da pureza
Mais rara e mais impactante
Aos olhos da natureza.

Quando o fito num instante
Pela esfuziante beleza
Perco-me no penetrante
Mundo de sua profundeza.

Seu olhar desvela teu ser
Mais íntimo e mais secreto
Quando lhe olho com candura.

Ao sentir-lhe me querer
Pelo meu sublime afeto
Brilha o Amor de forma pura.
(Alexandre Tambelli® - 2005)


TEU SILÊNCIO
À Carla

Quando teu silêncio invade
A casa, o jardim, a rua
Penetra a paz na cidade
Da calma de tua alma nua.

Calas-te por liberdade
De encontrar verdade tua
Na simples ingenuidade
De uma moça que olha a Lua.

Tu bem sabes o que é amar!
Guardas contigo uma flor
Sem exata hora pra doá-la...

Deixas ao léu, a beira-mar
Teu maior segredo de amor
E o tem quem sabe esperá-la...
(Alexandre Tambelli® - 2005)


TEU SORRISO
À Carla

Em teu sorriso de criança
Mora a pureza menina
Que ao homem bruto acalma e amansa
Toda insensatez ferina.

Um simples sorriso e alcança
Teu rosto a luz que ilumina
De sonhos e de esperança
A alma do homem que o destina.

Porque, quando tu sorris
Com teu delicado jeito
Tens o dom dos colibris...

És singela como os lírios...
A tocar-lhe forte o peito
Trazendo-o a paz e os delírios...
(Alexandre Tambelli® - 2005)



“POEMAS” DE 2003 E 2004


ELEVAÇÃO AO AMOR

Nasce todo casal pelo destino.
No devido momento, porque Deus
Quer dois anjos meninos, entre os seus
Venturosos guardiões, ao Sol a pino.

Chamas verticalmente colididas
Em um mesmo epicentro: a afinidade.
Cândidas Garotices incididas
Em atritada LUZ pra eternidade.

Num simultâneo espaço tecem raros
Diamantes. Todos sonhos são vapores
Eretos; toques, suores e sabores

Na quentura dos corpos-anjos-claros.
Na harmonia com Deus e com a Terra
Clarins de Serafins ressoam na Serra.
(Alexandre Tambelli® - 2003)


NO CINEMA

Desejos vem, pós o apagar das luzes;
Desponta: Amor! Nos transformando em Céu.
Como brilhante estrela clara, luzes,
Corpos corando, na sua lua-de-mel.

Melamos seios, pós o afagar de abraços;
Explode: gozo! Enrijecendo músculos.
Num ofegante enrosco mãos e braços
Grudam os peitos com vorazes ósculos.

Desejos ávidos ampliam libido
(Descontrolada, senhorita do ato,
Despudorada, primitiva) e pois,

Livres -- desnudos do tabu: proibido! --
Tiramos roupas sem nenhum recato
E com prazer fazemos sexo à dois...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


PURA FANTASIA

-- Em Pura Fantasia Olga namora --
Caminhando distraída na estradinha
Onde a brisa balouça os pés de amora
Namorado quer ver na sua casinha...

Sorridente e a sonhar saltita só
Em harmônico e livre ziguezague
Para lá e para cá levando pó
Que seu riso não há nada que apague...

De pé em pé pula pula e pega amora
Mãozinhas e boquinha de carmim
Corre corre pra ver quem namora...

E cansadinha chega na casinha
Namorado? Pó de pirlimpimpim
Encantamento de fada madrinha...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


TEATRO DA VIDA

Caminhou o homem solitário à luz
Da lua -- só -- com a parceira e irmã.
Foi no passado livre escolha vã
De alguém que quis carregar própria cruz.

Ser solitário (sem prestar suas contas)
Foi sua aptidão, seu chão, sua mão na vida.
Contracenar com a mulher -- provida
Vontade trágica -- que lhe desponta....

Escolhe-a ao léu por afã (autofágico)
De toque e segue seu desejo ao caos...
Fugir de todo seu encenado agir?

Ou obedecer a cada farsa, e ir
Ao descontrole do não amar por maus
-- Roteiro e cena -- neste teatro trágico?
(Alexandre Tambelli® - 2003)


ESTAÇÕES SEM RISOS
À Diva

Por resistência qual parou o sorriso
Do casal namorado de plantão?
Por que nestas criaturas está tão
Fria! Nublada! Cerrada! Via do riso?

Por que a rosa carmim não desabrocha
O sorriso nos lábios sem sutura?

Por que o sol nas manhãs não luz na serra
E o riso resta rígido igual rocha?

Por que a uva na parreira não adocica
O sorriso nas bocas com fartura?

Por que há o orvalho gélido na terra
E restas amargor riso... Igual cica?

Por quê?
(Alexandre Tambelli® - 2003)


PRIVILÉGIO...
À Carmen D’ávila

Menino-poeta à beira-mar cheira estrelas marinhas...
Criança-peralta ao meio-dia sem sol queima os olhos de alegria na brincadeira...
Jovem-romântica à meia-noite enxerga na lua cheia o anjo amado...
Ancião-sonhador à beira do rio pesca cometas com vara de pescar...

Mendigo-liberto em meio ao trânsito da Avenida Paulista colhe pedaços do arco-íris...
Adolescente-pura na estrada distante e erma imagina habitar o Reino do Amor...
Velhinha-menina na cadeira de balanço da sala acredita brincar na balança do parque...
Retirante-profeta com pés descalços e meses de caminhada e fome vê-se o Rei de um Palácio chamado: Vida...

Poeta-advinho esquecido na sua poesia teima em rimar esperança com mudança...
Poeta-amante repreendida por amar e sonhar termina seu livro de versos de amor...
Mulher-sentimento caminhando interiormente descobre-se alma e não só matéria...
Homem-poesia poetizando o Viver vê Deus em cada verso que brota de suas mãos...

Privilégio?...

Sonhar possível o impossível...
Tornar o impossível possível...
Cantar sua música invisível...
Descobrir das vestes a poesia do impossível...

Para recriá-lo hoje e sempre!...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


CONVERSA VIRTUAL

Quem foi a primeva voz declamatória
Do vão considerar, de uma conversa,
Fomento e introdutor, na trajetória
Virtual, de uma equação sempre perversa

De sermos algo a mais que amigos leais?
Será que na internet os nicks só reagem
Por desejos de terem algo a mais
Quando nas "semelhanças" interagem?

Por que o assédio contínuo nos corrói
E aos poucos a afeição que poderia
Perdurar para sempre se esfacela?

Todo virtual amigo se constrói
Num rígido alicerce que seria
Do amor um prisioneiro em uma cela?
(Alexandre Tambelli® - 2003)


GOZO VITAL

Discorro nesta branca página vazia
Tudo que liberdade em mim, sempre contínua,
Constrói para não fenecer a poesia
Que faz sobreviver minh'alma (pura e nua)...

Escrevo nestas linhas pautadas -- caminho --
Nesta cruzada contra cenário social
Em que estou alicerçado, por não ser sozinho,
E ter de consentir ao SER: gozo vital...

Conselheiros da vida íntima e do sonhar
Como posso assentar com conseqüência um resto
De acordo social para meu caminhar?

Não quero ser inútil! OU ver-me farsante
Reproduzindo o NÃO-SER no falso e funesto
Prosseguir do avejão da lógica reinante...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


SILÊNCIO: ESPETÁCULO DA NOITE!

Silêncio: espetáculo da noite!
Na troca das buzinas dos apitos
Pelo lógico seio de impulsões
Timbra-se bom, bafejo do tubista.

Silêncio: espetáculo da noite!
Na troca dos barulhos dos agitos
Pelo lúcido veio de visões
Modela-se dom, moda do modista.

Silêncio: espetáculo da noite!
Na troca dos estrídulos dos gritos
Pelo uníssono esteio de audições
Soletra-se som, sopro do solista.

Silêncio: espetáculo da noite!
Na troca dos bulícios dos atritos
Pelo nítido meio de tensões
Conta-se tom, cantata do contista.
(Alexandre Tambelli® - 2003)


O NASCIMENTO DE UMA NOVA FLOR...
À Carla

Descobre no frescor duma angélica branca
Perfume que inspirar, nos poetas, alavanca...
Desenvolvendo versos desse coração
Que no sentir do cheiro executa sua ação...

E seu poemeto brota da cândida forma
Desta angélica flor (reluzente, tão bela)
Que inebria inspirar elevando poeta à alma...

Então um novo poeta não mais se conforma
Em desenhar os versos apenas na tela...

E seu poemeto aporta noutro Céu com calma...

Na leitura dos versos, caminhando ao vento,
Confunde ele, esta flor, com a imagem do amor...
E sem se notar, no êxtase do ar, sentimento
Do coração amante escorre do clamor

Até flor intocada, pura, legendária,
Rica, que o delirante, constrói dessa ária.
-- IMAGEM viva, clara, sólida, singela... --

Nova angélica flor nasce em vivência plena
Na forma de uma musa de pele morena,

Coração de menina, alma de Mulher bela...

(Alexandre Tambelli® - 2003 - para Carla - presente do dia do seu aniversário)


A VERDADE DESTE AMOR
À Carla

Agora as desventuras do passado
Contornam montes, vales e campinas
E descobrem Jardim vero e encantado
Feito de margaridas e boninas...

Pudera nunca ter sido viajante
E desde o nascimento este Jardim
Abrigasse morada no meu instante
Perfumando esta vida que há em mim...

Teria desde sempre conhecido
O que chamam por ai: felicidade
E não precisaria sofrer por anos.

Teria desde sempre concebido
No ventre de minh'alma: esta verdade
Pelo infinito amor dos soberanos...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


NOITE! ACORDADA PARA A VIDA!
À Carla
Noite! Acordada para a VIDA!
Aprendemos a ser na madrugada
Noite! Palco duma história permitida:
O espetáculo das almas apaixonadas

Hoje! É sol em nossas vidas
Não existe claro nem escuro
(Todas as sensações e vontades são permitidas...)
Hoje! Contemplamos o amor eterno e puro...
Existe o tempo exato do encontro de duas almas

- Nada é por acaso -
"Deus escreve certo por linhas tortas"
Deus abre diversas portas:
(Até encontrarmos a porta onde vive a palma...)
- Palma - A flor da fecundidade

Nesta porta que Deus abriu
Floresce um Jardim
Um Jardim em que cada flor
É um pedacinho de alegria
Em que cada flor
É um pedacinho de almas que sorriem...

Este Jardim é feito de palmas
Também de rosas vermelhas
E mesmo que seja NOITE
Ele floresce...
Porque o SOL que o aquece
É o SOL da mais bela flor
O SOL da flor do amor...

- Rosa vermelha -
A flor que perfuma
Que inebria
Que enlouquece
Que mais se assemelha ao amor...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


ENCONTRO
À Carla

A janela pro céu abriu
E bela estrela brilhou...
Menininho então sorriu
E lá de cima ela olhou...

Devolveu-lhe seu sorriso
Num gesto do coração
E com todo este improviso
Compuseram Oração...

Hosana Divino e eterno
Ecoando pelo Infinito
Quanto foi belo e superno
Fortuito encontro bonito...

Hoje nas asas do céu
Estrela e seu anjo-menino
Soltos ao vento vão ao léu
Voando sem ter um destino...

Em meio ao desconhecido
Desfraldam inusitado
No escondido e desprendido
Desejo de quem é amado...

E sem amarras e medos
Desbravam doces prazeres
com entrelaçar dos dedos
Numa eterna união dos seres...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


Poema para o anti-amor

Desculpa-me! Se sou
desmedido aprendiz
do mensageiro amor
que bem o contradiz;

Ridículo me dou
ao bem que ele prediz
e escuto seu clamor
que por bem ele diz:

- Acredite no amor!
(Alexandre Tambelli® - 2003)


A FOTO POR SOBRE A TELA

Há uma excitação tal que me fomenta
A libido e desponta pela mente
Vontade de escrever sobre um ambiente
Na qual o corpo é tão só ferramenta.

Olho com sagacidade opaca foto
De uma cena pornô que me alimenta!
Por sobre a escura tela o corpo imoto
Que da forma primeva muito ausenta

Jogado em cena! Poses concentradas
Pro prazer dos sentidos dos tarados
De plantão que excitados põem de lado

Quaisquer pudores; normas encontradas,
-- Na visão religiosa do pecado --
Que aqui nesta hora H restam gozados!
(Alexandre Tambelli® - 2003)


O POEMA, O POETA E O LEITOR...

No poema, ter cuidado na expressão,
Elimina poder, quase seguro,
Do desacato tal, que repressão
Ao dito, traz pro Ser um rito escuro.

Pesas cada pensar que constitui
Teu íntimo desabafo... Oração posta
Pro que desejas ser clara resposta
Das tuas descobertas. Não derrui

Teu poema se calculas cada escolha
Vocabular... agradas sim... pessoa
Que com disposição lê tua folha...

Poeta! Procuras ser lúcido ourives
Para cambalear entre o que ressoa
Tolerante ao leitor e o que tu vives.
(Alexandre Tambelli® - 2003)


NO CAMINHO DAS FLORES
À Carla

Flores exalarão a harmonia áurea
Num homem em repleta alteração.
Da angélica o aflorar da inspiração...
A sensibilidade da centáurea...

Do nenúfar o aberto e o puro peito...
A singeleza n’alma do Rei lírio...
Da papoula o fantástico e o delírio...
A luz da reflexão do amor-perfeito...

Do alecrim a vital recordação...
A força natural do lírio agreste...
Da margarida a volta da inocência...

Do girassol pequeno a adoração...
A livre renascença do cipreste...
Da rosa o amor refeito pra experiência...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


ATRIZ PORNÔ

Só queria sentar e conversar
Com você que me faz argumentar:
Quem? O quê? fê-la assim alimentar
Afã do corpo nu. Tergiversar

Por meandros que beleza se adultera...
Quem reteve da sua primavera
O desabrochar lindo do casal?
A volúpia num Ser que a faz total?

Mulher do gozo público! O que pensa
Do romântico encontro da paixão?
Do singelo prazer do coração

Daquele homem que a vê e nunca dispensa
Preocupar humanista: sabe amar?
Crendo que a flor-amor pode florar...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


QUANDO RIO ENCONTRA O MAR
À Carla

Por seco chão corria certo rio...
Que levava viajante solitário
Por um outro caminho (imaginário)...
Um poeta era barqueiro em desvario.

Cria que retirante sobre leito
Acharia resposta para Vida...
Fardo, açoite, negrume, despedida
Marcaram sua sina neste estreito

E meandrado percurso envelhecido.
Cacto, cruz, cardo, seca, praguejar
Foram bens no viver anoitecido.

Tempo, água, nardo, corpo, desejar
Adulteram passado... Amanhecido
Quando rio do sonho encontra o mar...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


A SERVIÇO DE DEUS...

Guardei este tempo no santuário d'alma...
Silenciosamente e santificado...
Para ser pelo Pai purificado...
No dia em que minhas mãos DEUS espalma...

Sei que Tu ouves meus apelos e Chamas por mim...
Na hora exata d’eu abandonar aglomerado...
Para que cada poema, do agora, seja condecorado
Num estágio alado rodeado por querubins...

Sou apenas Tua Voz em mãos santificadas...
Aqui sendo elevadas e ramificadas...
Em duas estradas de mão única...

A estrada que cobre-me na tua túnica
E poetizo-me por Ti... E a estrada da vida...
Que do teu manto protetor faz-me tua lida...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


ALAMBIQUE DO AMOR
À Carla

Esta água que se escorre contínua e tranqüila
Pelos meandros do rio rumo ao nosso mar...
Água que nossa sede satisfaz... Destila
No alambique interior a bebida do amar...

Água que faz por química sua inebriar
Nosso casal perdido... Que se aloja e exila
No ébrio afã dum amor - a vê-lo cambalear
Saboroso, nos goles quentes da tequila...

Água que nos transporta pro embriagado suor
De corpos transpirando tequilas de amor...
Juntando calorias bêbadas pra saciar...

Água que nossos corpos aquece e nos lava
Qualquer impura célula que enveredava
No veio da razão, hoje embriagada do amar...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


QUE AMOR É A TAL DA SAUDADE?
À Carla

Que Amor é a tal da saudade?
Esta força forte e estranha
Que domina-nos tão quieta
Sem dar trégua ao coração...

Este suspiro apertado
Quase despejando a lágrima
Machucada do silêncio...

Que Amor é a tal da saudade?
Um contratempo da Vida?

Um sonoro eco da noite?
(Alexandre Tambelli® - 2003)


EVOCAÇÕES DO SILÊNCIO
À Carla

Calam-se devotas velas
Em chamas sendo apagadas
No anonimato da noite
De um barqueiro só, no mar...

Içam-se remotas velas
Que Chamas nas madrugadas
Do amante sem ter limite
Onde parar velejar...

Silencia-se o fogo! Azul
Imenso no escuro oceano
-- Metáfora da saudade --

Evola-se o fogo! Sul
Pólo avançando no plano
Sentimental que me invade...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


ONDE ANDAS SAUDADE?
À Carla

Onde andas minha saudade?
Que continente roubou-te?
Onde descansas agora
Que não te posso apalpá-la?

Saudade amada virás
À trazer-me liberdade?
Estou num rio sem rota...

Onde andas minha saudade?
Teu final toque molhou-me...

E dele ainda vivo a Vida!
(Alexandre Tambelli® - 2003)


VIDAS REGRESSAS
À Carla

Que retorno segues Homem...
Que silencias a voz d'alma
E deixa-a tão só futuro,
Quem sabe, se no futuro...

Vidas regressas terás?
Estás aqui docilmente
Poetizando tua saudade...

Estás calmamente dando
Voz ao que é tão só silêncio...

Por que chamas a saudade?
(Alexandre Tambelli® - 2003)


VOLTA
À Carla

Volta transparente luz...
Volta a rebrilhar em voz...
Volta a soletrar o amor...
Volta pra dizer: Eu Te Amo...

Volta incandescente chama...
Volta a aquecer a saudade...
Volta a enriquecer o sonho...
Volta pra contar que Me Ama...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


POR ONDE VOAS AGORA?
À Carla

Eu calo-me no silêncio
Dessa tua voz escondida
Em um espaço qualquer
Desse teu dia distante.

Onde silenciaste riso
Tão constante e tão contínuo
Desse rosto namorado?

Onde foste se esconder
Nestas horas mudas anjo?

Onde pousaste tuas asas?
(Alexandre Tambelli® - 2003)


EU TE AMO!!!!!

Ainda vê-se o finalizar da tarde
Na paisagem feia da cidade grande.
Um último pássaro faz alarde
Mesmo que outros, o silenciar, comande.

Virá nela o abandono da luz
A descolorir a penugem cinzenta
Do céu, que poluído, ainda reluz
Na grande cidade barulhenta.

Na cadência sistemática da troca
Um observador atento à cena
Desenha em uma tela o que se desloca
Para o escuro da noite serena.

Há um trocar das estações...
(Da percepção, aos olhos, sensível
Para as secretas revelações
De um mundo imprevisível.)

Um aquietar começa a agir
Na sensação visual, logo, dormente;
O quadro passa também a interagir
Com os delírios que o pintor sente.

A saudade substitui, aos poucos, o grito
Na cidade grande; na cena se introduz,
Em um supremo e profundo rito,
A lembrança da mulher que o seduz.

Mistura-se a sombra, a vaga idéia,
O delírio, o toque no ar, a quase noite,
O perfume perdido de uma azaléia,
A alma que só alumia o açoite.

De repente: os dois cenários pintados terminam...
Desenhando uma outra paisagem,
Que real e inconsciente determinam
Como fiel ao que quis imaginária viagem.

Tanto que ao findar da inspiração
Sem querer uma forma realça-se com beleza;
Sem querer, no quadro, provoca transformação.
Da bagunça das imagens, surge a realeza.

-- Na forma de um vulto belo se agiganta. --
Sem querer "Eu" que sou este pintor a chamo.
Em um grito de força e magia tanta
Sem querer declamo: Eu Te Amo!!!!!

E o escuro na grande cidade já faz-se pleno:
No silêncio do pássaro; no quadro, agora, sem luz.
E o delírio imaginário torna-se terreno:
Nesse vulto que à miragem bela me conduz...

A VOZ DA POESIA

Lar da brisa terrestre que conflui
Em uma mesma esfera circular
Quem deixar comprimir-se no calor
Duma energia quente pra emoções...

Lar da vivência interna que almas flui
Em um mesmo canal a poetizar
Sentires de alegria, amor ou dor
Duma forma a tocar nos corações...

Lar das mãos que entrelaçam Luz humana
Em comunhão da rosa perfumada
Sublimando e inebriando os que tocados

São por vozes de acordes tão alados
Como o do uirapuru que na afinada
Sinfonia da voz: poesia emana...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


NO REGAÇO DO AMOR
À Carla

Este amor seu regaço apresentou-me;
Em um Céu de sonhos explosivos
Que vieram espocar luzes muito alvas
Em meu corpo, espírito, em minha alma.

Nas exclusivas luzes encenou-me
Uma peça teatral com ares vivos
Nascidos no palpável chão que, salvas
De gozos, celebradas são, com palmas.

Este amor, seu sublime, humanizou-me.
No corpo o gozo vibra em som audível
E a essência do prazer é a realidade.

Tanto é vero que o Sol sintonizou-me
No corpo: luz sensível e visível
Quando a Senhora Lua é claridade.
(Alexandre Tambelli® - 2003)


ACADEMIAS

Existimos nós poetas pelas láureas?
Somos condecorados na vã fama?
Esqueçamo-nos jus da bela chama
Das amantes palavras de asas áureas?

Queremos ser magníficas centáureas
Ou agrademo-nos ser pisada grama
Da contínua labuta em prol da trama
Diversa, do rebanho sem que láureas

Provem sentir, validem todas vozes
D'alma?! Por que castelos acadêmicos?
Clubes para comprar auto-elogios?

Por que tornar poesias os atrozes
Meios de autopromoção? Vírus endêmicos
Que na soberba alastram seus estios?
(Alexandre Tambelli® - 2003)


QUE DEIXEM-ME SER POETA!

Desenvolvo o argumento do sossego,
Das limitações minhas pra seguir
Utilizando a via que me afluir
Ao rumo do sujeito com seu emprego.

Será o trabalho d'alma desemprego?
Quem cala e pensa vive de fingir?
Não posso poetizar? Estou a mentir
Que ajo? Só no labor diário é que chego

A ser um respeitado e bom sujeito?
Qual a minha importância sendo poeta?
Devo ser como máquina ou robô

Que produz tudo igual e sem defeito;
Sem pensar, questionar o que me veta
Neste real que a poesia nos roubou?
(Alexandre Tambelli® - 2003)


SEXO AMANTE
À Carla

Meu corpo nu desprende-se da forma
Aguçando prazer pra fazer sexo;
Na geografia impudica e sem norma
toco-o, excito-me, giro sem ter nexo

Tarado por sugar o suprimento
De meu tesão avivado na silhueta
De outro corpo molhado e tão sedento
Que rebola, sussurra, faz careta;

Atraímo-nos... Dois ávidos prazeres
Em colisão de suores delirantes
Que só os amantes gozam porque chamam

Nas suas peles os fogos dos quereres
Simultâneos de sexo penetrante
Que brota pleno de êxtase nos que amam...
(Alexandre Tambelli® - 2003)


A PROCURA

A impossibilidade da vitória
Não subirá no tempo percorrido
Se Tu, por brio, Poeta! ver corrido
Cada longe sonhado ser história...

Toda simples palavra da memória
Extraída ou gesto vivo transcorrido
Neste percurso poético ocorrido
Mostrará, com Amor, tua trajetória

Poeta! e cambiarás Vida de teu grito.
Mas, saibas: pra Poesia te invadir
E transformá-lo crias calculado;

Exprimes teu poetar tal como rito
Duma celebração; a se evadir
Pelo ar tal alma pura de anjo alado.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


O MEDO

Tantas ânsias represa da palavra
Por escutar a voz da cruz razão!
Emoções vela (só) no diapasão
Da lógica gelada que lei lavra!

Exprime sem pulsar na rota escrava
Da crítica pra ter aprovação!
Envereda, pros moucos; que não crava
Poema tal cicatriz do coração!

A Vida não consegue compreender...
Reprimido e com medo só consente
Emoções após copo de cerveja.

Mas, quando acorda põe tudo a perder...
Pois, não quer, emoções, mostrar que sente
Com temor que o opressor um dia veja.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


PLÚMBEO

É obrigado esse plúmbeo do meu ser.
Ilude-se quem crer que aceito-o assim.
Apesar da humildade não quis ter
Cor que meu ser está. Foi posta em mim.

Cravando-me num gelo permanente
Ao dar-me só deveres no reflexo
Da vida a mim ditada diariamente.
Queria ser desvio! Ser sem nexo!

Ser da cor do meu espírito! Não cor
Imposta. Mas na lógica existente,
Só cabe a nós anuir... Nosso ser deve,

Por decreto de lei, aonde ele for
Não procurar ter brilho. Independente
Do querer. Somos única cor: neve.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


MEU CAMINHO...

De certo esqueço a lei facultativa
Aos bons moços com índoles de herói.
De certo permaneço ausente e dói
Aos bons modos a mão contemplativa.

De certo teço o carma da punitiva
Dos bons livros do Lair que a mim destrói.
De certo terso vou pois, me corrói
Dos bons manuais manter a alma cativa.

- E ao ser tu tão só tu do jeito teu
Alijado contínuo serás... Diz
Subliminar comando de todo "eu".

E eu tentando ser eu o mundo prediz:
- Viverás solitário e na pobreza
Sem direito a gritar a tua beleza!
(Alexandre Tambelli® - 2004)


O TIRANO

- Esquece Tu! palavra designada
Pra se contemplar belo que há na Vida.
- Enterra Tu! vocábulo de Saída,
Bem antes de vivermos sua partida.

- O placar da jornada será adverso
E a poesia do termo abominável.
- Jogar no time dela? Tão perverso
Porque Tu que a soletra é descartável.

- Eventualmente sim, a finjo ter
Pro fôlego daquilo que a destrói.
- Freqüentemente não, deixo-a morrer

Pra não engravidar dela uma flor
Que a sociedade novos sóis constrói!
Todo dia o tirano mata o AMOR!
(Alexandre Tambelli® - 2004)


O AMOR É...
À Carla

O Amor é a casa do morar semeado
Na nova noite do estertor surgindo.
O Amor é a causa do trocar gerado
No feliz dia do encenador florindo.

O Amor é a trama do provar deitado
Na alburna lua do esplendor fulgindo.
O Amor é a chama do gozar crestado
No forte sol do encantador sorrindo.

O Amor é a escura sensação de voar
Na última luz sem pôr os pés para o ar.
O Amor é a pura percepção de ecoar
No interno céu voz da pessoa amada.

O Amor é a jura do refrão clamada
No eterno verso que ressoa o Amar...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


O BARQUEIRO E SUA DEUSA
À Carla

O barqueiro veleja no rio
em tranqüila paisagem com flora
e com fauna bonita sem hora
pra chegar sem parar sem desvio

No ritmado assovio das águas
desce vale na rota do mar
Passageiro do puro e fraco ar
nas manhãs e nas noites de fráguas

Segue o ritmo do Deus-Natureza
encontrando harmonia paz luz
que ao interior coração lhe conduz

Na chegada à marina no oceano
d'alma vê por debaixo do pano
pura deusa tão cheia de beleza

Da mistura ficção realidade
se permite sonhar bela flor

e produz no horizonte ao redor
a mais linda e visível beldade

Natural e fantástica flor

perfumada e nascida do amor
(Alexandre Tambelli® - 2004)


A FORÇA DO AMOR É ETERNA...
À Carla

Tempo de azuis no céu e no infinito horizonte.
Degradê de tons da natureza virgem
Que resplandece na tarde dos olhos atentos.

Paisagem segreda inusitado de Deus.
Feito de azuis e imensidão é meu céu.
Visão profunda consegue desvendar-me ao mundo.

Sou segredos que habitam fonte
De indecifrável e enigmática origem
Neste Ser nascido da confluência dos ventos.

Segredos recônditos que o adentrar em espaços meus,
Inexplorados, nas montanhas intactas que estou réu,
Alardeia serem belos e irmãos de sentimento profundo.

A vida vai... se construindo na praia que esvoaça areia e sal
Contagiando meu enigma de vida para além mim,
Solucionando contratempo com choques de atritos humanos.

Venço, da vista bem alta, patamar que deixa-me total,
Colocando no meu caminho perfume de jasmim,
fazendo-me feliz e merecedor dos meus planos.

Na nova paisagem que observo em totalidade
Corpo e alma não segmentam-se em partes;
Confluem-se em uma só geração de fragmentos associados.

O templo da vida ensina-nos a Amar quando integralidade.
Conseguimos juntar os espaços com o outro em artes
Desprendidas do não-perdoar nas ilhas onde somos amados.

E a vida... espectro de cores azuis, caminha... surpreendendo
Nossos olhos que, justificam colorido da cena,
Onde só um homem e uma mulher em paixão vivendo
Sabem como transformá-la em centena
De belezas e dizer: - A força do Amor é eterna...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


SONETO DO DESTINO INCERTO
À Diva

Vertem nas águas despoluídas cores
Preto e vermelho... Já não seguem mais
Itinerário verdadeiro em mão
Calma de paz, confiança, sonho e amor.

Homem tranqüilo realimenta dores
Velhas e trágicas no rio (cais
Sujo de sangue). - Pintas tu demão
de novo opaca nestas águas flor?!

- Guardaste tu aquela aquarela viva,
Cheia de cores, tons, contrastes, luz?!
Barqueiro segue... Despejando tinta

Preta no leito antes de cor festiva;
Vermelho sangue que o ferir produz
No seu amor visto como bem que minta.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


DITADURA DO AMOR

Ditadas são as dádivas do tempo.
Como sonhos repartem movimentos
Do necessário afã de sentimentos
Belos na via -- até com mau tempo.

Meu inconsciente dissipa novos ventos
Onde sempre colido acanhamentos
Com necessário gozo de momentos
-- Fontes que revigoram sedimentos --.

Deixo-me assim, vertido ao chão pesado;
À imensidão poluída; à fé falsa
De que ter alguém é mais acertado

Do que (só), navegar por uma balsa
Onde livre e liberto do ditado
Faço da minha vida própria valsa.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


AMOR COERENTE

Chegará manhã minha sem mudar-me
Porque alguém pra me amar quer-me diverso
Do que pode este (Ser) e abro de verso
Em verso, com paixão, pra desnudar-me

E saber quem realmente sou e o que quero
Pra ver felicidade que se alia
Com meu princípio! Sonho! Ideologia!
-- Que conservarei intacta -- no que espero

Quando, na vida, (Amor) incorporar...
De que vale furtar meu nobre ideal
Da sua estrada coerente com pensar?

Destituir formação pra mim morar
No forjado edifício, neste real,
É minha identidade dispensar.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


LÁGRIMA

Choro lágrima cândida da dor
De entregar sentimento, sem querer
Mudar, quem, aqui mora, sem pudor
Nem com qualquer tabu para me ter.

Choro lágrima vil e tão sem cor
Neste cinzento espelho do viver
Posto para brilhar o (não)amor
E da felicidade me conter.

Choro lágrima fraca e tão sem voz
Para gritar aos homens história outra
Na qual felicidade vou encontrar.

Choro lágrima rude e tão atroz
Ao pobre coração que vive noutra
Dimensão sem podê-la realizar.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


AMOR DISTANTE

-- Ilustre ancoradouro de uma fantasia --
Desintegra emoção, bendita pela essência,
Regulando papel do dedicado artista
À verdadeira face reversa do drama.

Labareda de fogo acendida na trama
Incendiando do corpo para alma solista
Quente vontade, maior que qualquer existência,
Com melodia a soar no sonho que irradia.

Corpo, prazer transgride na ativa utopia
Navalhando com sangue o que é para ter gozo;
Idealista caminha no céu da miragem.

Alma, bendita luz do bem querer e imagem
Da quimera impossível, nua no perigoso
Caminho que sublima amor sem que haja dia.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


E ASSIM VIVER...

Paulatina coerção dos meus princípios! Tentam julgar meus atos e resultados escravizando sonhos e pecados que poderiam salvar dos precipícios (solidão, isolamento, céus fictícios) este homem que só quer ver sepultados todos os cerceamentos impetrados contra todas pessoas que em seus vícios não possuem espaços pra normas rígidas e marcadas numa lei, ditada e incorporada por quem Julga a vida louvação às tiranas formas de ter sobrevivência como Rei que escraviza, enriquece e mata o amor! E assim viver... (Alexandre Tambelli® - 2004)


CHORE SEMPRE! HÁ ETERNIDADE NO AMOR
À Carla

Não ouça a voz da razão
No afã de um dado momento.
Chore, molhe olhos ao vento
Porém, lembre-se há paixão.

Comova-se na emoção,
No calor dessa hora e grite
Até que última corda atrite
Por não parar coração.

Deixe a raiva romper plena.
Sem medo das dores. Corra
Além do triste calvário

E lembre-se que o cinema
Da vida é teu drama. Escorra
Das lágrimas um sudário.

O amor quando eternidade
Dentro de nós é além alma.

Não subtraia o sofrer da hora
Pois, só ama aquele que chora.

O mundo tem sua verdade.

O amor: espírito e calma.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


CARNAVAL NA PRAIA

Mar calmo e vento siroco.
Brinca de nadar menino
Sorridente e sem deveres.

Tenório, sol forte e a pino.
Doutor bebe água de coco,
Esquece dos afazeres.

(Na praia, todos tem asas!
Voam como livre gaivota
Na liberdade do sonho.)

Em quase todos se nota
Prazer de queimar-se em brasas,
Gozo no rosto risonho.

Areia quente arde os pés,
Marulho d'água refresca
Calcanhar fincado ao solo.

Severino peixes pesca
No barquinho em seu convés,
Mãe banha menina ao colo.

Vendedores de espetinho,
Pastel, cerva, raspadinha,
Chapéus, cangas, caipirinha

Disputam espaço na praia
Com turistas na gandaia.
Tudo, tudo espremidinho.

Mulheres com maiôs pequenos
Desfilam tal passarela,
Deitam de costas pro sol.

Homens de sunga olham bela
Loira de gestos amenos
Com seus óculos de sol.

E no transcorrer da tarde
Praia lotada esvazia.
Ficam somente: boleiros

E poeta que faz poesia
Vendo a maré sem alarde
Balouçar nobres veleiros.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


A EXCITAÇÃO DA MÚSICA QUE ME DEVORA...

A excitação da música que me devora...
Sobre balada triste prazer me adultera;
Na loucura que ensaia doses de quimera
No impensado tratado fantástico da hora.

Lei desregrada, livre, que vem como aurora
Nascendo toda vez que o Sol se desespera
E esquenta corpo frágil e nele adultera
Razão, dado, vendido e vai à desforra.

Um lúdico passeio por cada delírio...
Pecado o ato? Ou prazer? Desfaz-se moral? Não!
É nas bordas, nos vãos que a vida tem razão!

E quem malucamente deixa-se gozar
Desconstrói a mesmice de ter de dosar
Atos pra Deus salvá-lo como puro lírio...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


NA PRESENÇA DO AMOR...
À Carla

Ela veio em surdina; sem alarde e rindo.
Num domingo surgiu e foi se acomodando.
Sem ver, em confidências, fui me incorporando
Ao seu mundo e ela ao meu. Fomos nos entrosando

E de repente: Amor foi brotando... Florindo
Nosso caminho escuro, do Sol descansado,
Por falta de alegria e de sonho jorrado.
A vida transformou-se... Um jardim perfumando

Cada gesto, palavra e ato no cotidiano
De nós dois; (Elevados ao sublime plano,
Acima da razão, no cume da emoção...)

E hoje, habitantes somos de uma nova vida
Construída na suprema glória de uma lida
Na qual trabalha o Amor com mãos do coração...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


NAMORADA
À Carla

Namorada eterniza o amor que ponho
Em prática e com fé em iluminado
Sopro de santo salmo apaixonado.

Namorada poetisa o que disponho
De mais rico e vivo arrebatado
Da alma que vem na folha inusitado.

Namorada improvisa o que proponho
Em cada estrofe criada em consagrado
Ritmo em métrica em rima e tão sagrado.

Namorada idealiza o que componho
De mais belo e vero despertado
Da emoção que zem paira no encantado.

Namorada realiza o amor que sonho
Em poética e com vida em ensinado
Solo de sóbrio som sendo encenado.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


ESCRAVISADAS QUIMERAS

É apertado demais bradar este meu grito!
Na garganta entalado por ser sonhador.
Parece-me o viver que possuo contrito
Desejo de crer numa religião sem dor...

Cobro, na escura face que sempre anoitece,
Dos anjos, o efetuar com saciação gostosa
Na realidade que hoje, escravista, me tece
Apenas, numa teia de aranha venenosa...

Mas, que pecado existe dentro em meu ser
Que nada do que peço vem como ousaria?
Eu nem sei se posso pedir pra algo ter...

Sou apenas alguém sempre no anoitecer
De todo e qualquer sonho que não gostaria
De sobreviver nesta prisão a morrer...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


PENSAMENTO E AÇÃO

Repetir silêncio do vazio apertado pela dor
dum coração sem a vida além dele ter
é justo calvário para este sonhador?
Só sendo cordeiro poderei, neste mundo, viver?

Não é possível gritar, ninguém me ouve!
(Só existe quem diz mas não pratica
entre aqueles teóricos que certo dia houve
por parte de mim espelho de conduta ética?!)

Viverei (eu), enclausurado numa ilha deserta,
rodeado de grandes discursadores
das belas Utopias, caladas, em meio aos dissabores

dos Capitalistas? Ou ainda temos alguém que desperta
de dentro de si coragem de conciliar
Pensamento e ação em tudo que ousa realizar?
(Alexandre Tambelli® - 2004)


ONDE ESTÃO OS MARXISTAS?

Onde estão os homens da Filosofia Marxista
que desfilaram de vermelho na passarela do Mundo?
Onde estão as vozes contrárias ao mundo Capitalista
que lutaram por uma realidade igualitária para todos do mundo?

Onde deixaram seus ideais? No poder? No carro do ano?
No celular último modelo? No cartão de crédito?
Onde deixaram seus sinais? No livro do sebo? Num cano
por onde deixaram escapar lágrimas com crédito?

Onde vivem meus heróis marxistas? Curvaram-se ao posto?
Calaram-se em meio ao fácil da vida compromissada
das pessoas que sabem que para sobreviver é preciso posto?

Onde vivem meus heróis revolucionários? Viraram Ecologistas?
Pacifistas? Individualistas? Consumistas? Egoístas? Ou nada?
Onde vivem? Tantos conheci e hoje perderam-se de vista.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


DEBOCHAM DE MIM...

Eu serei apenas um boa vida que clama liberdade?
Um vagabundo que vive dizendo coisas de amor!
Enquanto riem de maneira vil e muito covarde
d’eu dizer que ainda verei desabrochar minha flor?

Eu serei apenas um louco e sem o mínimo pudor
de dizer besteiras para as pessoas que na realidade
não foram educadas para ouvir meu clamor
e que os poucos que me dominam riem com sagacidade?

Eu serei apenas uma marionete, um títere, um fantoche
fazendo a voz do boneco que é a minha própria imagem
sendo vista como uma ficção de teatro infantil?

Eu serei eternamente um sujeito que é pro deboche
uma das armas mais eficazes para rirem com coragem
das idéias que prego na busca de um Mundo menos inútil?
(Alexandre Tambelli® - 2004)


PARA UMA MULHER DOENTE

Quando o silêncio te ocultar problema
com toda grave impedição de ser
explicitado numa aberta fala
nunca dos meandros, coração afaste,
terás perdido a intimidade tua.

Ocultar voz e no calar dizer,
com entranhados movimentos d'alma,
satisfaz bem; quando da dor em fuga
queres distância. Quando partes quieta
pra tua terra animas tua luta;

se vives forte, na coragem, vences
qualquer barreira natural de seres;
Procrias célula Mãe duma luz
que revigora o mais trágico hoje.

Capaz te sintas e conduzas rio
que corre solto pelo vale seco
nesta presença não querida e viva
nas profundezas deste teu Ser.

Ouças batidas que te acalmam flor...
Que te declamam pela fé da luz
suprema e fiel que enfermidade acaba...

Vai! Batalha! Luta! Briga! Sempre...
Vences se brigas contigo hoje e sempre...
Se não afrouxas e nem pranto tens...

Haver é: efêmero na Terra mas,
haver é: eterno no futuro Teu...

És imortal... Dentro da Vida: barco
em direção dum grande oceano azul...

Pra tua doença a solução: viver

a Vida ao longe da aflição terrena...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


ARCO-ÍRIS
À Carla

Este será simplório soneto de amor.
Um pequeno improviso do rosto que ri
Ternamente por ti que, em mim, torna-se flor
Encantada e imortal do sonho que pari.

Anjo, que sobre o arco-íris, luz, plena de cor,
Movimenta libertas asas aqui e ali
Ondeante pelo céu e, por onde você for
Movimenta-me junto pois, eu renasci.

E ao renascer em mim tal qual felicidade --
Universal -- que abrange corpo, coração,
Alma, espírito, sonho... Vejo a mocidade

Novamente bater, forte, no meu caminho
Juntando todas luzes que por refração
Obrigaram, no tempo..., o amor andar sozinho.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


CAPITALISMO

Há um certo fantasma que nos ronda, só,
Nas trevas e nos trevos escuros da noite,
Alimentando egoísmo e dividindo pó
Na atroz escuridão do seu Mundo de açoite.

Escravizando sonho, entrincheirado em nó
Rígido e comprimido pra doer sem limite,
Somos desse avejão prisioneiros sem dó,
Feitos pra sofrimento que alegria evite.

Um fantasma sem voz que subliminarmente
Age, dentro da entranha mais, mais, mais recôndita.
Sem notar, sem pedir nos aprisiona a mente

Em caminho coercivo e com falsa benesse.
Somos robotizados e vemos desdita
Cada justa quimera da nossa alma, e messe.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


EM OUTRO MAR...

Poderia na rua estar agora
Dividindo minha arte; em troca disso
Assistiria troupe de mambembes
Com peça do seu teatro do improviso.

Trocaria poesia, por sorriso,
Gerado pelos palhaços zambembes
Que alegram crianças, velhos -- cheios de viço... --;
(Sem saber do relógio que dita a hora!)

Declamaria poemas com magia
Nos versos -- na doçura que é amar... --;
Mágico da cartola tiraria

Rosas vermelhas para as entregar
Às atentas meninas -- na alegria
De levar nossos sonhos a outro mar... --.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


QUARTO DO POETA
À Carla

Atmosfera -- na escura luz nos chama
A tela que destoa do sombrio;
A parede que é branca numa trama
De móveis velhos, novos, em perfil

De pequeno escritório, a todos clama
A pensar, um tal poeta, aqui, com brio,
A poesia de vida sua declama;
De uma maneira própria: em desvario.

O silêncio, constante neste ambiente,
Deflagra a solidão deste escritor
No seu refúgio duplo e muito ausente.

O poema nasce só, causa mor: dor
Que queima sem parar interiormente
Como prova da ausência do seu amor.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


QUARTO DO POETA II
À Carla

Atmosfera -- nublado segue o dia,
Não revela na tarde o sol e o quente;
A tela com mais luz que a cercania,
Chama de novo a mim, em mim, n’ausente.

Os móveis marrons, beges, que esquecia
Enquanto a noite havia ocultamente
Duplicado visões de nostalgia
Continuam aqui expostos sombriamente.

O poema, coincidente com cenário,
Não me tergiversa para a ilusão
De que a vida queria ser contrário.

E o sol distante luz, e dá a razão:
Espaço; que quimera, em solitário
Ser, não queima não onde há solidão.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


QUARTO DO POETA III
À Carla

Atmosfera -- o sol fraco felizmente
Avança pelo vidro e invade a tela.
A claridade luz continuamente
E agora mescla o quente e o que me gela.

O poema, rememora inconseqüente
Quimera, abandonada por ser bela
Demais para ser sonho tão somente,
E levar-me o sol, deixo, da janela

Posicionada sobre minhas costas.
A poesia acontece noutro ambiente
Com ventos, flores, pássaros e encostas.

O mar bate agitado em rocha dormente,
Acorda sonolento corpo, e respostas
Ao duplo ser, retiram-no do ausente.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


AMOR VIRTUAL

-- Dois mundos antagônicos, não livres. --
Vagas virtualidade no queimado
E no gelado (só); entre declives,
Aclives, planos, fé e impenetrado...

Calmamente no cérebro, onde vives,
Cores crema: borralho congelado
E papoula queimada... Nós, ourives
A lapidar quimeras sem traçado...

Mortos no cavalgar das ilusões
Fictícias, em um teatro posto em prática.
-- Dois mundos sem ideais: fogos, fusões. --

O que queima e o que gela é nula tática
Dos impulsos de gozo em corações
Que desejam vivência, mesmo estática.
(Alexandre Tambelli® - 2004)


NAS MÃOS DE DEUS...

Vai ser a tarde, navegada de sonho e utopia...
Contagiando imaginação em bela poesia
Sendo enveredada ao cais pleno do Amor...
Este poeta, alimentado de Ti, Deus, expõe Teu Clamor...

Pedes-me desta nossa Vida, sem destino certo, um tempo,
Para ser traduzida em palavras vindas do vento...
E, sem notar, contabilizo verso atrás de verso
Em minhas mãos abençoadas pelo Teu Universo...

Segredo maior que, esta nossa Vida, não possui resposta,
Sendo remédio para viver, poeta, como Gostas,
Iluminado pela inspiração de Ti, Santo e Puro Deus;
Alvoroçando meu coração poético onde, agora, Vives, entre dedos meus...

A tarde, veleja, entre temporal interior e chuva forte
Coincidindo fé, natureza, desnudar e rota para Teu Norte
Onde, ao chegar na Tua constante partida, segredos são:
Revelações de uma Vida que, para Ti, só tem coração...

De que vale ilusório da matéria plena de efemeridade?
Liberdade caduca, no “mundo” das coisas, sem Tua Verdade?
Homem-Poeta, adulto nos seus pretéritos, presentes e futuros,
Enxerga, ao despossuir-se da temporalidade, seus escuros...

Um Mundo novo reabre na sinfonia das ondas do mar...
E este navegador, no agora, pertencente ao Mundo do além-mar
Cambaleia entre mistério e sua decodificação plena,
Muito além, desta passagem do oceano terreno que, eleva-se à luz serena
Da Vida Eterna...
(Alexandre Tambelli® - 2004)


RAPAZ APAIXONADO
À Carla

Nesta tarde principia
Por entre o jardim em flor
Certo cheiro que irradia
No vento aroma d’amor

Pairando em meio à praça
Inspira vida e quimera
O odor da rosa com graça
Que embeleza a primavera

Rapaz fica alucinado
Cheira o perfume a vagar
Pelo céu de apaixonado
Tendo a chuva a lhe molhar

Esse breve temporal
Apressa o arrebol na tarde
Dando ao dia seu final
Numa pressa num alarde

Rapaz colhe então a rosa
A tremer a delirar
Sai da praça em polvorosa
A girar girar girar

No bailado da paixão
Corre corre na calçada
Sem valer-se da razão
Corre ao palácio d’amada

Chega menino e cheiroso
No castelo da realeza
Onde o espera mui formoso
Anjo amado da beleza

Dá um grito quase forte
Que nasce do fundo d’alma
Dizendo: - Eu tenho sorte
Tenho um amor que me acalma

Ao vê-la sobre a janela
Com sorriso de alegria
Revive na noite bela
Suspiros de nostalgia

Aberto portão trancado
Sai nua e beija faceira
Botão da rosa fechado
Que desabrocha-se inteira

No palácio agora a sós
Segredos irrevelados
Guardarão de todos nós
Quaisquer prazeres trocados

E todo leitor curioso
Da imaginação parceiro
Idealiza bem zeloso
Esse amor tão verdadeiro
(Alexandre Tambelli® - 2004)


DIANTE DO AMOR VIRTUAL

Sou apenas interior diante do amor!
Por idear relação na abstrata viagem...
Por sentir imortal o que é passagem...
Por recrear coração n'assídua dor...

Sou apenas fingidor diante do amor!
Por enganar verão na aberta estiagem...
Por mentir natural o que é miragem...
Por falsear floração n'ausente flor...

Mas flor virtual esvai por ser ar...
Por ser feita de sonho e necessário...
Por ser flor apanhada na teoria...

E o amor que conseguimos cimentar
Desabrocha só em céu imaginário
Desenhado na mente em fantasia...
(Alexandre Tambelli® - 2004)



FALANDO DE POESIA


ESCREVER

Escrever é um estado d’alma
Em que na mão uma energia mestra
Vinda do fundo do coração
Resolve sair de dentro de nós
E no papel abrigar a sua emoção.
(Alexandre Tambelli ® - 2000)

A PALAVRA É VERDADE

A palavra, companheira das jornadas, é verdade.
Mesmo na sua maior mentira, é verdade.
Cabe ao homem escolher o seu significado
Dando ao evento da fala um certo resultado.

A palavra, em nós instrumento, é necessidade.
Mesmo no seu menor prazer, ao dize-la, é dito que entoa.
Não existe homem, que na sua fala, não ressoa
Um sentimento no ouvinte do seu universo.

- Total torna-se a palavra em prosa ou verso. -

Ela, a palavra, afirma um pensamento; com responsabilidade
Devemos ousar dize-la... - O homem tem essa liberdade... -

A palavra, acompanha os vivos - acompanha seus interiores,
Acompanha suas vozes, acompanha suas ações, acompanha seus amores -
E não existe ser dotado da capacidade da fala que não a pratique.

A palavra, traiçoeira quando mentimos, é igual alambique,
Pode dar safra boa ou má de vinho; e há quem fique
Bêbado ou moderadamente, com ela, lúcido...
Tudo depende do como o Ser foi concebido...
(Alexandre Tambelli ® - 2001)


TALVEZ EU SEJA MESMO POETA

Talvez a minha poesia caminhe sozinha dentro das minhas próprias mãos.
Como cometa passe queimando o meu leito de sangue e nas horas outras burile a minha existência para contá-la.

Talvez a minha poesia navegue nas profundezas de meu mar e eleve-me de meu rio escondido jorrando ao mundo meu ser. (Secreta e inofensiva existência para os corações pouco afeitos aos sentimentos puros.)

Talvez meu abstrato tenha de real uma força tamanha que surpreenda o sensível leitor. Sua força deva constituir-se da necessidade de expelir meu vulcão interior repleto de amor.

Talvez eu seja mesmo poeta... Um eu-lírico em plena manifestação do sublime e da inexplicável força que impele-me a gritar através da poesia a necessidade de viver!
(Alexandre Tambelli ® - 2001)


O QUE É O POETA ?

Plácido outeiro no azul.
Neblina e sombra escondidas
Na escuridão dos meus sonhos.

No imprevisível e estranho
Soa o eco do grito calado.

Quem sou? Será quem o poeta que habita o além mim?
(Alexandre Tambelli ® - 2001)


APRENDIZAGEM

Ando continente do inabitável,
- Portal da sagrada e única expressão. -
Onde vaga ser jamais estimável
Por sua profundíssima incompreensão.

- Verão acontecendo no vilarejo. -
- Quente a madrugada. - Na trajetória
Contraio deste mundo que nunca vejo

Ardência que faz da minha história
Verso aceso à luz pela profundeza

Sombria do saber na sua mor grandeza.
(Alexandre Tambelli ® - 2001)


CRIAÇÃO POÉTICA EM MIM

Sobem fluídos d'alma pro cérebro numa agitação espontânea e inesperada. Fluem pelas corredeiras das veias que cobrem meu corpo e estes impulsos dão-me sinal de que sou agora fusão de desejo e inspiração... Contínuo despertar a dialogar comigo sobre o mais efêmero, o mais prodigioso, o mais absoluto, a mais liberta das vocações que pode em mim ser notada. E é sem nenhum desperdício que altaneiro e sem respirar eu ecôo numa alucinante e desabalada corrida contra as teclas o meu mais grandioso e efêmero dom: poetizar como se fosse eu uma alucinação...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


VIAGEM ASTRAL

Anseia ser o sonho real que a doida alucinação não quer saber de evitar. E os momentos desta loucura sofre como nunca sabendo-os apenas faces da ilusão. Correm as horas deste corpo que estranhamente sublima sua alma e que agora está a levitar... Numa súbita desprendida num universo inexplicável aos olhos nus torna-se na sua viagem astral união do espírito e d'alma em fusão...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


VISÃO ALUCINÓGENA

Andarilho das tenras noites de ilusões palpáveis... Qual o teu destino nestas horas de indefinição concreta? Você que tantas noites alimenta a ilusão de “ser” possível já deu-se conta de que tocar não se faz com a palavra secreta? A vida causa estrondo nestas horas de maior devaneio e o louco no seu martírio ou no seu delírio acredita que tudo na vida -- visão alucinógena -- possa ser luz concreta... Mas esta luz é apenas mancha na escuridão que clareia o sonho enquanto ele puder ser necessário pra quimera da vida fantástica em que vive sem receios e dúvidas o “ser” poeta...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


A VERDADEIRA ESSÊNCIA

A primeira chama de inspiração anunciou o menino no rol dos poetas do futuro
Cantou na quase prosa a sua primeira vontade de amar
Celebrou o prodígio do coração ingênuo e puro
Que aflorou a sua inocência no poema proseado no seu cantar

Hoje, poeta, amplia espectro de idéias, quer ser universal, diferente,
E, senhor de si, perde transparência.
Segunda chama de inspiração, de exigente,
Fica refém de conhecimentos e perde, por vontade, a verdadeira essência.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


POESIA: MINHA DEMÊNCIA

Escrevo a crônica do amor irrealizável. Advém ela do certo improvável. Quão extrema e admirável. Coloco no papel o inexorável. Vida tu és inacreditável. E eu poeta, na noite, habitável. Hoje eu crio a idéia maior e não o concreto. Deixo o desejo ereto. Advogo em favor do objeto. Malogro a todos e me veto. Desenho, o absurdo, com o que poeto. Escrevo a crônica do amor inconsistente. Um inspirado e constante aparente. Com certeza envolvente. Na necessidade que tergiversa a mente. Como um encantador de serpente. Vago, alucinado, como um homem vidente. Hoje eu crio a idéia maior e não a existência. No infinito de minha aparência. Na plenitude de minha ciência. No eterno de minha dependência. Na poesia, eu vivo, minha demência.
(Alexandre Tambelli ® - 2001)


SONETO PARA UM LEITOR

- Um soneto abre o sentir do escritor -
Nos caminhos do coração se alenta;
- Sua verdade - E emoção dali apresenta;
- Embrenhar sorrateiro no leitor -

Um soneto que vem elaborado
Sem ritmo de verso heróico ou sáfico.
Porém satisfeito com ele fico
E no meu Olimpo está condecorado.

Um soneto perfeitamente aliado
De uma procura pra lá de admirável
- O Amor - O que o tornaria louvável.

Um soneto no qual terminam liado,
Poeta e sensível, mas comum leitor,
Não possui aval do crítico e editor.
(Alexandre Tambelli ® - 2001)


LIBERDADE DE CRIAÇÃO

Eu quero desenvolver minha própria literatura
Sem os mecanismos do sucesso imediato;
Sem o aparato das luzes da mídia que lhe faz o fato;
Sem ser do grupo que se fecha ditando a cultura.

Eu quero vivenciar minha liberdade de criação
Sem o fácil que não abre a cabeça do leitor;
Sem o difícil que se gaba alguém de ser feitor;
Sem infiltrar na obra o banal para ter aceitação.

Eu quero dividir minha cultura com o povo
Sem olhar de cima do palanque e junto dele criá-la;
Sem precisar ceder ao editor que irei sujeitá-la;
Sem deixar de extrair da vida vivida o novo.

Eu quero desenvolver minha própria literatura
Sem precisar fazer o recorte-colagem tradicional;
Sem realizar intertexto ou citação nominal;
Com o cuidado de pôr em prática boa CULTURA.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


O TEMPO HÁ DE SER OUTRO

Lá vem o censor de plantão ditar a regra certa
Que devo obedecer se quero ser poeta...
Lá vai o livrinho de regras dizendo um alerta:
- Siga estes preceitos poeta para alcançares a meta.

E muitos sem questionar seguem o corolário das regras
E quando olhamos estão aceitos pela academia.
E outros questionando não seguem as páginas negras
E vivem no anonimato como a poesia temia.

O tempo há de ser outro um dia... Numa ventania
Em todas as direções com as diferenças aceitas
Por todas as correntes e vivas em qualquer cercania.

Será o tempo da liberdade de opinião e crença
E tudo que for bem feito nas artes serão eleitas
Nobrezas de uma Cultura que vive na diferença.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


NA ÉTICA DO AMOR PENSADO E EXECUTADO

Eu falo de Amor na minha poesia com simplicidade
Sem o pudor de ter comigo a pecha de ser inventor.
Eu falo do Amor que sinto na minha vida sem ser o ator
Que camufla o drama para ser visto com notoriedade.

Não! Eu não sou o repressor da minha emoção.
Deixo-a descoberta para o leitor sentir comigo
Toda a minha dor, alegria, o que dá-me abrigo
No espaço e tempo de minha geração.

Falo das desventuras que tive e tenho sem temor
Porque só quero da minha vida o que apraz
Meu coração que não sabe ser contrariado.

Faço do Amor a armadura contra tudo que for
Nos meus ideais a forma de não encontrar a paz
Que almejo para sentir na vida que sou sempre honrado.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


CULTURA E DIVERSIDADE PARA TODOS

Atravesso a linha da História desviando do prumo
Porque quero o direito de seguir meu próprio rumo
Sem tornar-me radical e dono de alguma verdade.
Quero apenas o direito de viver a minha realidade.

Meus fatos quero que sejam entendidos como meus;
Como atitudes minhas e que quem julga-os é Deus.
Eu aceito a crítica educada e com intuito de crescer
Porque estou na vida para ouvir, mudar ou permanecer.

Que todos aceitem os fatos de todos, com suas Histórias,
Vivenciadas segundo seus planos na lucidez do conhecimento.
Que a educação liberte os oprimidos e dêem-lhes fomento

Para questionar a realidade e serem vivos seus ideais
Sem que esta situação elevem-lhes às falsas Glórias
Como alguns "ditos" doutos da Academia nos dias atuais.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


MEU POEMA DESNUDA-ME

- Um último suspiro do bardo por agora -
Aparentemente o último poema que escreverei
Porque a lágrima já me implora
Para que eu descanse do cenário que criei.

Sairei agora das teclas brancas para a luz da sala
E este recado guardarei comigo... Conselheiro
De tudo o que jamais em mim se cala
E transborda na poesia, no verso verdadeiro...

Só falei da emoção que tateia minha alma
Porque desejo avidamente descrever a realidade...
E agora cheiro a palma, símbolo de fecundidade...

Minha última estrofe sai bem calma
Quase parando meu sentimento Nobre
Que sempre desnuda-me da dor que me cobre...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


DO POEMA FAZIA-SE O RISO

O poema com audácia vinha ao mundo,
Da taciturnidade abria a altiva alma;
Súbita inspiração que num segundo
Conduzia o poeta para escritos d’alma;

Que quando terminava sua obra em verso,
Pelo poema escorria seu coração,
Viva a poesia desnuava seu reverso
E emergia nas palavras sua paixão.

E pra senda seguia o amante canto,
Revivia no leitor todo aquele estro
Digno de um verdadeiro e nobre maestro;

Que o Triste que leu o poema emitia o encanto,
Capaz de promover dum improviso,
No rosto que foi triste: alvo sorriso.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


SEMPRE COM PROFUNDO AMOR

De onde brota o poema livre
Que a correnteza interior vai levando
Para vida na forma de versos?

Qual a nascente das águas puras
Que a calma vazão do rio d’alma
Vai arrastando de encontro ao agitado mar na poesia?

Eleito sou! Deus carrega-me no leito
Que navega do alto da montanha virgem
Até o vale profundo já erodido e humano.

Sou poeta! Nasço no Oriente e rumo
Para o Poente chegando na noite...
Atravessando os meandros da existência...

Deus deu-me a incumbência de alegrar
O espírito dos navegantes deste mar
Intranqüilo dos homens da guerra.

Sobrevivo solitário no meu corguinho
Que velejo na calmaria das intenções,
Na paz do meu quarto e nos bons sonhos.

E divido minha rota com as pessoas
Que oriento os seus corações
Com um poema que fala da VIDA
SEMPRE COM PROFUNDOAMOR!!
(Alexandre Tambelli ® - 2002)



FALANDO COM DEUS


A VOZ DE DEUS

Ouço um primogênito clamor falar
Sobre meu verdadeiro significado.
Meu coração é um ouvido a se calar
No murmúrio santo que é em mim purificado.

Ouço Deus a me declamar puro
E sábio que ainda me depuro
Para o grande sinal do amor em mim.

Ouço o Pai a me dizer enfim:
Vá ao caminho da inocência e pureza.

- Esta filho é a tua sublime natureza.
(Alexandre Tambelli ® - 2000)


SALVAÇÃO
Ouço a voz que chama
Para a salvação.
Distante brado, louvação
De um céu que proclama:
Existe um Deus superior.

Procuro o caminho,
Do meu interior.
Procuro a chama do amor
Que reveste este clamor.
Sou um andarilhozinho
Que voa como pena
Na leveza do ar.

Procuro o promotor da Vida.
A incontestável cena
Que faça-me acreditar
No todo sempre. Sou perdida
Alma, querendo ser mais que matéria.

Estou em busca do espírito.
Santo remédio para viajar
Pela imaginação e velejar
Pelo obscuro segredo da Vida.

Sou como uma pluma
No ar a te procurar.
(Alexandre Tambelli ® - 2000)


SOMENTE DEUS

Somente Deus sabe aonde podemos atracar o nosso coração.
Somente Deus cabe na nossa vontade de oração.
Somente Deus abre toda e qualquer estrada do amanhã.
Somente Deus descobre a nossa dor e nos traz a alegria logo de manhã.

Somente Deus cobre o nosso frio quando estamos no relento.
Somente Deus sobra no dia em que perdermos o pensamento.
Somente Deus acaba com todo o nosso tormento.
Somente Deus encobre as nossas falhas por contentamento.

Somente Deus absorve os nossos problemas para seguros irmos.
Somente Deus desaba todos os nossos medos e temores para seguirmos.
Somente Deus redescobre a nossa vida quando ela está desorientada.
Somente Deus refaz a nossa alma triste quando ela está apaixonada.

Somente Deus... Pai Supremo e nosso Guia pode iluminar o nosso caminho e mostrar a estrada da salvação e do amor terreno e eterno! Pai bom... Protegei-nos.
(Alexandre Tambelli ® - 2001)


CADA POEMA É UMA ETERNA PARTIDA...

Talvez! Talvez o tempo dirá o porquê do meu completo abandono;
Da solitária História deste Homem que nasceu e vive como Poeta.
Talvez! Talvez na erma escuridão da madrugada de qualquer outono
Uma Luz chamará a mim para viver além deste Ser mensageiro do Profeta.

Talvez! Talvez a necessidade da palavra avance ao mar e perca-se solitária
- No infinito horizonte - sem voltar mais ao porto donde ela sobrevive.
Talvez! Talvez eu perca a inspiração um dia e seja minha voz diária
Sem o silêncio poético da alma que na ilusão da Vida e da Paz vive.

Talvez! Talvez eu encontre a minha resposta num poema e possa mudar.
O prumo da existência é além das fronteiras d'alma ou lá que é pleno?
Talvez! Talvez eu ainda tenha para Deus uma missão de este mundo desnudar.
Aonde chegarei ao ser pensamento, imaginação, sonho e não terreno?

Talvez! Talvez alguma sobrevivência maior soará meu destino incerto
E eu apresentarei a mim mesmo num tempo futuro minha própria identidade.
Talvez! Talvez meu poema de agora exista por ser semente dum mundo aberto
E que eu somente habitarei quando atravessar o limite desta realidade.

De certo mesmo, apenas posso dizer que coube à mim o destino de ser como Poeta
E certamente eu o acolhi desde que descobri ser eu mensageiro da Vida,
Dum Deus inexplicável aos olhos! Mas certamente em mim Vivo como Profeta;
Desenhando a realidade que traçou eu TER e SER na minha Eterna Partida...
(Alexandre Tambelli ® - 2003)


O HOMEM MATERIAL DE HOJE
À Maria Antonia Ferrari

Quando menino fui, braços juntados
Sempre inocentementes, na pureza,
Rezaram Oração, hoje, esquecida
No egoísmo de pensar-me forte só!

Relembro eco esquecido, como pó,
Das palavras dum Pai-Nosso, na vida
Largadas pela fé que na certeza
Das pedras do concreto há reinados!

Hoje, de rei tornei-me um insensível
Ao poder da Oração. Na desconfiança
Da Eterna Salvação fiz-me um inverno,

No efêmero do ter; fiz-me um inferno,
Sem Fé, sem Luz, sem Prece, sem Ser Criança
Que sempre faz possível o Invisível...
(Alexandre Tambelli ® - 2003)



FALANDO DO HOMEM


A ESTRADA

Tento perceber o meu caminho,
O destino de cada passo que dou
E vejo-me praticamente sozinho.

Sou um pacato e calmo andarilho.
Nas entranhas da busca vou.
Leve canto sem fama. Um ofuscado brilho.

E na minha estrada desconhecida
Navego. Na indefinição do que sou
E na busca profunda de encontrar a Vida.
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


EU QUERO AMOR

O que vem a ser Deus?
Eu procuro a resposta do destino.
Sou virgem, anjo, menino.
Quais sonhos são e não são meus?

Por que só estou? Se tenho boas intenções.
Que estágio da vida está destinado à mim?
Quero ir além de uma bela poesia viva.

Eu preciso trocar as minhas canções
Por um toque, um belo sorriso, um sim.
Por um amor vivo que a tudo sobreviva.
(Alexandre Tambelli ® - 2000)


EGOÍSMO

Eu ainda vivo muito o “eu” e não o outro.
Um egoísmo meu. Não vejo-me noutro
Lugar além de mim. Não vou além do meu corpo nu.
Não sei conjugar o pronome pessoal na Segunda pessoa do singular, tu.

Eu tenho bons preceitos e boas atitudes
Mas estas inebriam almas, como os alaúdes.
São postais belos, mas habitam apenas as intenções.
Não há em mim, arriscadas batalhas pelo que quero, transposições.

Vivo na felicidade? Será que é sincero, válido, ser feliz só?
Tenho a esperança sempre, o pensar positivo, mas vivo no pó.
Faíscas, fagulhas, pontas de areia, moléculas, células e uma imensa dó.

Choro sem sofrer, sem reclamar, sem afinco no lutar, sem desatar o nó
Que me amarra em mim. Sou eu quem crio esta minha materialidade
Ao não afastar o medo, o egoísmo e a fácil desculpa de que esta é a minha verdade. (Alexandre Tambelli ® - 2000)


EU

Acordei do cansaço vivo
Que povoa parte posterior.
Meu corpo é estranha caricatura
De um movimento sem resposta.

Sou enfermo. Poderoso segredo
Que não tira a inspiração.
Sou impelido a desvendar-me
Como desvenda-se uma charada.

E a noite, parece dia.
Misto de cansaço e falta de sono.
Sou indefinição. Sou obra
Inacabada da natureza que me concebeu.
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


QUAL A MINHA MISSÃO ?

Clausura, prisão, medo.
Temor da certeza,
Covardia de uma cordialidade com a indefinição.

Cortes do ritmo, do ciclo da calmaria.
Fotografias para a imensidão do futuro.
Eventuais desvios rumo ao meu encontro.

Fim da aventura fatal da genialidade dos castradores.
Rompi o desvio e sigo o caminho
Na busca de conhecer meu objetivo na vida que brotou de meus pais.
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


AR QUENTE

Não é à-toa que olhos vertem lágrimas.
Toda a sensibilidade do abandono, do buscar
Remete ao coração e provoca sonhos.

Sou emotivo demais dentro de mim, frágil
Como o ar quente; acanhado, não derrubo a folha
E sereno vou, sem a Vida do meu lado.
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


APENAS POETA

Recordar é a sina do homem medroso.
É relembrar a possibilidade perdida
E viver de sonhos infindáveis.

Poetizo, pois, sou este poderoso
Medo que deixa a ferida
Cicatrizar sem atos palpáveis.

Morre o amor antes da oblação.
Vai ele rumo ao anonimato.
E até a poesia perde identidade.

É assim. Quem não vive de ação
Passa as noites num campeonato
Com a mente, disputando a realidade (perdida).
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


SOU CALMARIA

Eu vi na minha vida
O tempo passando.
Eu vi cada desejo se dissipando
Com o mal tempo.

A tempestade perdida
Em um ato, em outro contratempo.
E da magia das gotas d’água
Apenas vi, uma ponta de mágoa.

Por que não vivi?
Se tive todo caminho.
Por que o sol eu não vi?

Porque sou a fortaleza secreta
Que do sonho, livre e sozinho
Prefere a calmaria, simples e discreta.
(Alexandre Tambelli ® - 1999)


NESTE DIA DO ANO

Falo de uma madrugada
Quase raiar do dia,
Quase findar de uma categoria
Feita pela órbita delegada.

Vai-se a noite, e o dia
Na proximidade do branco
Nascerá e virá rebeldia.
Sangria aqui não estanco.

É tempo de sonhos mil.
É tudo muito inverossímil...
Promessas vazias e irrealizáveis.

Somos seres imutáveis,
Pois, a fantasia é apenas alegoria...
Vivo em meio à rebeldia.
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


O MEU DIA

Silencioso mundo em que vivo.
Cidade grande, esconderijo.
Sou liberto da velocidade,
preso a redoma do dinheiro.

E a poesia acompanha
o ritmo lento de cada passada.
Do entrar para dentro de mim,
do isolamento que quero e não quero.

A quase noite, é o meu sinal.
Início do silêncio e da vida.
Vivo intensamente este momento

No sonho de reviver
o que não existe.
O que me deixa prosseguir: a poesia.
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


O HOMEM COMUM

Ainda não posso colorir meu céu
De sonhos reais e floridos.
Sou apenas um pobre réu
Do sistema. Feridos
Em nossa sociedade
São muitos. Sou idade
Mas não realidade.

Ainda não posso passar de intenção;
Vivo preso em uma detenção.
Livre de grades reais, mas soldado
De um exército de inválidos; fadado
Ao abandono, ao descaso.
Vivo por ser vida; acaso
Que me fez ser. Não sou um caso
Desvendado, pronto para ser cidadão livre
E liberto das amarras dos que inclusive
Preferem viver em meio ao medo, do que me libertar.

"A sociedade cria os seus próprios padrões."
(Alexandre Tambelli ® - 1997)


PENSAR DIVERSO NA SOCIEDADE DE HOJE

Monótono os dias deste alguém à mercê do sistema...
Calado o coração dói sem ser voz no descampado...
A vida reclusa eleva-se ao sonho de todo poema
E sem a razão concreta como aliada fico desocupado...

Sentimento dual... Entre o querer e o poder oferecido...
Canto na contramão da possibilidade e sem platéia...
Sou o poeta impedido de viver e em casa esquecido
E a poesia só dialoga com minha própria idéia...

Meu soneto que esquece a regra do Alexandrino
Solta-se no papel, arredio, e sem ouvintes se reprime
Mesmo que não possa ter em vida seu destino...

A sociedade escolheu-me refém e solitário
Porque vê a liberdade de opinião e ação crime
Inafiançável e relegado ao calabouço diário...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


À BEIRA DO PRECIPÍCIO

Fico em pé à beira do precipício mais profundo que existe n’alma, olhando-o de frente. -- Na corredeira veloz querendo empurrar-me precipício à baixo -- Seguro, com as mãos no alto e para trás, o único galho do único tronco que ainda sobrevive e dá-me sinal das utopias no interior escuro. Escuto, continuamente, violenta coerção que diz-me: - Mergulha! Enfias tua cara para bater na profundidade do nada e vejas como todo destino, em mim, eu encaixo. É a sociedade atual que quer sugar-me e diz-me: - Ao abandono de todas as falsas utopias terás sucesso. E eu? Quebro o galho que me segura e mergulho de cara nesta “impositora” sociedade atual? O real chama-me e é necessário ir, sei disto! Todavia, devo segui-lo sem questionar esta “impositora” sociedade atual? Ou ainda é possível vivê-lo na duplicidade: utopias realizáveis e palpável?
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


NA LINHA DO TEMPO

Vem o tempo.
Prisioneiro carrega-me
No seu andar.

Sou dicionário e escravo.
Sou obrigação e ontem.
Sou imóvel no tempo
Que carrega-me
Pelo ar.

Sou cada palavra e avaro
Na mesquinhez dos que me contém.

Sou Eu e não sou possibilidade.
(Alexandre Tambelli ® - 1998)


NESTE MUNDO

Sou incompreendido.
Um ser perdido
E prendido
Em meio a este mundo.

Meu mundo, um submundo
Escondido
Nas profundezas do mar.

Sou uma onda agitada,
Desabitada e abatida.

Sou a procura do meu formar.
(Alexandre Tambelli ® - 1998)


RECOMEÇO

Não creio no amanhã
Meu hoje é nulo
E meu passado nunca existiu.

Não quero o amanhã
Meu hoje é vazio
E meu passado era o nada.

Só quero viver na ilusão
De que a ausência
Seja a minha luz.

E assim despossuído de mim
Cavalgar no indefinível
E ser enfim: anônimo.
(Alexandre Tambelli ® - 1998)


CHEGUEI NO ÚLTIMO OUTONO

Cheguei no último outono.
Na virada das folhas.
No secar dos frutos.
No esconder do sol.

Contra tudo e todos.
Na mais impensada época.
Cheguei sem ser momento.
Sem o calor da noite, sem a lua.

Sou contra o destino.
Sou um menino ainda.
Sou coberto de fantasia.
Escondia-me do frio. Hoje, ele me acolhe.

Obrigado pelo inusitado.
Pelo impensado espelho que abre-se para mim.
Sou apenas a feição de alguém feliz.
Sou aparentemente contra a correnteza.

Sou felicidade!
(Alexandre Tambelli ® - 1999)


OUTONOS FRUTIFICAM-SE ÀS VIDAS DO POETA

[Outonos frutificam-se nas estradas]
- Margeadas por árvores em abandono florescendo -
Pecado de seduzir-se ao fruto atual-proibido
faz Poeta deliciar-se das bordas...

Afastar-se do ditado rumo de constantes chegadas...
Atrair-se pelo gosto da fruta amadurecendo
nos pés que balançam aos ventos da libido...
Jogar-se na natureza-viva em serpentes-cordas...

Salvar-se do sistema ao sabor da maçã...
Destituir-se de qualquer retilínea e sã
atitude da ordem estabelecida no rumo...

Caminhos-desvios abrem-se ao léu do prumo
da razão - sustentáculo do estabelecido -
Poeta desafio aceita por ser movido - pelo esquecido -

E suas VIDAS produzem-se do atual-proibido, porém coerentes, poetizadas, saciadas e felizes!
(Alexandre Tambelli ® - 2003)


O EX XIITA

Com o tempo aprendi a aceitar.
Da luta para a conversa.
Do ódio para a compreensão.
Da guerra para a paz.
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


SOLIDARIEDADE

Um homem pode tudo
Se o tudo for todo
Bem e sem egoísmo.

Um homem pode sobretudo
Lutar contra todo
Adverso maniqueísmo.
Construir um mundo novo
Passa por uma doação
Ao outro, como um povo
Que quer apenas coração.

Pois, de nada vale ter
O nome de rei, o poder do dinheiro
Se o verdadeiro ser
Estiver escondido no desfiladeiro
Da alma perdida.
(Alexandre Tambelli ® - 1997)


CONTRA A PENA DE MORTE

Um elogio a vida.
Um eu-lírico estático
A pensar no perdão.

Um erro - padrão -
Julgo estético
Da sociedade trazida.

Qual a moção
Da lei para votar
Pela execução?

Qual a noção
De sentimento, de notar
A possibilidade de sempre haver mutação?
(Alexandre Tambelli ® - 1998)


ODE À SIMPLICIDADE (ODE TO SIMPLICITY)

Ser simples como a música que toca
N'alma ao primeiro acorde entronizar!
Eis a ODE acolhedora que provoca
No corpóreo Ser - imortalizar! -

A descoberta máxima da VIDA
É o total desapego material!
- Efêmero dos tempos de perdida
Batalha procurando o que é mortal! -

Levaremos o quê? - Corpo desfaz... -
Uma arca plena d'ouro ou nossa Messe
De Amor Doação Alegria Simplicidade?

Tesouros maiores hão que Ser bom Paz
Justiça social Prece Liberdade
Ser parte voz de tudo que acontece?
(Alexandre Tambelli ® - 2003)


RETIRANTE

Apenas uma estrela carregarei comigo
Nos meus passos de viajante
Para iluminar meu pobre abrigo
Feito de simples trajes de retirante!

Levarei comigo essa estrela
Para que na vida modesta
Eu possa, à luz do céu, tê-la
E saber que a vida ela me empresta!

E ao chegar no meu destino
Devolverei a quem lhe é dono
Seu brilho e eu feliz menino
Dormirei o justo sono!

Sonharei então com o mendigo
Que bêbado e alegre, ri
Mesmo sem ter um abrigo
Pois eu não o acolhi!

E saberei que ser modesto
É o que há de mais belo
E que todo o resto
Apenas faz um castelo...
Um castelo de arreia...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


FELICIDADE

O campônio - à tardinha - colhia rosas,
Miosótis e jasmins na natureza
E na estradícola ele e as aves iam
Até seu lar na vila pobrezinha.

Na porta, quatro filhas carinhosas
E a mulher - sol na pele, na beleza
Camponesa - sorrindo, o esperavam
Para juntos entrarem na casinha.

Três pequeninos cômodos: cozinha,
Quarto e sala. Seis vidas cheias de amar
Possuíam singelos rostos de alegria.

Modesta alvenaria, uma paz sustinha...
Harmonia de humildes em um lar
Feito de afeto, fé e amor à Maria.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


QUEM POR ÚLTIMO RI MELHOR RI

Um menino sorriu certo dia
Na alegria do singelo brincar...

Um rapaz não sorri neste dia;
Na tristeza não sabe brincar.

Um ancião sorrirá certo dia
Emergindo a alegria de brincar...


E então a Terra de novo abrirá
Um fraterno sorriso igual dia
Em que aquele menino sorriu
Na alegria do singelo brincar...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


A POÉTICA DA VIDA
À Paulo Freire

Chora a partitura quebrada
Da composição complexa e inacabada.
Silêncio em boas partes da música.
Lamento do poeta que perde sua guia.

Estou perplexo e circunflexo
Em meio ao meu interior
Tentando encontrar a ética.

Noite, obscuro é fantasia inacabada.
Vejo a luz celebrada.
Olho o horizonte da física
Gravitando sua incansável energia.

Estou aqui, buscando seu reflexo
Para tornar vivo, o superior
Princípio de toda uma poética.

* Este poema foi escrito no dia da morte do professor “Paulo Freire”.
(Alexandre Tambelli ® - 1997)


CANTANDO O AMANHÃ

Não quero pra mim
Dos bens materiais
Que neste mundo
Fingem-nos prazer...

Eu quero isto sim!
Pequenos sinais
De dentro oriundos
Que o Amor quer reger...

São notas harmônicas
Da bondade entoadas
Pra dar emoção...

Canções filarmônicas
Que são orquestradas
Com muita devoção...


E esta melodia
Entoada em meus versos
Chocará o insensível

E abrirá em seu dia
Amplos universos
Feito de invisível

AINDA, - sonhos poéticos -
Desta alma - proféticos! -


Até o dia concreto
Do que agora, lúcido,
POETO!
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


LIBERTÁRIO VERÃO!

Lentamente corroem nosso Ser
Numa imperceptível jogada
Dos que querem derrotar-nos.

Um Sistema quer aprisionar-nos
Numa cela invisível e pregada
No inconsciente sem se ver.

Somos escravizados e amargurados
Pela lógica excludente...
Em que o diverso é cerceado.

Imprensa branca (policial desarmado)
Impressões de um Mundo decadente
Vemos ser dogmas idolatrados.

E a Sociedade, inerte na alienação
Faz o jogo da mercadoria ilusão
Que vende-se no shopping center.

E Eu, meus gritos - que são nossos -, ficamos sem ter
Vozes para ecoar; na reclusão
Obrigados por uma Elite sem coração!

E o Mundo assiste atônito e triste
A cada conflito de terror
Fazendo-se crer que a culpa é do Bin Laden.


Mas, a chama em mim - por nós - persiste
E mesmo em meio ao horror
Uma Luz faz com que meus sonhos - que são nossos - não se acovardem!

E eu sei que um dia
Longe da ganância do Poder
E da materialidade do Sistema

Toda e qualquer rebeldia
Terá direito de conceber
A felicidade fraterna para além do poema.

E os pensamentos contrários conviverão
Numa Sociedade com respeito
Às idéias aliadas à justiça,

Em que tudo o que - por nós - me atiça
Agora escrever, no poema, que pulsa meu peito
Far-se-á um Libertário Verão!
(Alexandre Tambelli ® - 2002)



FALANDO D’AMOR


PARA QUEM QUISER AMAR

Alargue teus horizontes para suportar os mais adversos percalços da estrada! Sonhar o Amor prisioneiro de uma só emoção é cultuar o nada! Quem prossegue sempre pelo caminho das flores desabrocha sempre, recicla os sentimentos e transpõe a vida da dor para amores! Amar são sonhos diversos sendo confluídos no mesmo ramo da árvore que cresce, brota e semeia rosas de várias cores! Amar é o infinito em plena individualidade e em pleno exercício do compartilhar com o ser amado! Quem ama não sustenta o medo, a inveja, o martírio, e as estrelas no seu caminho alumiam eternamente céu iluminado! Amar é combater a dor interior, dividir a alegria e ser linda flor! Amar é ser eternamente alegre, festivo e numa simples tarde de um dia qualquer fazer brotar do fundo d'alma linda e apaixonada poesia de amor!
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


SONETO DA VITÓRIA NO AMOR

Pra trabalharmos na vitória o amor
Fica obrigado cultivarmos confiança;
Honesto nós atuarmos, mor aliança,
Pra justa, a lida, receber da flor.

Quem ama planta pela estrada o amor,
Põe-no no fundo d’alma e em fé o reedita.
Quem ama apanha só bom grão e interdita
Os desvios trágicos do drama e a dor.

Quem ama grande torna cada entrega
Quando o jardim que na sua vida rega
Sulca canteiro e aflora em pé a verdade.

Pra agir o amor como luz, chão e oferenda
- Do coração - que no labor aprenda
A implementar, sinceridade e idade.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


O AMOR E A NOITE

Conversou a Noite com o amigo Amor
Em um cenário sem a Luz e a Lua.
Confessou a Noite, ao Amigo, imensa dor
Por negra ser e escurecer a rua.

No desabafo confidência ousou:
- Nunca em meu céu o Esplendor da vida raiou.
E o Amor então um justo anexim ditou:
- Foi sempre assim pois você nunca amou!

- Quem ama, amiga, a noite traz consigo
Porque não há beleza maior que o luar
Pleno de luz para o Esplendor da vida.

- Quem ama, amiga, a noite faz de abrigo
Porque lá brilha a mais suprema lida
[ A amiga Estrela ] – resplendor do amar!
(Alexandre Tambelli ® - 2001)


O AMOR COMPLETO

O amor não necessita de escombros;
Pesos colocados nos ombros
Do parceiro da obra a se construir.

O amor edifica-se primeiro em nós
Quando nosso equilíbrio interior ruir
A depressão e a insegurança, nossos nós.

Estar resolvido como ente
Permite-nos a entrega ausente
De qualquer necessidade de exigir.

O amor então torna-se doação livre, amar,
Felicidade plena, liberdade não vigiada, clamar
De anjos; a água do céu a nos aspergir.

Tudo desprendido, sem posse, sem alma gêmea.
Tentação viva, deleite, macho e fêmea
Se acariciando tão somente por querer.

Assim é a sábia razão de quem ama.
Apenas luz, brilho, chama. E enfim na cama
O êxtase não é dever. Apenas o gozo eterno de prazer.
(Alexandre Tambelli ® - 2000)


A ÍNTIMA GUERRA INTERIOR

Tenho nos olhos lágrima escondida...
Quase a deslizar nos meandros do rosto...
Ela busca transbordar a emoção reprimida
Para ser chafariz ao mundo posto...

Estou sozinho e preciso chorar
A incontida solidão que no hoje silencia-me
Na noite igual cidade pós-guerra...

Porém, quem verá lágrima a latejar
No coração que denuncia-me

Eu viver em plena harmonia com os escombros da desabitada terra?
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


QUEM AMA ATÉ A SOMBRA...

Talvez seja calar incomensurável palpitar
Galopante desabalado do coração
Ávido por ver amor/paixão crepitar
Nas sendas sublimes e sagradas da emoção...
Que me leva a suspirar inatingível
Colecionando utopia do imponderável
Destronar da fantasia no que é sensível
Em meio ao mundo que é palpável...
Quem sabe mais da ilusão do que eu?
Quem ama até a sombra que nunca aconteceu
Pode ser feliz um momento do trajeto?
Ou será sempre fragmento estilhaçado?
Vejo-me constantemente despedaçado
E as favas como lixo meu sonho vira dejeto....
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


LACÔNICOS ESTRUMES...

Partir! Como vamos se não dizemos adeus?
Quem colecionou o verso da eternidade
Não soube que a falsidade é obra de um falso deus?
Eu acreditei piamente na nossa felicidade...
Hoje sou um excremento de um homem metido a poeta?
Meu diletante vernáculo de palavras coesas,
Coerentes e científicas que cria imagem reta
Pode ser destroçado pela ausência de sobremesas?
Escrevo o versículo da Geografia ou das Letras?
Quem segue a cartilha dos meus ideais faraônicos?
Entôo partituras que confluem para cores sempre pretas...
Onde meus efêmeros sempre supostos são vaga-lumes
Que acendem e apagam luzes em tons lacônicos
Da descoberta que sonhos sem chão são esmagados estrumes...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


À CONTRALUZ DO SONHO DE AMOR *
À Márcia Eduarda

Mesmo que a estrela da vida agigante-se no céu ao lado
Eu sou apenas mágico cavaleiro num Corcel alado
Sonhando voar no perfeito do momento imperfeito
Como no encanto de fábula que traz o mundo sem defeito...

Eu vou na flutuante caravana que corre ao léu
Pelos ventos da vertigem do ar criado no invisível
E no meu quimérico momento um inexistente véu
Desnuda-se puro e na poesia consegue ser possível...

É noite na minha vaga memória do Amor esquecido
Que viveu aqui em mim e hoje é um cristal esmaecido
No seu estrelado brilho em desalinho com a luz...

E no material deste sonhado momento de Amor
Só há na escura sala fraco aroma da esquecida flor
A perfumar o ambiente, envolvido na saudade, à contraluz...

*Respondendo a um poema por ela enviado.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


PRESO POR UM NÓ

Lentamente penetras, canto sublimado por inspirada compositora;
Soltas-te no meu pensamento e caminhas comigo;
Levas-me na arquitetura de tua arte construtora
Do sentimento que dás-me abrigo...

Quero suspiros poéticos nesta madrugada.
Preciso voar na imensidão da noite ausente de pó
Pra buscar CHAMA de novo AMOR que foi de mim apagada
Ao não desprender saudade que resta presa por um fio que não desata mais seu rígido nó...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


VEM CHEGANDO A PRIMAVERA *
À Carmen D’ávila

Onde habitará o poeta das noites sem sono?
Aquele poeta que faz planos mirabolantes
Bem ao estilo do mais apaixonado dos amantes...

Qual será seu reino? O que se destinará a ele após o abandono
Das últimas madrugadas do inverno?
Já é hora do estio sair das folhas do caderno...

Onde habitará o poeta quando deixar o devaneio?
Numa terra consciente ou poética novamente?
Qual será o destino da nascente semente?

Brotar no barro ou de novo ser ilusão do floreio?
Hoje o poeta espera a manhã do dia vinte um...
Sabe ele que reflorirão flores no desjejum...

- Tempo em que a poesia não se inspirou nas flores
E veio repleta das escurecidas, intocáveis e frias imagens
Feitas somente de devaneios, nublando as miragens,

Murchando as mimosas, palmas e acácias e seus odores... -
Sábado o poeta abrirá a próxima primavera
Da sua vida... Que o ciclo da natureza gera...

E mesmo assim as realidades almejadas
Não saberemos se serão realizadas
Pois o poeta constrói-se das idéias, quimeras e descobertas não materializadas

Que pelos desejos à flor da pele, d'alma e do espírito são irraizadas
Com (n(a)) sua forte, aberta e afetiva imaginação...
Frutos que brotam do observador, inconformado e trágico coração...

- Gerados para idealizar, compreender e declamar o Universo,
O Planeta, o Corpo, a Alma, o Espírito, a Eternidade...
Numa utópica, sublime e áurea realidade... -

Transposta no mais puro, desnudo e absoluto verso
- Germinado sorrateiramente da emoção, inspiração e transpiração sentidas
E traduzido com (n(o)) Amor na busca da mais harmônica, bela e imortal das VIDAS!! -

* Respondendo a um poema por ela enviado.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


SONETO DO AMOR VINDOURO

Contornará o Amor o pleno infinito
E mais uma vez estará descrito:
- “Regresso à vida, encontrei novidade.”
- Inicial e bela natividade. -

Desabrocharei ao lado da pureza
Conquistando novo palco: a realeza.
Junto da esposa, amada e companheira,
Brotarei flores, para vida inteira.

E plenos de ideais mágicos e lúcidos
Contornaremos nossos tempos idos,
Tempos presentes, tempos vindouros

De cintilantes - ROSAS - que palpáveis
Nestes corações, nascerão tão amáveis,
Em chão concreto, ornado por tesouros.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


EM ALGUM LUGAR DO FUTURO *
À Diva

A canção é a dor d'alma em forma de gente!
O estrondo dos pulmões respirando o passado;
A ofegante batida do coração suspirando a saudade;
O esquecido AMOR que me vem, de súbito, lembrado.

A canção lacrimosa e bela vem sensibilizar-me...
E inerte ao seu gemido choro inebriado;
Fico silencioso e adentro n'alma a escutando dizer:
- Saudade é um tempo que reflete que um dia fui amado!

Hoje é o outro tempo! Da revigoração das forças ocultas
Que um dia ousaram viver conjuntamente com meu corpo
E que neste agora estão deitadas no sono dos justos...

Mas um dia com certeza todas as dores serão sepultas
E num repente de felicidade a paz reinará com AMOR e TERNURA
Num céu aonde os insatisfeitos desejos de hoje serão augustos...

*Respondendo a um poema enviado por ela.
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


DEITO-ME AGORA NO COLO DE DEUS

A tempestade veio com atraso
E de uma só vez inundou meu coração!

Molhei-me por completo que até me resfriei!

Da doentia feição pós chuva
A fraqueza foi elixir
Para depurar e reciclar toda a minha pele
E - EU - reerguer-me para nova caminhada
Ao lado do bem!

Deus curou-me da imperfeita vontade
Que assumi - SONHAR - existir...

E hoje são! Dou-me para Deus em louvor
E peço a proteção Celestial dos Anjos
Para guiar-me na Vida!

Eu sou um pecador arrependido
Que aos teus braços - PAI - voltou!
Forte de sonhos e desejos...
Frágil de vitórias no até agora...

Meu Deus! Comigo estás...
E no teu Colo alcançarei
A Vida Eterna!

E no mundo dos homens
Aprenderei a ser sempre: recomeço, paz,
Compreensão, esperança, amor, fé, luz,
Honestidade, verdade e perdão!
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


FUI FIEL A POESIA

Confeccionei o pensamento ao teu gosto.
Os fatos fiz para compreendê-la.
As palavras coloquei no teu universo.
Os versos ficaram a tua imagem e semelhança.

A vida projetada para nós restou como uma esperança.
Foi interessante a tentativa, porém perverso
Foi o resultado. Entendê-la
Pensei ser apenas uma porção de pressupostos.

E assim acabou. Coloquei você como um produto,
Como um objeto para incentivar-me ao consumo
De uma poesia que vive de elegias, elogios e não de atos.

Acabou tudo, sem a chance de começar. Meu desacato
Às regras do amor, fez de mim um insumo
Para aumentar a solidão de quem vive num poema absoluto.
(Alexandre Tambelli ® - 1997)


A VIDA SEM DIALÉTICA

As conjunturas desfavoráveis para nós dois.
Os complementos perdidos no caminho da vida.
A reciclagem que ficou sempre para depois.
O diálogo que não foi observado, a ferida.

Perdemos para a ilusão do amor eterno.
Sem desvios. Uma paixão aparente e romântica.
Um vento que soprou sempre para a orla Atlântica,
Sempre nesta direção. Ilusão de que sempre foi terno.

Poupamos as discussões. Brigas, ausentes do vocabulário.
Fomos em mão única, pelo eixo da solidão.
Deixamos os amigos e vivemos da pura ficção.

Agora tudo acabou e está perdido no passado, bem ao contrário
Do planejado. Nosso amor é inóspito e numa forma patética,
Pouco pode ser favorecido pela Dialética.
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


QUANDO NÃO SE RESPEITA AS DIFERENÇAS

Eu procuro os teus olhos esquecidos
Em meio ao desaperceber dos dias.
Tu em teus sentidos longínquos, em perdidas paragens,
Estás distante de minha visão.

Eu procuro aqueles brilhos esmaecidos
Em meio ao florescer de nossas rebeldias.
Tu que dantes foste célula viva, hoje só imagens,
Estás daqui. És apenas imprecisão.

Olho pelo passado a buscar vestígios,
A buscar a razão da distância
E descubro que foi tudo um grande sonho.

Acreditar em teorias! Ideologias! Fim bisonho.
Foi válido naquele tempo, naquela circunstância.
Hoje planto aquela solidão. Ah! Aqueles pobres litígios.
(Alexandre Tambelli ® - 1996)


SINCERO AMOR

Eles querem a velocidade infinita.
Caminham como cometa, passam e só.
Vou na nau da calmaria.
No mar remoto e calmo, não passo, fico.

Eles prometem o amor impossível.
Declamam versos iguais, passam e só.
Vou nas pequenas intenções.
No conquistar de cada espaço, não passo, fico.

Eles enlouquecem na primeira noite.
Satisfazem seus desejos sexuais, passam e só.
E eu vou construindo a cena.
No amor seguro e sincero, não passo, fico.
(Alexandre Tambelli ® - 1995)


AMIZADE DEPOIS DE TERMINAR?

Elementar desata-se indizível
No taciturno gesto do abandono.
Posso manter, amigo, intraduzível
Jogo de camarada? Não sou dono

Da comiseração à quem fez sofrer
Tempo espaço alma luz sem ter piedade
Da intensidade atroz que fez morrer
Propósito inicial: felicidade!

Fabricar amizade por bondade
Será justo calvário pra salvar-me?
- Eu não fui pecador arrependido -

Minha culpa essencial foi na verdade
Plantar Poesia no solo sem podar-me
Devaneio que brotou pra ser perdido.
(Alexandre Tambelli ® - 2003)


NO QUE CONSISTE O AMOR?

O Amor compete com as dúvidas
Ou somente é plena vida?

O Amor intercede com a - Alegria -
No momento da aprendizagem, da ação,
Da inspiração, da divagação?
Ou leva às constantes dúvidas?

Eu e o Amor? Teoria?
Prática? Poesia? Sonho?
Ou tudo isto que disponho?

Será que suponho
Viver o eterno eternamente
Numa alucinação da mente?

Por que a entrega ausente
De exigência?
Falta de experiência?
De feito palpável?
Fé inabalável no que crio da mente?
Sentir-me invulnerável?

E o Amor? Irá propiciar
Tudo o que ouso teorizar!
Praticar! Poetizar! Sonhar!
Na sede de Amar?

Estou sedento por cada resposta
Para abrir a porta
E deixar transbordar a comporta
Da água límpida do Amar...
(Alexandre Tambelli ® - 2002)


É PRECISO SENTIR SAUDADES!
À Diva

Eu não tinha esta liberdade de hoje,
Tão silenciosa, tão livre, tão fria...
Que deixa-me sem amarras e sem prestar contas!

Eu não tinha esta felicidade suposta,
Tão evidente, tão retilínea, tão cômoda...
Que deixa-me sem saudades e sem desejos!

Eu preciso ter um amor na vida!
Para não morrer o coração...
O Homem livre de tudo não sobrevive,
Não vive a vida senão a não-ardência, a pedra!

Eu preciso ter um amor na vida!
Eu preciso amar e ser amado...

Mais do que tudo na vida:
É preciso sentir saudades!
(Alexandre Tambelli ® - 2003)


*”Poemas” Registrados Na Fundação BIBLIOTECA NACIONAL (Escritório de Direitos Autorais) do Ministério da Cultura.

N.º Registro: 255.444 Livro: 456 Folha: 104;
N.º Registro: 267.376 Livro: 480 Folha: 36;
N.º Registro: 286.525 Livro: 518 Folha: 185;
N.º Registro: 317.891 Livro: 581 Folha: 51;
N.º Registro: 362.341 Livro: 670 Folha: 1


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